DR

Olha que bom, uma Confeitaria Nacional mesmo ali à entrada do Terminal 2 do Aeroporto de Lisboa

Os aeroportos costumam ser lugares infernais para quem queira comer qualquer coisa. Foi por isso com grande prazer que encontrámos uma filial da excelentíssima Confeitaria Nacional no Terminal 2.

Antes de falar da Confeitaria tenho de dar os parabéns à ANA (Aeroportos de Portugal) por ter transformado o tristíssimo terminal dos vôos domésticos num lugar aprazível e moderno, onde até se tem direito a um duty free de tamanho e qualidade consideráveis. Numa viagem recente para o Porto pudemos comprar umas colónias e uns whiskies a preços muito atraentes, tal e qual se fôssemos para o estrangeiro. A loja, gerida pela LFP-Lojas Francas de Portugal (uma entre as 25 a cargo da empresa), não tem nada de segunda classe: é apenas mais pequena que as irmãs internacionais, mas contendo uma selecção impressionante de mercadorias, com preços de amigo.

O único senão é cada garrafa ter de levar uma etiqueta holográfica especial que dá muito trabalho a obter e colar. Tem de haver uma maneira mais fácil. Porque é que cada caixa não pode ter um rolo desses autocolantes à mão? Parece que se o whisky vai além dos 40 graus ainda é mais complicado. Os empregados, bem dispostos e solidários, sorriem e dão-nos razão — mas não deixa de ser uma estucha. Se estou a comprar uma bebida alcóolica em Lisboa para levar para o Porto, por que é que dá vinte vezes a trabalheira que dá se eu comprar em Londres para trazer para cá, que é nenhuma? Vinte vezes zero é zero, bem sei, mas o esforço acrescido é verdadeiro.

Viajámos pela primeira vez na Ryanair — o nosso baptismo de fogo nas linhas aéreas low cost — e, tendo-nos dito cobras e lagartos da dita, estávamos preparados para o pior. Qual quê: saíram-se lindamente. Os assistentes de bordo eram eficientes, simpáticos e profissionalíssimos. Ficámos muito bem impressionados. Comprámos dois cafés (holandês, com um sabor fresco e bom) e atacámos as belas sanduíches que tínhamos trazido da Confeitaria Nacional.

A única coisa má é bastante má: para chegar ao avião tem de se entrar num autocarro que parece dar quatro voltas ao aeroporto para encontrá-lo. No Porto, no aeroporto Sá Carneiro, já não é assim: é o melhor aeroporto de todos e está cada vez melhor.

Foi a primeira vez que me rendi às comidas e bebidas de aeroporto e de avião. Prefiro sempre levar um farnel de bons queijos e boas carnes frias, um bom pão e, quando ainda se podia, uma boa garrafa de vinho.

Como o vôo era tão curto — e muito agradável, subindo ao longo da costa portuguesa, vendo-se sempre a linha do mar e as paisagens litorais — não tínhamos trazido víveres de qualquer espécie.

Mas a visão da Confeitaria Nacional, numa versão bem cuidada da casa-mãe entre a Praça da Figueira e o Rossio, mesmo ali à entrada do Terminal 2, foi uma tentação irresistível.

Estão sempre a renovar as deliciosas sanduíches (eu comi uma de mozarella e tomate), ao ponto de valer a pena esperar pela próxima remessa). Bebemos dois galões perfeitos — nem na Confeitaria Nacional da Baixa se pode beber um melhor. O serviço era rápido, atento e compreensivo, tal e qual o padrão da casa-mãe.

Para quem quiser ir bem apetrechado para um vôo internacional — e tiver um tempinho — basta ir ao Terminal 2 abastecer-se à Confeitaria e, devidamente carregado com os petiscos escolhidos, apanhar o autocarro gratuito para o Terminal 1. Não conheço toda a oferta de restaurantes do Terminal 1 mas custa-me acreditar que algum deles tenha a qualidade (e os preços razoáveis) da Confeitaria Nacional.

Quem diria? Aqui há uns anos, quem poderia prever que houvesse um posto avançado de uma das melhores pastelarias de Lisboa no terminal dos vôos domésticos do aeroporto de Lisboa?

Terá sido a Confeitaria Arcádia, espalhando-se elegante e inteligentemente por Portugal fora, a dar o exemplo? Creio que sim. De que estão à espera as outras boas pastelarias do Porto, Braga, Coimbra e Lisboa para abrirem sucursais nos nossos aeroportos e oferecerem alternativas familiares e de boa qualidade às pseudocomidas internacionais que por lá grassam?

Força e muito obrigados!