Reuters/KEVIN LAMARQUE

EUA

Trump ataca empresa em defesa da honra (e dos negócios) da filha

Grandes armazéns deixaram de vender produtos Ivanka Trump. Conselheira de Trump apela à compra a partir da Casa Branca.

A Nordstrom foi a primeira cadeia de lojas que deixou de vender os produtos de Ivanka. Seguiram-se outras e mesmo os consumidores que têm produtos da marca da filha do Presidente norte-americano estão a pô-los à venda na Internet por preços baixos – por exemplo, sapatos que foram comprados por centenas de dólares, podem agora ser adquiridos por pouco menos de 20 dólares.

Na quarta-feira, Trump voltou ao Twitter para insurgir-se contra a Nordstrom que tão mal tratou a sua filha que o ajuda sempre a fazer o bem. "Terrível!", reage ofendido na conta oficial do Presidente dos EUA, assim como também usou a sua.

O caso tornou-se nacional e os democratas reagiram, considerando "pouco ético" e inapropriada a afirmação do Presidente, diz a BBC. Entre os democratas há quem sugira aos grandes armazéns que processem Donald Trump pela sua ingerência.

Até o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, teve de pronunciar-se, durante o encontro diário com os jornalistas, quando o questionaram sobre o tema. Para Sean Spicer a decisão da Nordstrom "é política", mas não vê qualquer conflito de interesses entre o Presidente e o pai de família. O que Trump fez, ao twittar, fê-lo como pai, ou seja, reagiu a um "ataque" à sua filha. "Ele tem o direito de defender a sua família", é um pai orgulhoso naquilo que os seus filhos fazem, naquilo que conseguiram, por isso, tem o direito de os defender, acrescentou.

Na manhã desta quinta-feira foi a vez da conselheira de Trump, Kellyanne Conway, de pronunciar-se a partir da sala de imprensa da Casa Branca, apelando à compra dos produtos de Ivanka. 

Conway começou por elogiar a filha mais velha do Presidente e depois deu o seu conselho: "Vão comprar as coisas de Ivanka." Apesar de não gostar de ir às compras, Kellyanne confessou que ela iria fazê-lo durante o dia de hoje e até explicou aos espectadores do programa da manhã Fox&Friends que se pode comprar através da Internet. "É uma linha maravilhosa".

A retalhista norte-americana Nordstrom, com lojas espalhadas por todos os EUA, assim com loja online, declarou no início deste mês que deixaria de comprar jóias, roupas e sapatos a Ivanka Trump e foi muito clara: não se tratava de uma decisão política, mas comercial, já que as vendas baixaram ao longo de 2016, com especial incidência no final do ano, em parte devido ao boicote dos consumidores, explicou, citada pela Forbes. "Ivanka foi informada pessoalmente no início de Janeiro", acrescentou a Nordstrom em comunicado.

Depois do tweet do Presidente, as acções da Nordstrom não se ressentiram. Ao contrário do que já aconteceu com outras empresas cotadas que, depois de uma afirmação de Trump, caíram em bolsa, neste caso, a Nordstrom até teve um ganho de 4,1%, noticia da Bloomberg.

 

 

O facto é que a decisão da Nordstrom deu-se depois de o movimento #GrabeYourWallet ter feito uma lista dos dez retalhistas que deviam ser boicotados devido às suas relações com Ivanka Trump. Esta organização tem ainda listas que incluem os negócios do Presidente. 

Depois da Nordstrom, que aparece à cabeça nessa lista, outros tomaram a mesma decisão, embora de forma mais discreta. Por exemplo, a Neiman-Marcus, os grandes armazéns do Texas que vendem marcas de luxo, deixou de ter alguns dos produtos de Ivanka à venda e deu a mesma justificação que a Nordstrom – as vendas baixaram, avança a Racked.

No Canadá, noticia a Reuters, nos armazéns Winners, as colecções de Ivanka Trump estão em saldo Também as lojas online começaram a deixar cair os produtos da filha mais velha do Presidente dos EUA. A Forbes fez uma pesquisa online que deu "zero resultados" para os produtos com a marca Ivanka Trump na Jet.com – adquirida pela gigante Walmart o ano passado. 

No entanto, as jóias, malas, sapatos e roupas continuam disponíveis na Bloomingdale’sDillard’sLord & Taylor e Amazon.com. Na tarde de quarta-feira, a Bloomberg noticiava que a marca Ivanka Trump reiterou a sua ambição de crescer. Segundo um porta-voz da marca, as suas vendas cresceram 21% em 2016 e, este ano, a colecção estará disponível em mil lojas, acima das 800 do ano anterior, prevê o plano de expansão da empresa.

Notícia actualizada às 15h15.