Estudo
Há mais mortes entre o Natal e o Ano Novo. Porquê?
A semana entre as duas festividades é a semana do ano em que é mais provável morrer de causas naturais.
Entre árvores de Natal envoltas em luzes de mil cores e as preparações para a Passagem de Ano, muitos esquecem-se que este período é sinónimo de algo mais que festividades. A semana entre o Natal e o Ano Novo é negra no que toca a estatísticas da saúde. É aquela onde é mais provável que se morra de causas naturais, diz um estudo citado pelo The Washington Post.
A investigação foi levada a cabo pelo sociólogo norte-americano David P. Phillips e comprovada por outros estudos que recorreram ao Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, nos EUA, para combinar informações aí recolhidas com dados populacionais. A pesquisa revela-se verdadeira, exceptuando em crianças e pessoas já com condição de saúde debilitada, ou seja, com problemas respiratórios, de coração ou cancro.
Quais as razões para tal? Há duas justificações que aparentemente fariam sentido: o excesso de comida que se ingere neste período e as doenças motivadas pelo frio, como a gripe, ou cardíacas.
A primeira, os cientistas descartam. E a segunda também, já que os investigadores realizaram um estudo com dados de mortalidade da Nova Zelândia, onde durante as férias entre o Natal e o Ano Novo é Verão, ou sejam não há frio, mas onde também se morre mais neste período do ano – um estudo publicado no Journal of the American Heart Association concentrou-se nas 197.109 mortes causadas por problemas cardíacos entre os anos de 1988 e 2013 na Nova Zelândia, e nesse período de 25 anos foi registado um padrão de mortes causadas por ataques cardíacos durante as férias semelhante ao que foi registado nos Estados Unidos.
O estudo revelou que na semana entre as duas festividades houve um aumento de 4,2% nas mortes registadas. Mas, ao contrário dos Estados Unidos, a época festiva não representa o pico de mortes cardíacas, que acontece em Junho, Julho e Agosto durante o Inverno neozelandês.
Os investigadores dizem que o “efeito férias” nas mortes é separado de quaisquer “efeitos de Inverno”. Assim sendo comprova-se que não há correlação aparente entre qualquer efeito de Natal observado e o impacto da temperatura ou sazonalidade.
Os investigadores também observaram que as pessoas que morrem de falência cardíaca, dentro ou fora do hospital durante o período de Natal, são mais jovens (quase um ano) do que aqueles que morrem da mesma condição ou semelhante durante o resto do ano.
Posto isto, muitas outras teorias surgem para explicar o mistério das causas que podem estar na origem do pico de mortalidade entre o Natal e o Ano Novo, mas nenhuma conclusão em concreto foi ainda apresentada.