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Os transexuais chegaram à capa da Time pela mão de Laverne Cox

Laverne Cox ficou em quinto lugar na votação online da revista Time para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo mas não figurou na lista. Na edição de Junho, faz a capa da publicação norte-americana, tornando-se a primeira transexual com esse destaque.

Ano após ano, a revista Time publica uma lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Embora haja uma votação online para os leitores, são os editores que têm a palavra final sobre quem entra na lista e quem fica de fora. Este ano, entre os vários nomes que estavam disponíveis para votação, estava o da actriz norte-americana Laverne Cox, mais conhecida pelo seu papel na série Orange Is The New Black. Mas quando a votação fechou, a actriz ficou fora da lista, o que gerou protestos dos fãs e uma onda de críticas à revista nas redes sociais.

Como forma de compensar a actriz ou não, a Time pôs Laverne na sua capa de Junho, numa edição que se torna histórica não só para a própria história da revista mas também para o movimento LGBT, uma vez que é a primeira edição com uma transexual na capa.

 

Para a Time, a questão da transexualidade é a próxima fronteira dos direitos civis nos Estados Unidos, um avanço para o país, depois da discussão de questões raciais nos anos 1950 e do debate sobre os direitos dos homossexuais nos últimos anos. Laverne Cox explicou à publicação que o objectivo é mesmo esse, fazer as pessoas falar e alterar as condições de vida em que muitos transexuais vivem, pois “visibilidade traz consciencialização”.

Assim como a actriz, muitos têm sido os elementos da comunidade transexual a querer fomentar a discusão e a mudar a sociedade daquele país, formada por sectores muito conservadores. A Time faz ainda referência a Cassidy Lynn Campbell, a primeira transexual a ser eleita como rainha do baile de finalistas num liceu da Califórnia.

Na entrevista à Time, Laverne Cox falou da sua infância no estado do Alabama e das mudanças que têm vindo a ocorrer dentro das comunidades transgénero, tanto a nível de visibilidade como de aceitação. Para a actriz, “não existe apenas uma história, uma experiência, de como uma pessoa transgénero nasce”, explicou, acrescentando que “se alguém precisa de expressar o seu sexo de maneira diferente, está tudo bem, esse alguém não deveria ser negado assistência médica por isso, assim como não deveria ser vítima de bullying. Eles não merecem ser vítimas de violência, e é isso que as pessoas deviam entender”.

No Twitter oficial, Laverne Cox agradeceu à revista, escrevendo: “Que presente de aniversário tão bom! Isto é muito maior do que eu, é para toda a comunidade transgénero”, realçando que nos dias de hoje já não é aceitável os transexuais serem “estigmatizados, ridicularizados, criminalizados ou desconsiderados”.

A revista chegará às bancas no próximo dia 9.

Texto editado por Bárbara Wong