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Estudo

Pense duas vezes antes de enfaixar o seu bebé

Enfaixar (swaddling, em inglês) um bebé é uma prática antiga que caiu em desuso no século XVII. Contudo, voltou a estar na moda e trouxe consigo cada vez mais estudos sobre as consequências para a saúde do bebé. O mais recente associa esta prática a futuros problemas de anca.

Envolver os bebés em panos ou lençóis, de forma apertada, para que os seus membros não se mexam é um comportamento bem conhecido de qualquer casal com recém-nascidos com dificuldade em dormir. Esta prática acalma-os e ajuda-os a descansar melhor. E aos pais também. Mas médicos especialistas em ortopedia evidenciam o facto de que o swaddling pode levar a futuras anomalias no desenvolvimento da anca.

O professor Nicholas Clarke, do hospital da Universidade de Southampton, declarou no jornal Archives of Disease in Childhood que um em cada cinco bebés nasce com uma anomalia de anca. E se a mesma é resolvida com a idade, a prática de swaddling prejudica o processo de cura. “Uma alta incidência de deslocações de anca foi reportada nos índios Navajo que amarravam os seus bebés a uma tábua”, escreveu Clarke. “No Japão, um programa educacional dirigido a avós foi realizado para prevenir o swaddling tradicional”, exemplica, antes de referir a redução drástica de problemas na anca que daí adveio.

Clarke revelou ainda que nove em cada dez bebés nos EUA são submetidos a esta prática nos primeiros seis meses de vida. E que a venda de roupa para realizar o enfaixamento cresceu 61% entre 2010 e 2011 no Reino Unido. Perante esta realidade, o investigador alerta: “A fim de permitir o desenvolvimento saudável da anca, as pernas devem ser capazes de se dobrar para cima e para fora sobre as ancas. Esta mobilidade permite o desenvolvimento natural das articulações”.

Outros especialistas, como Andreas Roposch, cirurgião ortopédico assistente no hospital Great Ormond Street (em Londres), são da opinião de que o “swaddling não devia ser uma prática aplicada porque não traz nenhum benefício de saúde mas sim, riscos de consequências adversas”. E Alastair Sutcliffe, do Institute of Child Health, centro de investigação em saúde da criança no Reino Unido, fala da relação directa entre esta prática e problemas de anca. Sutcliffe deixa por isso um conselho aos pais: “Se um bebé precisa de ser enfaixado para dormir, recomendo que os pais o façam de uma forma não apertada, especialmente à volta das ancas”. Jane Munro, do Royal College of Midwives, uma organização profissional de parteira no Reino Unido, contribui para este estudo afirmando que existe ainda o risco de o bebé sofrer um sobreaquecimento e uma elevação do risco de morte súbita.