Marcelo Del Pozo/REUTERS

Mesmo aqui ao nosso lado, a preços loucos de tão baixos, temos os melhores vinhos aperitivos e petisqueiros para o nosso Verão, mas...

Graças ao Corte Inglés chegam cá os melhores presuntos e as melhores azeitonas e as melhores anchovas do mundo: as espanholas. 

No excelente restaurante 5 Jotas no Corte Inglés de Lisboa pode-se comer presunto bem cortado e belas azeitonas manzanillas. Mas quando se pede uma copita de manzanilla para acompanhar...não há. Têm um fino Osborne do Puerto de Santa Maria mas a garrafa está aberta há algum tempo...

No excelente supermercado do ECI encontrará sempre o magnífico fino Tio Pepe, por 9,75 (euros). É preferível ao bastante delicioso Elegante Dry Fino da González Byass, que custa apenas 7,45.

Mas só com muita sorte é que encontra uma boa Manzanilla. A Duque, engarrafada pela Sanchez Romate para ECI, custa apenas 4,45 mas é um pouco agreste. A Manzanilla Solear, da Barbadillo, é boa e tem um preço atraente (6,55) mas falta-lhe frescura. Custa quase o dobro da irmã mais nova - a Muy Fina - mas não se justifica a diferença. 

A culpa, fatalmente, é de nós portugueses. O ECI fez muitas heróicas tentativas. Não sei porquê mas não gostamos dos Xerezes finos ou das Manzanillas. São dois dos melhores vinhos aperitivos do mundo, a preços absurdos, mas não lhes ligamos nenhuma.

Basta ir a Sevilha, a Jerez de la Frontera ou a Sanlucar de Barrameda para ver o que é o quer os andaluzes e demais espanhóis bebem com as tapas. Bebem tantas Manzanillas e finos como bebem cervejas. Durante as ferias, para não subir tanto à cabeça, bebem rebujitos, que são manzanillas ou finos com 7-Up, Sprite ou gasosa La Casera, com muito gelo para diluir ainda mais. São a melhor bebida para os dias de calor, levando às vezes umas folhas de hortelã.

Em Portugal, com o nosso clima e o nosso amor pelo presunto e pelos mariscos, é incrível que não se beba Manzanillas e finos a torto e a direito. Há-de chegar o dia.

Quando se encontra um bar ou restaurante que tem uma garrafa de Tio Pepe ela já está aberta há uns dias, na melhor das hipóteses. Os finos e as Manzanillas estragam-se num instantinho: cada garrafa deve ser bebida imediatamente. Por isso é que se vendem meias-garrafas a preços quase correspondentes. Aqui há uns anos, não sei se ainda é assim, a Manzanilla mais vendida (a La Guita) vendia garrafinhas de 2 decilitros.

As Manzanillas e os finos têm de ser recém-engarrafados, bebidos muito frios e consumidos de uma assentada. As garrafas, mal abertas, começam logo a oxidar. 

Estão na moda as Manzanillas em rama (tiradas directamente das pipas) mas mesmo a Manzanilla mais na berra (a Bota 55 da Equipa Navazos) custa apenas 19,90 na Vilaviniteca (que aceita PayPal e cobra cerca de 10 euros de portes por 12 garrafas).

As Manzanillas mais jovens são as mais frescas e deliciosas. A Corte Inglés espanhola (elcorteingles.es) é mais generosa ainda nos portes. Cobra 5,90 até 10 unidades e 7,90 de 11 a 35 unidades.

Façamos uma compra imaginária, com os preços do ECI espanhol, para exemplificar. Comecemos com um surpreendentemente sequinho e bebível Cobos, fino de Montilla, feito com a uva Pedro Ximenez. Uma box com 3 litros custa, espantosamente, 9,71 .Uma garrafa de 75 cls custa 2,74. 

A Manzanilla Muy Fina da Barbadillo é gloriosamente jovem e apetitosa: uma garrafa de 75 cls custa...2,88 . É oferecida. Melhores ainda são La Gitana (5,16) e La Guita (5). São as minhas três preferidas.

O fino que nunca falha é o Tio Pepe. Uma garrafa custa apenas 5,75 mas é mais inteligente investir nas meias-garrafas, por 3,53 cada uma.

Se comprarmos 6 meias de Tio Pepe (21,18), 2 boxes de Cobos (19,22), 4 garrafas de Barbadillo Muy Fina (10,96), 4 de La Guita (20)e 2 de La Gitana (10,32) o total dá 89,58 euros, incluindo os 7,90 de portes. São 21,75 litros (29 garrafas de 0,75) de soberbos vinhos aperitivos e acompanhantes por uma média de 3,10 euros por cada garrafa inteira.

Se isto não é uma pechincha das mais desvairadas e apetitosas que há então vou ali (à Andaluzia) e já venho.