Barbas e bigodes: uma questão de estilo ou desleixo?
De barba ou bigode, Nigel Farage, Tiago Brandão Rodrigues ou James Franco são algumas das personalidades que adoptaram o look.
O pêlo facial está na moda? Não podemos afirmar com toda a certeza, mas não há como negar que muitos homens – da política ao cinema – aderiram à barba e ao bigode.
A barba e o bigode continuam num ciclo de moda infinito – ora regressam em força, ora desaparecem e dão lugar a uma cara livre de pêlo. Mais que isso, ao longo dos anos, a barba e o bigode foram conferindo algum peso na identidade e personalidade do homem na sociedade.
Na Grécia Antiga, usar barbar era um símbolo de sabedoria, ou na civilização romana um exemplo de status político. Há décadas, acontecia o mesmo com o bigode que era sinónimo de honra e valentia. Hoje, tudo isto parece já ser só uma questão de moda.
Ver um político de barba (ou bigode) não é habitual, é quase como vê-los usarem uma camisa sem gravata. No Reino Unido, por exemplo, uma vaga de políticos com barba (e bigode, ainda que menos) invadiu a arena governativa. Alguns deles já se apresentam com tal visual há anos, outros arriscam e deixam crescer a barba e o bigode – será desleixo, uma chamada de atenção ou simplesmente mais uma tendência?
Nigel Farage, do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) e um dos protagonistas da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia, apareceu (e surpreendeu) com bigode no programa "Russia Today’s New Things". O Twitter explodiu com teorias sobre o novo visual de Farage, conhecido por aparecer sempre de “cara lavada”, multiplicando-se pela Internet as piadas sobre o bigode do líder demissionário do UKIP. Será um amor escondido pelo estilo dos anos 70?
Dias depois de Farage ter aparecido de bigode, foi Michael Gove, ex-ministro de Justiça britânico, que surpreendeu e subitamente deixou de ter a cara imaculadamente limpa para passar a usar uma barba curta e desgrenhada. A imprensa britânica chama-lhe “barba hipster”.
Stephen Crabb, ex-secretário de Estado do Trabalho e Pensões britânico, tem igualmente uma barba contestada, isto porque foi o primeiro membro do Partido Conservador com barba no Executivo desde 1905.
Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico, terá talvez a barba mais cobiçada. Já venceu seis vezes o prémio de Melhor Barba do Parlamento, organizado pela Beard Liberation Front.
Este é um grupo de interesse britânico que apoia as barbas e faz campanhas contra a discriminação de quem as usa. Foi fundado em 1995 pelo socialista Keith Flett que continua a promover eventos que inclui o prémio de Barba do Ano.
“A barba pode ser o início de um processo de reavaliação política, não só sobre a política em si, mas sobre a própria imagem. Assim como o Al-Gore passou por isso quando perdeu a oportunidade de se tornar presidente dos Estados Unidos e em vez disso deixou crescer a barba”, afirmou Keith Flett à plataforma Total Politics.
Por cá, temos Tiago Brandão Rodrigues, actual ministro da Educação, cuja barba mais se destaca, não tendo Portugal uma tradição de políticos barbudos ou com bigode.
Não só na classe política se observa esta tendência. Em Hollywood, muitos foram os actores que aderiram ao bigode ou à barba, quando antes mantinham a face limpa de qualquer pêlo.
James Franco é exemplo desta mudança. O actor, que actualmente está a filmar The Deuce da HBO, aderiu ao bigode, maior e mais ostensivo – acompanhado de patilhas, um look característico dos anos 1970 – que aquele que em 2015 gerou burburinho nas redes sociais.
Jake Gyllenhaal seguiu o exemplo de Franco e, depois da barba que deixou de ter, cresce-lhe agora um bigode. Bradley Cooper, pelo contrário, encontrou na barba outro conforto, não sendo a primeira vez que adopta este look.