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O novo Kindle Oasis é caro mas é levezinho e jeitoso, e dá para segurar 500 livros enormes como se fossem um cartão de aniversário

As pessoas que nunca experimentaram um Kindle acham erradamente que estão a ser convidadas a deixar de ler livros de papel. Um Kindle nunca substituirá os livros em papel porque não oferece a mesma experiência. Um livro de papel pode guardar-se numa estante, é fácil de anotar e de consultar, tem ilustrações que se podem ver como deve ser e, quando é bem encadernado, dá prazer segurar e ler.

Um Kindle é um acessório de leitura. É bom para ler revistas e livros que não se querem guardar e ter à mão. É bom para poupar naquele papel que não se quer ter em casa. É também ideal para pessoas que gostam de ler vários livros ao mesmo tempo. Mesmo o Kindle mais pesado é mais levezinho do que um livro normal e pode conter centenas de livros.

Nas férias do ano passado levei, num Kindle, todos os Maigrets de Simenon e todo o À la recherche du temps perdu de Proust, juntamente com outros livros franceses que me apetecia ler. A vantagem é ter, como dicionário principal, de consulta instantânea, um bom e completo dicionário de língua francesa. Basta tocar na palavra que se quer elucidar e lá aparecem as definições.

Noutro Kindle tinha os livros de língua inglesa, ligado ao dicionário inglês. Claro que é possível mudar de dicionário a meio de uma leitura mas leva um minuto e tal e é uma chatice, interrompendo a concentração.

Há fundamentalmente quatro Kindles. O mais básico e barato não tem touchscreen: funciona por botões físicos. Consegue comprar-se em segunda mão por cerca de 50 euros. Continuam a ser bons para ler.

Precisam de luz externa, tal como um livro de papel, mas — por isso mesmo — são ideais para sessões longas.

O Kindle que eu mais usei na vida foi o Paperwhite, que custa à volta de 130 euros. Tem touchscreen e luz própria (lê-se bem na escuridão, sem magoar os olhos) e aguenta-se muito bem. Como todos os Kindles, só precisa de carregar a bateria de duas em duas semanas. A definição da letra é melhor do que no Kindle básico e é tão boa como nos modelos mais caros, o Voyage e o Oasis.

Não conheço o Kindle Voyage. Custa cerca de 200 euros e tem duas vantagens sobre o Paperwhite: é mais leve e, caso não queira tocar no écran, pode usar um botão físico. No Paperwhite há circunstâncias em que é chato tocar no écran: quando se está a comer ou quando se tem água ou protector solar nos dedos.

O Kindle Oasis custa mais de 350 euros. Mas vale. Lê-se nas críticas que estão online que é muito caro. Mas o ponto de vista é de quem compara Kindles com iPads. São coisas inteiramente diferentes. Não se consegue ler horas a fio num iPad. Não dá jeito nenhum andar na web num Kindle. Comprar um Kindle Fire, só por ser barato, é uma má solução porque não é uma coisa nem outra.

O Oasis é o Kindle revisto à luz de todas as lições obtidas das versões anteriores. É muito mais leve e pequeno, embora a área de leitura seja a mesma. É um quadrado jeitosíssimo. É jeitoso porque tanto dá para canhotos como destros. Basta virar o Kindle para os dois botões passarem da esquerda para a direita ou vice-versa.

Um botão é para avançar para a página seguinte, outra para voltar à anterior. Se prefere mudar a posição dos dois botões, óptimo, leva dois segundos. É uma maravilha.

Lê-se muito melhor sem a capa. A capa, que é de cabedal, tem uma segunda bateria. Vale pelo menos 100 euros, embora fosse estritamente desnecessária. Há quem esteja a torcer pelo lançamento de um Oasis sem capa que custasse 250 euros. Nesse caso seria irresistível.

Tal como é, o Oasis é perfeito. Não se imagina um melhoramento. Poupa a mão que o segura não só por ser leve mas por ter sido concebido ergonomicamente: o peso do dispositivo é sentido onde se tem mais força.

Finalmente, há um Kindle que se esquece completamente, permitindo uma distracção total. É esse o maior luxo que pode oferecer um e-reader: passar ainda mais despercebido do que o mais leve e maneirinho dos paperbacks. Aleluia!