REUTERS/Nacho Doce

Investigação

Selfies no Instagram podem criar conflitos nas relações

Novo estudo denuncia impacto negativo dos auto-retratos publicados no Instagram nas relações pessoais do utilizador.

Uma investigação da Universidade do Estado da Florida, nos Estados Unidos, descobriu que o número de selfies publicadas no Instagram pode estar directamente ligado à forma como uma pessoa se sente e pode ter um impacto negativo nas relações pessoais.

A equipa de cientistas, liderada por Jessica Ridgeway e Russel Clayton, analisou 420 contas de Instagram de utilizadores entre os 18 e os 62 anos para explorar se a satisfação com a imagem corporal é sinónimo de auto-retratos nas redes sociais e se a publicação constante destas fotografias na rede está relacionada com conflitos ou desenlaces românticos negativos. Perguntaram-lhes quantas selfies tiram por dia, como isso os fazia sentir e o estado das suas relações de amizade e românticas.

Os resultados denunciaram uma ligação directa entre a satisfação corporal e a percepção social, com o aumento dos níveis de auto-estima quando os utilizadores da rede respondem bem (com "gostos"). Quando uma fotografia não se tornasse tão popular, a satisfação reduzia.

Exemplo desta obsessão com o Instagram é a modelo australiana Essena O'Neill, de 19 anos — aos 785 mil seguidores na rede, depois de muitos "gostos", contratos com agências de modelo, designers de moda, empresas para publicidade, fechou o seu Instagram. “Descobri-me afogada na ilusão. As redes sociais não são reais”, justificou, acrescentando que o Instagram se trata de “um sistema baseado na aprovação social, do gosta e não gosta, da validação com base nas visualizações, no sucesso junto dos seguidores... é um julgamento perfeitamente orquestrado”. “E isso tem-me consumido.”

A investigação norte-americana confirma e alerta para os conflitos resultantes da necessidade de "gostos". “Estes resultados sugerem que quando os utilizadores do Instagram promovem a sua satisfação corporal através de uma selfie na rede social, o risco de discussões relacionadas com o Instagram surge”, resumem os investigadores.