Nelson Garrido

Passadiços do Paiva vão ter mais 12 km, um bar suspenso e dois museus

O percurso serpenteante de madeira, inaugurado em Junho no concelho de Arouca,deverá crescer nos próximos anos. A nova fase do projecto inclui mais 12 quilómetros de passeio, uma nova ponte, um bar e dois núcleos museológicos complementares.

Actualmente, a travessia pedonal sobre o Paiva prolonga-se por 8,7 quilómetros na margem Oeste do rio, entre as praias fluviais do Areinho e de Espiunca. Até 2017, o trajecto deverá estender-se por mais 12 quilómetros, ao longo de dois afluentes desse curso de águas bravas: o rio de Frades e o rio Paivô (também conhecido como Paivó ou Côvelo).

A próxima fase da obra dos Passadiços do Paiva – cujas candidaturas a financiamento estão agora a ser preparadas pela autarquia de Arouca – incluirá ainda um bar suspenso, outra ponte e dois núcleos museológicos complementares. O objectivo é “levar os visitantes a ficarem mais tempo” na região, anunciou o presidente da câmara municipal à agência Lusa.

“Conseguimos concretizar a etapa inicial com menos 15% do que tínhamos previsto, gastando apenas 1,85 milhões de euros, e agora estamos ainda mais confiantes quanto ao sucesso desta nova fase, porque sabemos que o que investimos na primeira já se multiplicou várias vezes na receita que entrou no município desde a abertura dos passadiços [em Junho]", acrescentou José Artur Neves.

Além dos novos percursos – construídos maioritariamente em madeira, mas abrangendo pontualmente caminhos rurais em terra –, a autarquia prevê a criação de um bar envidraçado sob o arco da ponte de Alvarenga.

“Vai funcionar todo o ano e, apesar de estar um pouco ao lado da ponte, as pessoas vão ter a sensação de que têm o arco de pedra sobre a cabeça e a água a correr sob os pés”, antecipou José Artur Neves. “Claro que o bar vai estar construído acima da cota máxima de cheia, mas, no Inverno, quando a corrente é mais forte, os clientes vão sentir a real imponência das águas a passar.”

Outra estrutura anunciada para 2017 é uma segunda ponte pedonal, idêntica à já existente na praia do Vau, que ficará localizada a cerca de 1,5 quilómetros da praia do Areinho, em direcção a Espiunca. De acordo com o autarca, a ponte vai servir de ligação ao centro da freguesia de Alvarenga, onde vai ser criada “a Quinta-Museu da Raça Arouquesa”.

Este é um dos dois núcleos museológicos previstos para a segunda fase do projecto e tem como objectivo não só “complementar a caminhada”, como permitir que os visitantes “vejam os melhores exemplares de gado arouquês e percebam por que é que a raça é diferente ou como é que ela é tratada”. “Esse espaço só fica a uns seis ou sete minutos a pé do passadiço e também vai ter um grande parque de estacionamento, que é algo que está fazer falta nesta fase”, acrescentou José Artur Neves.

O segundo núcleo museológico será relativo à exploração de volfrâmio em Rio de Frades, onde esta actividade esteve concessionada à Alemanha até 1956. “O percurso vai prolongar-se até esse complexo mineiro para as pessoas poderem conhecer a história do local, que foi muito importante durante a II Guerra Mundial para satisfazer as necessidades de armamento dos alemães.”

De acordo com o autarca, os projectos anunciados deverão representar um investimento global na ordem dos quatro milhões de euros.