Esta não é "mais" uma biografia dos Beatles: é "a" biografia dos Beatles

O primeiro volume de All These Years (900 páginas!) termina em 1962, quando os Beatles terminam a sua segunda épica temporada de concertos em Hamburgo

Pois, mais uma biografia dos Beatles. Precisará o mundo de um nova biografia dos Beatles, a banda sobre a qual mais se escreveu desde o início dos tempos, ou seja, desde 5 de Outubro de 1962, o dia em que Love me do foi editado? A resposta óbvia, percorrendo mentalmente todas as obras dedicadas à banda que ainda não lemos, será "não, não precisamos", seguida de "por favor, parem". Mas isso era antes de chegar All These Years, a obra que ocupou os últimos dez anos de vida de Mark Lewisohn, considerado um dos maiores especialistas em todos os assuntos Fab Four, autor deThe Beatles Live! ou de The Complete Beatles Recording Sessions: The Official Story of The Abbey Road Years.

All These Years é um trabalho épico. Basta dizer que o volume editado há uma semana em Inglaterra pela Little, Brown (All These Years: Volume One: Tune In) é o primeiro de três e contabiliza, na edição económica (30 libras, 35,3€), 900 páginas. Nove centenas de páginas que, preparem-se, terminam em 1962, quando os Beatles, ainda perfeitos desconhecidos, abandonam a segunda temporada de concertos em Hamburgo - haverá também, em Novembro, uma edição "de autor" mais completa, com mais páginas, mais depoimentos, mais fotografias inéditas, tudo por 120 libras (141€).

A Mojo considera All These Years uma "obra sem precedentes" nos anais da biografia pop e no Guardian escreve-se que, a partir de agora, não valerá a pena insistir mais. A história estará toda, mas mesmo toda, aqui. Conhecem-se em profundidade as raízes familiares e as redondezas de cada um dos Fab Four e dos Beatles que ficaram pelo caminho (o baterista Pete Best e o baixista Stuart Sutcliffe). Desmentem-se alguns mitos, como o do fascínio imediato de George Martin pelo carisma da banda (foi emparelhado com ela como castigo pelo caso com uma secretária, que se tornaria a sua segunda mulher), acompanha-se a história com inaudito detalhe (depois de 612 concertos de hora e meia ao longo de 27 semanas em Hamburgo, os Beatles eram, diz Lewisohn, a banda mais rodada em palco em todo o mundo) e desvendam-se verdades incómodas: Stuart Sutcliffe escreveu numa carta em Hamburgo que Paul McCartney se tornara a ovelha negra do grupo, detestado por todos.

O primeiro volume está aí e, como se percebe, parece condenado a tornar-se peça obrigatória na historiografia dos Beatles. Enquanto isso, Mark Lewisohn já está no terreno a preparar o segundo. Tem 55 anos. Prevê terminar a trilogia quando já for septuagenário.