A apresentação da quarta colecção Yeezy, do rapper Kanye West com a Adidas, foi a mais diversa de todo o calendário de moda
A apresentação da quarta colecção Yeezy, do rapper Kanye West com a Adidas, foi a mais diversa de todo o calendário de moda DR

Análise

As passerelles estão etnicamente mais diversas, mas pouco

Pela primeira vez, mais de 25% dos modelos que desfilaram em Nova Iorque, Milão, Londres e Paris no último mês não eram caucasianos.

A diversidade étnica nas passerelles internacionais aumentou, revela o relatório bianual do site The Fashion Spot, que analisa etnias, tamanho, género ou idades dos modelos que desfilaram nas principais semanas de moda. Em relação à última estação, houve um aumento de 0,7% no que toca à escolha de modelos não-caucasianos – um valor baixo, mas é a primeira vez, na história de moda recente, que 25% dos modelos escolhidos não são caucasianos.

O relatório, baseado na análise de 299 desfiles e 8832 modelos, mostra a escolha de 10,33% de modelos negros, 7% de modelos asiáticos, 3,36% latinos, 0,40% do Médio Oriente e 4,27% de outras origens. Os modelos caucasianos continuam em maioria, com 74,65%. “Os números ainda estão longe de onde deveriam estar, mas são melhores do que os 75,3% que mostrámos no Outono de 2016 e do que os 77,6% da Primavera anterior”, escreve o The Fashion Spot.

A cidade mais diversa foi Nova Iorque, com 30,3% modelos não-caucasianos. Seguem-se Paris, com 24,1%; Londres, com 23,5% e Milão, com 20,9%. Apesar de Nova Iorque ser a mais diversa – indo ao encontro do pedido do Council of Fashion Designers of America (CFDA), responsável pela organização do evento de moda naquela cidade, que dias antes do início da Semana de Moda de Nova Iorque, lembrou aos designers a importância da diversidade racial nos desfiles – a diversidade foi menor do que nas apresentações de Outono, em Fevereiro.

A apresentação da quarta colecção Yeezy, do rapper Kanye West com a Adidas, foi a mais diversa de todo o calendário (97%). Na mesma lista está também Kimora Lee Simmons (82%), Ashish (75%) ou Brandon Maxwell (69%). No sentido inverso, na lista dos desfiles sem diversidade (0%) está Junya Watanabe, The Row ou Mila Shön.

Houve outras subidas no que toca a idade, modelos transgénero ou plus size, mas muito ligeiras:13 mulheres com mais de 50 anos pisaram as passerelles, ao invés das 11 da estação anterior; dez modelos transgénero distribuíram-se entre Nova Iorque, Paris e Milão. Só em Nova Iorque houve escolha de modelos plus size, o que representa apenas 0,18% no espectro global.

Naomi Campbell, numa entrevista ao New York Times antes do início da Semana de Moda de Nova Iorque, antevia “uma boa estação”. “Tal como ela previu, a Primavera 2017 – a estação mais diversa da história recente – foi, relativamente falado, uma boa estação. Dito isto, ainda há muito caminho a fazer. Por isso, nas palavras de Campbell, ainda “ninguém se pode calar” sobre a inclusão”, conclui o Fashion Spot.

Em Portugal não há estatísticas que comprovem a utilização de mais ou menos modelos caucasianos – embora a sua maioria nas passerelles de eventos como a ModaLisboa e o Portugal Fashion seja indiscutível. Ainda assim, em entrevista ao PÚBLICO, o designer Pedro Pedro avaliava, comparando o seu desfile de Milão com o do Porto, que a escolha de modelos está a mudar: “As manequins agora são diferentes, estamos a começar a fugir à bonequinha. As raparigas são mais individuais. Procuram-se pormenores mais particulares nas raparigas. O meu casting em Itália foi mais ou menos com esse conceito.”