Família
Estudo indica que casais gay são menos stressados a cuidar dos filhos
Autor sustenta que estas famílias são mais calmas na educação dos filhos e têm mais apoios quando é necessária uma ajuda.
O estudo ainda não está concluído, mas os resultados preliminares indicam que as mães e os pais não- heterossexuais apresentam níveis significativamente mais baixos de stress parental do que os seus congéneres heterossexuais e, além disso, têm mais apoio da família e amigos quando é necessária uma ajuda.
O estudo ainda não está concluído, mas os resultados preliminares indicam que as mães e os pais não-heterossexuais apresentam níveis significativamente mais baixos de stress parental do que os seus congéneres heterossexuais e, além disso, têm mais apoio da família e amigos quando é necessária uma ajuda.
Jorge Gato, investigador do Centro de Psicologia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (UP), comparou 20 famílias homoparentais com 20 famílias heteroparentais, mães e pais com uma média de idades de 39 anos e com dois filhos em cada agregado - grupos de famílias semelhantes entre si, excepto na orientação sexual. As dificuldades na educação dos filhos e o apoio da rede social foram duas das variáveis analisadas.
Os primeiros dados revelam que as famílias homoparentais são mais calmas na educação dos filhos. A ajuda de quem está próximo poderá ser uma explicação. "São resultados que convergem com os encontrados noutros países e muito interessantes, na medida em que mostram que as mães e os pais não-heterossexuais não revelam dificuldades na educação dos seus filhos e estão bem inseridos do ponto de vista social", refere o investigador.
Este estudo dá continuidade à tese de doutoramento, a primeira sobre homoparentalidade em Portugal, defendida em Novembro do ano passado na UP. Gato inquiriu 1288 alunos, 85% do sexo feminino, de 12 universidades do país que, em 2010, frequentavam o penúltimo e último anos de cursos que abordam a promoção do bem-estar de crianças, jovens e suas famílias - Psicologia, Serviço Social, Educação Social, Sociologia, Medicina, Enfermagem, Ensino Básico, Educação de Infância e Direito.
"O receio de que uma criança adoptada por um casal do mesmo sexo venha a apresentar um desenvolvimento psicossexual "não-normativo" foi visível na população inquirida, particularmente por parte dos estudantes do sexo masculino", revela. "Verificámos também que, numa situação hipotética, os futuros intervenientes da rede social inquiridos atribuem, com maior probabilidade, a custódia de uma criança a uma família heteroparental do que a uma família homoparental", adianta o autor da tese Homoparentalidades num Contexto Heteronormativo. Um posicionamento que, para o investigador, tem implicações sociais.
"A expectativa de discriminação deve constituir-se como um estímulo para a sua erradicação e não como um factor de dupla discriminação de potenciais mães lésbicas e pais gay. Isto é, a responsabilidade da discriminação é da sociedade, não devendo nunca ser imputada às famílias homoparentais", refere.
Informação precisa-se
Gato constatou que havia uma maior preocupação com a aquisição de comportamentos tradicionalmente masculinos por parte de um rapaz educado por duas mães. O que, sustenta, "salienta a sobrevalorização e a maior preocupação com a construção da masculinidade dos meninos do que com a construção da feminilidade nas meninas". Um rapaz que brinca com bonecas preocupa mais do que uma menina que joga futebol.
O investigador concluiu, por outro lado, que os alunos estavam pouco informados sobre estas matérias: 54% dos inquiridos não tiveram contacto com informações sobre homossexualidade e homoparentalidade e 38% tiveram-no no âmbito estrito de uma única unidade curricular. Para Jorge Gato, estes números devem ter uma leitura, no sentido de uma efectiva transmissão de informação cientificamente validada e de uma consciencialização acerca das atitudes relativamente a estas questões.
Em Portugal, os estudos científicos sobre o assunto são escassos. Para o seu trabalho de doutoramento, Gato reviu literatura internacional que lhe permite afirmar que há estudos científicos que defendem que uma boa família não é obrigatoriamente constituída por uma mãe e um pai.
"As famílias homoparentais são mais flexíveis em termos do papel de género. Os rapazes não são tão rígidos na sua masculinidade e as raparigas não são tão rígidas na sua feminilidade. Há uma maior flexibilidade nos papéis de género", afirma. "Existem algumas diferenças. Mas por que não deveriam existir?"