Daniel Rocha

Eléctrico turístico do Chiado parou mas volta no Verão com novidades

Circuito que liga o Largo de Camões ao Príncipe Real foi suspenso. Carristur garante que a procura correspondeu às expectativas e até quer alargar o percurso.

Os eléctricos do Chiado Tram Tour, o mais recente circuito turístico da Carristur em Lisboa, voltaram a parar apenas quatro meses depois de terem voltado aos carris centenários onde antigamente circulava o eléctrico 24. A empresa alega que a oferta é "sazonal", embora não o tenha dito inicialmente, e que a suspensão deste, "bem como de outros circuitos", é "natural" nos meses de menor procura turística. E até quer alargar o percurso na próxima época.

Os eléctricos históricos, revestidos a cortiça no exterior e no interior, retomaram os carris a 28 de Maio, para viagens de 20 minutos entre o Largo de Camões e o Príncipe Real, diariamente entre as 11h e as 16h, num sistema hop-on hop-off. Os bilhetes custam seis euros para adultos e três euros para crianças dos quatro aos dez anos.

Na inauguração, que contou com a presença do director-geral da Carristur, António Proença, e do presidente da Transportes de Lisboa, Rui Loureiro, não foi comunicado aos jornalistas que o circuito seria sazonal. Mas no início de Outubro deixou de ser possível reservar bilhetes através do site www.yellowbustours.com e nas placas que sinalizam a paragem dos veículos foi colado um adesivo no qual se lê "Suspenso".

Contactada pelo PÚBLICO, a Carristur informou que "sendo especialmente destinado aos turistas", o Chiado Tram Tour "é uma oferta sazonal, pelo que a suspensão de actividade deste circuito, bem como outros circuitos, é natural nos meses de menor procura turística".

O PÚBLICO perguntou que outros circuitos são igualmente suspensos nesta época do ano, e se a suspensão estava já prevista desde o início, mas não obteve ainda resposta. A empresa não revelou também quantos passageiros foram transportados nesta linha desde a reactivação, dizendo apenas que "os resultados estão de acordo com o planeado".

Segundo a empresa, o circuito funciona anualmente entre Abril e Setembro. Neste período de suspensão, a Carristur vai "proceder à manutenção dos veículos e garantir as suas características".

A Plataforma pelo Regresso do Eléctrico 24, que há muito se bate pela reactivação da antiga carreira que ligava o Cais do Sodré a Campolide, aproveitou esta suspensão "e provável não reabertura" para sublinhar a necessidade de "ressuscitar" o eléctrico 24 "em toda a extensão da infra-estrutura existente", alargando o percurso de forma a incluir o Largo do Carmo. Além disso, defende que a circulação deverá ser feita "em regime de transporte público", uma medida  "necessária sob os pontos de vista ambiental, de mobilidade e de boas práticas internacionais". Considera ainda que a carreira 24 "será sempre lucrativa para a Carris, à semelhança do 28E".

A Carristur revela, em resposta ao PÚBLICO, que na temporada 2016 pretende "alargar o circuito ao Largo do Carmo e fazer ligação à Praça da Figueira". No entanto, quanto ao serviço público de transporte, a empresa mantém a resposta dada em Maio por Rui Loureiro, de que mesmo que o 24 volte a funcionar será só para turistas, já que "o turismo baseado em eléctricos é algo que veio para ficar".

"Os eléctricos históricos são um património único da nossa cidade que queremos e continuamos a valorizar através da oferta, da reabilitação de veículos e através promoção da experiência, como um marco diferenciador do turismo da capital", respondeu agora por escrito.