Rui Gaudêncio

Dieta

As dietas estão na moda mas não duram para sempre

Anualmente há novidades no campo das "dietas milagrosas". Descubra quais as que estão na moda.

Para manter um estilo de vida saudável, não passando só pelo exercício físico, muitas pessoas recorrem a dietas. São cada vez mais e mais diversificadas. Os objectivos são diferentes de pessoa para pessoa pelo que é necessário adaptar cada uma às suas necessidades. Segundo um estudo da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa, quase metade da população está a tentar controlar o peso.

Sílvia Pinhão, professora na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), adianta quais as dietas que têm estado mais “na moda”. Segundo a nutricionista, os regimes detox, as dietas do Paleolítico ou as que prometem resultados depois de cinco ou 31 dias de contenção alimentar, são os métodos mais procurados ultimamente.

A primeira táctica baseia-se em sumos detox com fruta e um ou dois legumes. Apesar de garantir resultados não só a nível de perda de peso mas também melhorias no estado do cabelo e da pele, ter estes sumos como base exclusiva do regime alimentar não é vista por todos como a melhor forma de perder peso. Zélia Santos, presidente da Associação Portuguesa de Dietistas (APD), considera que esta é uma dieta “desequilibrada” que promove a “carência de micronutrientes (vitaminas e sais minerais)”.

Para Zélia Santos, os sumos detox foram a grande moda, especialmente no ano passado, e está a contar que este ano surjam novos métodos que promovam o rápido emagrecimento. Apesar de ainda não ter conhecimento de nenhuma nova dieta, garante que esta é a altura do ano mais propícia para essas surgirem visto que “com os dias mais solarengos, as pessoas ficam mais motivadas para perder peso para o Verão”.

No entanto, para a presidente da APD, as pessoas que procuram os detox não são as mesmas que tentam novos regimes alimentares como é o caso da dieta do Paleolítico. Esta rejeita o consumo de leite e alimentos refinados e é adoptada especialmente por motivos de saúde e não tanto pela perda de peso. Os alimentos da natureza, como carnes magras, peixes ou frutas, são alguns dos nutrientes eleitos e, mesmo sem se mencionarem porções, representam um estilo de vida mais saudável.

Existem ainda as dietas que têm um tempo de duração estipulado. É o caso da dieta dos 21 dias, conta Zélia Santos. Trata-se de um plano alimentar em que “os grupos de alimentos que dão mais energia são retirados” mas que facilita a rápida perda de peso. Inicialmente deixam-se de fora produtos industrializados como bolachas, molhos, cereais açucarados ou hambúrgueres e valorizam-se os produtos frescos em vez dos processados. A reintrodução destes últimos nas refeições é feita de forma muito gradual e tenta-se que, ainda assim, no fim, não tenham uma presença muito significativa.

Zélia Santos dá o exemplo da dieta South Beach, que é, especialmente no início, muito severa. Os hidratos deixam de fazer parte do plano alimentar e só a partir de duas semanas de dieta é que a lactose, a frutose e os alimentos mais ricos em fibra voltam a ser permitidos.

Ainda assim, Sílvia Pinhão ressalva que as pessoas que praticam este tipo de dieta “a curto prazo até podem conseguir alcançar o peso ideal mas, com o tempo, estragam tudo”. Zélia Santos concorda e acrescenta que as dietas hipocalóricas fazem com que as pessoas apenas “decorem planos alimentares a curto prazo” mas que, apesar de existir uma rápida perda de peso inicialmente, a sustentabilidade acaba por se revelar um problema.

Apesar de não existirem dados concretos e provados no que diz respeito às faixas etárias que mais procuram este tipo de regimes, a professora da FCNAUP acredita que “todos procuram a dieta milagrosa” e a presidente da ADP julga que, “como objectivos e motivações distintas, tanto adolescentes como jovens adultos ou pessoas na idade da menopausa” procuram regimes para atingir o peso ideal.

No que diz respeito ao sexo, Zélia Santos conta que “as senhoras são as que mais aderem” mas que os homens, “quando procuram, fazem”. Apesar de não participarem tanto nestas dietas como o sexo feminino, o masculino acaba por as levar mais a sério e não desistir simplesmente para tentar outro método.

O equilíbrio acaba por ser a melhor receita para conseguir um estilo de vida saudável. Sílvia Pinhão considera que é importante variar os alimentos e ter atenção às quantidades consumidas. Para isso, dá o exemplo da banana. A professora julga que é errado pensar que este fruto não pode fazer parte das dietas, argumentando que “tudo pode ser incluído desde que de forma moderada”. Ainda assim, a nutricionista alerta que não se pode equiparar uma banana de 50g com outra de 150g, lembrando que tanto a composição nutricional dos alimentos como o seu valor energético importam.

Para que a energia consumida corresponda à energia despendida, Zélia Santos relembra a pirâmide alimentar: “Temos de ter em conta o topo da pirâmide, onde se inserem os doces, e, ao mesmo tempo, não cortar na base”, explicou a presidente da ADP, relembrando que se deve beber entre 1,5l e 2l de água por dia e que os hidratos de carbono, como o arroz e as batatas, devem ser ingeridos diariamente. Ao mesmo tempo, ressalva que “as pessoas que praticam desporto devem comer mais hidratos e as que são sedentárias devem consumir menos”.

Os hábitos alimentares dos portugueses, com ou sem dietas, não têm sido os mais saudáveis. Em Dezembro do ano passado, no relatório “Portugal – Alimentação Saudável em números 2014”, do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direcção-Geral da Saúde, revelou-se que cada português adulto tem disponíveis, por dia, em média, 3963 calorias, quase o dobro do que é aconselhável (entre as 2000 e as 2500 calorias). Sílvia Pinhão alerta para a necessidade de alterar os estilos de vida, visto que é “difícil manter os hábitos alimentares das dietas milagrosas” que não conseguem apresentam resultados definitivos e duradouros.

Texto editado por Bárbara Wong