Johannes Eisele/AFP

Relações

Sites de encontros online promovem discriminação?

O site de encontros OkCupid questionou os seus utilizadores sobre a cor da pele do companheiro que procuram.

A maioria das pessoas prefere namorar com alguém que seja da mesma raça. É o que diz o site especializado em encontros OkCupid, depois de analisar as respostas públicas de 25 mil utilizadores nos seus perfis.

Em 2009, o OkCupid já tinha publicado um post no blogue associado ao site a revelar que a raça era um factor decisivo na escolha dos utilizadores. “O racismo está vivo”, escreveram na altura, desafiando outros sites do género a divulgar os seus dados. Agora, numa análise semelhante, mostram que a tendência se mantém e o jornal britânico Guardian questiona: esta preferência faz de nós racistas?

De acordo com os novos dados do site, os homens brancos são considerados mais atraentes e têm uma maior probabilidade de obter resposta a mensagens enviadas através do OkCupid. Já os negros e asiáticos são considerados os menos sensuais e são os que menos respostas obtêm – e as que recebem são de pessoas da mesma raça. No campo das mulheres, tanto as de pele branca como as asiáticas são as mais atraentes, caindo as negras para níveis negativos, tanto de atractividade como de respostas recebidas.

“Apesar de as preferências raciais serem bastante comuns, o que me surpreendeu foi a maioria das pessoas estar disposta a responder publicamente”, diz Reihan Salam, comentador político e colunista, numa crónica publicada na revista online Slate. Para o Guardian, esta tendência de imparcialidade nas relações, também vista noutras aplicações de encontros e estudos académicos, deve-se aos estereótipos raciais negativos a que as pessoas têm acesso diariamente.

Enquanto as mulheres negras são associadas a mulheres sem educação, mulheres violentas, mães solteiras ou com excesso de peso e pouco saudáveis; as asiáticas estão ligadas ao estereótipo de uma mulher “doce e submissa”. Já os homens asiáticos são associados a sexistas ou geeky. O problema, acrescenta a publicação, é não haver suficientes representações positivas das várias raças.

“A beleza é tanto uma ideia cultural como física e o padrão é definido pela cultura dominante. É isto que vemos nestes dados”, frisou Christian Rudder, co-fundador do site, à revista New York, que deixa no ar outra questão: “Os encontros online dão liberdade às pessoas para serem mais discriminatórias? Ou este padrão está a espelhar a vida real?”.