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Guias de estilo: as dicas úteis para aplicar ao guarda-roupa do dia-a-dia

Há livros que ajudam homens e mulheres a melhorar a sua imagem profissional ou os guiam numa ida às compras. Falámos com duas consultoras de imagem.

Em todos os armários há peças de roupa que mulheres e homens, mais ou menos vaidosos, se orgulham de ter, outras que tentam esconder e algumas que não sabem combinar. Há, também, quem não ligue ao que vai vestir. A pensar no contexto de trabalho, Rita Carvalho escreveu um guia de estilo para homens e mulheres melhorarem a imagem profissional. Já Gabriela Pinheiro, stylist, reuniu em livro dicas para “um look perfeito todos os dias”.

“O que devo usar nesta situação?” ou “O que achas do meu visual? Estou bem vestido/a?” são as perguntas que estas consultoras de imagem mais vezes ouvem. Sobretudo de mulheres, explica Rita Carvalho.

No livro Imagem Profissional – Guia de Estilo, editado pela Casa das Letras e com ilustrações de Ana Gil, Rita Carvalho, autora do blogue In Styleland, dirige-se a quem está a iniciar a sua carreira, pretende saber o que usar numa entrevista de emprego ou a quem procura melhorar a sua imagem e não sabe por onde começar.

Os temas abordados são diversos: preparação para uma entrevista, gestão de imagem pessoal nas redes sociais, o que usar durante a gravidez, quais as recomendações de dress code em função do ambiente profissional, como usar cores, como organizar o guarda-roupa. “O livro pretende ajudar todas as pessoas que têm dúvidas sobre este tema e que querem melhorar a sua imagem, tendo em conta as suas características físicas, profissão e estilo de vida”, diz a autora ao Life&Style numa entrevista por e-mail.

Enquanto forma de comunicação não-verbal, a roupa que escolhemos vestir pode dar uma imagem contrária daquilo que gostaríamos de transmitir, principalmente no local de trabalho. “A roupa deve valorizar e não descredibilizar o profissional que a veste. Se transmite uma imagem de desleixo, falta de higiene ou de desadequação ao contexto, então vale a pena considerar, pois pode passar uma mensagem errada”, afirma Rita.

“É importante respeitar o dress code da empresa e conhecer quais são as suas restrições e recomendações”, aconselha a consultora de imagem. E enumera: “No caso das mulheres é preciso, ainda, ter atenção para não colocarem em evidência determinadas partes do corpo, como é o caso de grandes decotes, transparências, mini-saias, roupa muito justa, jeans rasgados ou calças de cintura baixa em que quando se sentam deixam à vista a roupa interior. Em relação aos homens, é importante que as peças tenham um tamanho adequado ao seu corpo, estejam limpas e devidamente engomadas, para não passarem uma imagem desleixada ou de falta de higiene.”

Existem diferenças entre a roupa a usar no trabalho e, por exemplo, numa festa, mas estas podem ser esbatidas. “Regra geral, a roupa para usar na empresa deve ser mais sóbria e discreta, enquanto num ambiente de festa existe uma liberdade maior de opções, ao nível das cores, formas e materiais”, continua Rita Carvalho, riscando das possibilidades para levar para o emprego os “brilhos, metalizados ou veludos”. A autora salienta, no entanto, que tudo depende da empresa.

Gabriela Pinheiro acredita que “a diferença pode ser muito pouca, por vezes mudar apenas os acessórios e maquilhagem”. Um dos capítulos do seu livro O meu livro de estilo (editado pela Manuscrito e que aborda temas como a procura do estilo próprio, a organização do roupeiro, idas às compras, roupa para casamentos, de Verão ou a levar na mala de viagem), é também dedicado aos códigos de vestuário do local de trabalho. “As pessoas devem vestir-se com gosto para ir trabalhar, esse é um dos pontos que pode ajudar no nosso sucesso profissional, a nossa imagem, a nossa boa apresentação, o visual cuidado e confiante”, defende, lembrando, tal como Rita Carvalho, que “existem códigos de ética e questões de bom senso”.

A stylist de Cláudia Vieira, Júlia Pinheiro ou Daniela Ruah começou a trabalhar nesta área há vários anos e lança agora um livro com “tudo o que precisa de saber para um look perfeito, todos os dias”.

Gabriela Pinheiro diz que tem mais clientes mulheres do que homens – por isso, o livro dirige-se mais às leitoras. No entanto, confessa, diverte-se mais a trabalhar com os clientes do sexo masculino. “Eles também se divertem e gostam de se ver transformados, mas quando têm de sair do meu atelier e enfrentar as opiniões dos amigos, colegas e familiares, aí tremem mais do que as mulheres. Elas estão mais habituadas a arriscar e lidam melhor com as críticas. Os homens, talvez por não mudarem tanto de imagem, tornam-se mais inseguros e acabam por recear a mudança”, afirma.

Enquanto stylist, um dos maiores desafios profissionais que teve, foi produzir uma concorrente do programa de televisão Peso Pesado para a capa da revista GQ, diz ao Life&Style. “Vestir uma mulher que não tinha as medidas supostamente ideais para a capa de uma revista masculina foi a primeira dificuldade. Depois tive de a encher de confiança para que tirasse fotografias semi-nua e se sentisse a mulher mais sensual à face da terra”, relembra.

É mesmo preciso um guia de estilo para ensinar as mulheres a vestirem-se? Gabriela Pinheiro responde que “é preciso para ajudar as mulheres a conhecerem o seu corpo, a encontrarem o seu estilo e a conseguirem mantê-lo no dia-a-dia”. A nível profissional, Rita Carvalho não acredita que os portugueses tenham “pior imagem do que os profissionais de outros países europeus”. “A grande diferença é o poder de compra, que no nosso caso é mais limitado”, diz, e por isso o seu livro pode ajudar.

E quais são as peças essenciais, que devem estar sempre no guarda-roupa? Rita Carvalho aconselha a aposta nos básicos “que nunca passam de moda” porque “oferecem maiores possibilidades de combinações com outras peças”.

Para o guarda-roupa profissional das mulheres, recomenda: “um vestido preto, calças pretas, blazer clássico, saia lápis, jeans escuros, camisa branca, blusa de malha fina, blusão de pele, trench coat ou um bom sobretudo, que são alguns exemplos de roupas versáteis e que se adequam tanto a um contexto mais formal como casual. No calçado, uns sapatos de salto médio preto, castanho e nude, porque se adaptam à maioria dos coordenados. Ao nível dos acessórios: cinto fino ou médio preto e castanho, mala estruturada de tom neutro, óculos de sol, relógio clássico, écharpe ou cachecol”

Para o dos homens: “fato azul, camisa branca e azul clara, calças de alfaiataria, jeans escuros, blazer clássico, blusão de pele, gabardine e sobretudo. Ao nível dos acessórios: gravata, cinto fino ou médio preto e castanho, óculos de sol, relógio clássico, carteira de bolso, pasta ou capa para o tablet, cachecol, sapatos castanhos e pretos.

Já Gabriela Pinheiro extravasa as peças para o contexto profissional e aconselha que todas as mulheres tenham uma camisa branca, blazer preto, calças de ganga, top de alças finas, trench coat, sapatos de salto alto pretos, os sapatos Oxford, ténis brancos em pele, calças pretas, t-shirt branca, sobretudo e uma boa carteira.