É ou não possível ser-se feliz sozinho?
É ou não possível ser-se feliz sozinho? DANIEL ROCHA

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Dia dos Namorados

“O mundo nunca foi simpático para os solteiros”

“Claramente, apesar de não sermos ilhas, mas temos de aprender a ser e a estar sozinhos para sabermos bem o que queremos para nós. E depois podemos sempre ter relações mais voláteis que também são importantes para descobrirmos o que desejamos, e que fazem parte do nosso percurso e descoberta enquanto seres que precisam sim de amar e de ser amados para serem felizes.”

Voltamos a Elsa, que defende: “A nossa felicidade depende daquilo que queremos para nós. Podemos ser felizes sozinhos e infelizes acompanhados. Ambas as situações têm aspectos positivos e negativos. O grande argumento a favor de termos um parceiro é não estarmos sozinhos, mas estar sozinho não é o mesmo que estar só.”

Fala do que sabe, já que “tem uma vida preenchida com amigos, família, trabalho, actividades, interesses”, logo, não tem tempo para se sentir só. E diz mais: “Sabe tão bem ter algum tempo para nós próprios, em que só fazemos aquilo que queremos!” 

Pressão familiar e social

Por amor, expectativa ou tradição, a verdade é que a família pressiona e questiona, sobretudo as mulheres. A sociedade também: “Sinto a pressão, ignorá-la seria não olhar e não entender a sociedade portuguesa, ainda muito assente nos valores católicos, mas, talvez porque a minha educação, as minhas leituras bem importantes em literatura de género, o meu percurso de vida e as minhas relações assim o determinaram, não permito que essa pressão condicione a minha felicidade e o que procuro para mim.

E essa libertação da pressão externa, criada muitas vezes por uma cultura maioritariamente masculina, tem de ser feita de dentro para fora, e talvez ou sobretudo num processo de aliança e de solidariedade feminina.”

Palavras de Teresa Ribeiro, que considera que o melhor argumento para a família é a felicidade. “Nenhum dos nossos deseja e nem pode permitir que alguém esteja semifeliz numa relação só porque se tem medo de estar sozinha ou porque a família pressiona para se ter alguém, pois caso contrário se é menos mulher. Mas será que ela será mais mulher por estar infeliz numa relação que não a completa? Não me parece.”

Diz a psicóloga: “O mais importante não é ter namorado. O mais importante é estar vivo, ter saúde, ter as necessidades básicas satisfeitas e sentir-se feliz e em paz. Algumas famílias esquecem-se do que é realmente importante na vida e trocam as prioridades. Dão mais importância a crenças, mitos e ao que os outros possam pensar e comentar, exercendo uma pressão completamente despropositada. Essa, sim, pode ter consequências desastrosas sobre a saúde mental dos seus filhos e levá-los a namorar e a casar com quem não gostam nem querem.”

Namorar não é sinónimo de felicidade

Por tudo isto é que Margarida Vieitez argumenta: “Namorar não é sinónimo de felicidade. Existem muitas pessoas que namoram e não são felizes. Os pais devem desejar que os filhos sejam felizes, não que namorem, casem ou tenham filhos. Devem respeitar as suas escolhas e decisões, mesmo que elas passem pela decisão de não querer namorar, casar ou ter filhos.”