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Serão uma ou duas as novidades em dois whiskies Jameson que apareceram este ano? Tomara que seja só uma

O meu whiskey irlandês favorito é o Jameson. O Jameson Irish Whiskey — o normal, o mais barato, o mais vendido — tem melhorado ao longo dos últimos anos, graças à esperteza do equilíbrio e à presença cada vez mais nítida de pot still whiskey.

whisky de malte escocês também é feito em pot stills (alambiques) mas a diferença do irlandês é incluir cevada crua, juntamente com a germinada. Esta cevada crua é mais difícil de destilar mas dá um sabor especial — apimentado e seco — ao whiskey.

Antigamente, todo o whiskey irlandês era 100% pot still whiskey, assim como todo o whisky escocês era 100% de malte. Com a invenção escocesa dos blends — maneiras económicas mas saborosas de casar whiskies de malte com destilados feitos de outros cereais — mudou tudo.

Este ano a Jameson está a fazer grandes experiências com os whiskies. A primeira a chegar às nossas lojas é a Jameson Caskmates. Não se pode entrar num pub inglês sem ver pints de stout (geralmente Guinness) a rodear um ou outro copo de whiskey. Eu cá gosto tanto da cerveja como do whiskey mas a maioria gosta apenas da cerveja e, embora haja outras marcas boas, ela tende a ser a maravilhosa Guinness que é, de facto, melhor na Irlanda do que no resto do mundo. Na Irlanda, porém, não é verdade que a Guinness seja melhor em Dublin do que no resto da república irlandesa. É igualmente deliciosa, provavelmente por vir toda do mesmo sítio.

whiskey é cerveja destilada — mais ou menos — e por isso faz sentido tentar aproximá-las. O que fizeram foi fazer o envelhecimento final de whiskey Jameson em cascos que tinham servido para guardar cerveja stout da Cork’s Franciscan Well Brewery. 

Custa mais uma mão-cheia de euros, o que é barato considerando a delicadeza e as dificuldades de produção. No entanto, apesar dos elogios que tem recebido, tenho de dizer que achei uma experiência falhada

Talvez um bebedor de cerveja stout, pouco amigo do whiskey, tenha uma opinião inteiramente contrária. O Jameson Caskmates, milagrosamente, não sabe a cerveja stout. É inequivocamente um whiskey e um whiskey Jameson. Mas é ligeiramente adocicado e achocolatado. Perde-se um pouco do sabor apimentado que é um dos grandes prazeres do Jameson.

Dito isto, é um whiskey curioso que, depois do choque inicial, mostra-se muito interessante. Foi uma coragem que valeu a pena. Mas é inevitável que, quando se volta ao Jameson normal, se seja obrigado a concluir que, em última análise, foi um desperdício de bom whiskey Jameson. A última palavra ficará para aquelas pessoas — não muito raras — que gostam de beber, ao mesmo tempo e sempre com grande vagar, um copo de Guinness e um copinho de Jameson. Não é só nos contos de William Trevor que se encontram estes especialistas.

Entretanto mudaram a garrafa e o grafismo do excelentíssimo Jameson Select Reserve Black Barrel. Mas terá sido só isso que mudou? Tenho vindo a comparar o antigo Select Reserve Black Barrel da garrafa verde (que já é dificílimo de encontrar em Portugal) com o novo Black Barrel (que já não menciona Select Reserve) na garrafa transparente.

O novo Black Barrel é delicioso mas parece-me um pouco mais abaunilhado, torrado e — lá está — adocicado do que o antigo Black Barrel. Será que estão a torrar mais os cascos de Bourbon? 

O antigo Select Reserve era envelhecido em cascos de Wild Turkey (o bourbon com mais personalidade, quanto a mim) mas não sei se eram tão fortemente torrados por dentro. O antigo parece-me mais fresco, mais apimentado e mais presente. 

O novo parece-me ter mais sabor a madeira e a bourbon. Mas continua a ser uma delícia de whiskey, por um preço incrível atendendo à qualidade: cerca de 30 euros.

A diferença é tão pequena que até pode ser — tenho de ser sincero — que não haja diferença. Se calhar deixei-me levar pelas diferenças das garrafas e dos textos de apresentação. Mas lá que deixa uma dúvida ou duas, deixa...