É ou não possível ser-se feliz sozinho?
É ou não possível ser-se feliz sozinho? DANIEL ROCHA

Dia dos Namorados

“O mundo nunca foi simpático para os solteiros”

Não ter namorado não significa que não se celebre o amor ou que se seja infeliz. Mas neste dia o mundo é especialmente mau para os solteiros.

Pouco depois do Ano Novo começa o bombardeamento publicitário com “o presente perfeito para a sua cara-metade” ou “o destino ideal para uma escapadinha a dois”, comenta Elsa, 38 anos, solteira. E continua, num relato bem-humorado: “No próprio dia, a televisão invariavelmente escolhe uma programação romântica (se tivermos muito azar, apanhamos uma maratona de filmes baseados em livros de Nicholas Sparks ou de John Green!).”

Elsa sente-se mais pressionada quando vai a casamentos do que propriamente no Dia dos Namorados, mas sabe que “o mundo nunca foi muito simpático para os solteiros”. Nesta data então, o mundo “consegue ser especialmente mau”.

As visitas à aldeia dos avós, “onde todos são família”, também têm os seus quês, mas esta assistente administrativa, que está de bem com a vida, sabe que a preocupação de familiares e amigos é também uma manifestação de amor. “Todos nós queremos o melhor para aqueles que amamos, queremos que sejam felizes. O problema é que a definição de felicidade não é igual para todos”, diz ao Life&Style via e-mail. Para concluir: “Nem todas as pessoas precisam de ter um namorado (um pré-cônjuge) para ser felizes.”

Ainda que considere que o 14 de Fevereiro é acima de tudo “uma desculpa para se vender mais chocolates e lingerie”, não tem “qualquer problema com a existência de um dia em que as pessoas apaixonadas celebram o seu amor”. Mas frisa: “É a escolha delas e eu respeito-a, tal como gosto que respeitem as minhas escolhas.”

Um dia de “alerta”

Amamos por calendário? Faz sentido existir um dia que comemora o amor romântico?, perguntámos à terapeuta de casal Margarida Vieitez. Resposta: “Parece-me que faz sentido, na medida em que realça a importância do namoro, independentemente da idade, estado civil ou duração da relação. Não amamos por calendário, mas o Dia dos Namorados pode servir para os casais se perguntarem: há quanto tempo não saímos só os dois? Há quanto tempo não conversamos sobre nós? Há quanto tempo não namoramos?”

A também mediadora familiar diz que, “apesar de ser um dia como outro qualquer, funciona como ‘alerta’ ou ‘chamada de atenção’, para os dois se lembrarem mais vezes de namorar” e acredita que “um Dia dos Namorados semanal acabaria com metade dos divórcios”.

Mas é ou não possível ser-se feliz sozinho (sem parceiro/parceira)? “Sim, é possível. Aliás, estar sozinho, tranquilo, sentir-se bem consigo próprio e com os outros, são excelentes indicadores no que respeita a uma futura relação. A probabilidade de vir a ser uma relação saudável e satisfatória é muito maior”, diz a psicóloga. E prossegue: “A outra pessoa não é responsável pela sua felicidade. Ela apenas o pode fazer sentir-se ainda mais feliz. A qualidade das suas relações depende muito do modo como as perspectiva. Como relações ou como ‘tábuas de salvação’.”

Teresa Ribeiro, 39 anos, assistente editorial e solteira, também está convicta de que se pode ser feliz sozinho: