Jacqueline, uma modelo XXL, a representar a figura da "esposa" na mais recente campanha da Ashley Madison
Jacqueline, uma modelo XXL, a representar a figura da "esposa" na mais recente campanha da Ashley Madison

Plataforma para sexo fora do casamento

Modelo XXL em campanha de encontros extra-conjugais

O site Ashley Madison lançou uma campanha publicitária poémica cuja protagonista é uma modelo com excesso de peso. Com o slogan "A vida é curta. Tenha um caso.", esta não é a primeira vez que a empresa recorre a modelos obesas para ilustrar as desvantagens de um compromisso monogâmico.

Uma modelo obesa exibe uma pose provocante em roupa interior vermelha e preta no último anúncio da Ashley Madison, uma plataforma online que, desde 2001, proporciona encontros extra-conjugais a mais de 11 milhões de membros anónimos. A campanha apareceu na edição nova-iorquina do jornal Metro, a 1 de Novembro. A pergunta que acompanha a imagem veio por ocasião do Halloween - "A sua mulher assustou-o na noite passada?".

O tom da mensagem não é inédito. Já em campanhas anteriores a Ashley Madison recorre a uma caracterização fisicamente desfavorável das esposas para aliciar os maridos a embarcarem numa "aventura". Segundo a empresa, que adoptou o slogan "Life is short. Have an affair" ("A vida é curta. Tenha um caso", em português), a opção de trair (com a garantia de confidencialidade) pode muito bem ser a tábua de salvação para muitos casamentos.

"Eu tento sempre fazer anúncios baseados em situações da vida real. Para muitas pessoas, os parceiros são menos atraentes por não cuidarem dos seus corpos", afirmou o CEO da Ashley Madison, Noel Biderman, à ABC News. Segundo o presidente e fundador da empresa que promove a infidelidade, manter um casamento sem sexo é possível, basta que essa necessidade seja colmatada de outra forma, nomeadamente através de um caso extra-conjugal.

Jacqueline, a modelo XXL que figura no polémico anúncio, veio dias depois reagir à utilização da sua imagem. "Estou estupefacta com o facto de a minha imagem ter sido usada como publicidade a duas coisas às quais me oponho completamente: traição e humilhação com base na aparência", afirmou ao site Jezebel.

Segundo Jacqueline, que tem o seu próprio site de pornografia, as fotografias foram tiradas por um amigo, há alguns anos atrás, e foi sem o seu conhecimento que as imagens foram cedidas para a campanha da empresa.

Este foi o segundo anúncio da Ashley Madison a utilizar a fotografia de Jacqueline com um tom discriminatório. Noutro anúncio pode ver-se uma modelo de corpo escultural por cima da imagem da modelo com excesso de peso. As duas aparecem como opções. Na primeira o sinal é um "V" de aprovada a verde, na segunda um "X" de rejeição marcada a vermelho. Mais uma vez, o slogan acompanhou as imagens - "Nós chamamos as coisas tal como as vemos".

A campanha tem vindo a avivar o debate acerca de discriminação com base na imagem e no excesso de peso em particular. Os proveitos financeiros que a Ashley Madison retira desta e de outras polémicas que a rodeiam são óbvios, na opinião de Peggy Howell, da National Association for the Advancement of Fat Acceptance, nos Estados Unidos. A representante classifica, em declarações à ABC News, a discriminação como algo "extremamente penetrante" e o discurso publicitário da Ashley Madison não vem ajudar.

Na televisão, a empresa acumula já uma série de anúncios que acabaram por ser banidos. Foi em 2010 que a Ashley Madison decidiu adoptar a imagem de uma "mulher gorda e feia" como protótipo de esposa e assim construir um dos argumentos da sua publicidade.