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Finalmente um grande, grande hotel em Londres que não custa uma fortuna: o Cavendish

O Cavendish é um hotel de quatro estrelas com um serviço de hotel de luxo. Não poderia estar mais bem localizado, mesmo à frente do Fortnum and Mason, a fabulosa mercearia onde pode comprar os melhores petiscos de Londres para ir comer no seu quarto, com a simpática cumplicidade do pessoal.

Quando lá estive pagámos 200 libras (240 euros) por noite sem pequeno-almoço mas a qualidade do quarto e do serviço valiam 500 libras ou mais. O pessoal é tão eficiente e bem disposto que ao quarto dia tive de lhes perguntar se eram accionistas do hotel, à maneira do que acontece com os formidáveis armazéns John Lewis. Inacreditavelmente não eram. Mas portam-se como se fossem.

Não recebi tratamento especial nem descontos de qualquer tipo, pelo que a nossa experiência foi aquela que qualquer visita terá se lá for.

No site do The Cavendish vejo que estão a oferecer, de 13 de Abril a

27 de Abril, quartos por 179 libras (214 euros) por noite, incluindo o pequeno-almoço, que é maravilhosamente opulento e vale pelo menos 20 libras (24 euros). É servido no delicioso restaurante Petrichor.

Se conseguir o quarto sem pequeno-almoço por um preço melhor basta atravessar a rua para ir tomar o melhor pequeno-almoço de Londres, no restaurante The Fountain, que pertence ao Fortnum and Mason.

Como o hotel é alto, pode pedir um quarto num dos andares superiores, onde o silêncio está garantido. O wifi, que já foi pago, é não só gratuito como muito eficaz. Caso queira usar um dos últimos iMacs, basta lá sentar-se o tempo que quiser. Nem sequer paga a impressão a cores: todos os dias imprimia lá o PÚBLICO, claro.

A atitude do hotel no que toca a trazer bebidas e comidas de fora é absolutamente liberal. Até vão comprar aquilo que pedir e levam-lhe ao quarto, sem cobrarem nada por isso.

Cada quarto tem uma chaleira com chávenas, chá e café de graça. Quando precisar de leite fresco, basta pedir ao room service que vão lá levar, mais uma vez sem cobrar nada.

O room service é simpático, delicioso e elegante. Mesmo que se peça apenas uma sanduíche club ela vem servida num grande tabuleiro cheio de mimos, com batatas fritas caseiras, saladas fresquinhas, óptima mostarda e bons molhos.

O chef do restaurante Petrichor, Nitin Padwal, é sofisticado e generoso. Não há meias-medidas no Cavendish: mesmo os queijos (comprados no Paxton and Whitfield, o melhor queijeiro de Londres, mesmo ali ao lado) vêm servidos numa bonita pedra de asfalto, com bolachas da Paxton and Whitfield e acompanhamentos inspirados. Sai tudo do Petrichor: não há uma copa de segunda para os pedidos pequenos, como é infelizmente costume mesmo nos melhores hotéis.

Richard Jenkins é o concierge principal mas, lá está, age com a simplicidade e a boa disposição de quem começou a trabalhar ontem. Os colegas e as colegas dele, oriundos de todo o mundo (incluindo Portugal, muito bem representado) não só sabem o que fazem como são dotados de um maravilhoso sentido de humor. Passada umas horas no Cavendish já nos sentimos nas nossas sete quintas.

O Cavendish é um hotel onde se está bem. Isto é, apetece lá ficar. É este o sinal dum bom hotel. Um mau hotel é aquele que só serve para lá dormir, de onde se sai, aliviado, logo de manhãzinha.

Como está rodeado de museus, galerias, bibliotecas, livrarias e lojas interessantes, os concierges do Cavendish são peritos em recomendações. Conseguem marcar mesas que doutra forma seriam impossíveis de marcar. Mas conhecem Londres tão bem que são capazes de conceber uma cidade feita à medida de cada hóspede: um feito triunfal que geralmente só se encontra nos hotéis mais caros de todos.

Os quartos mais baratos são pequenos mas muito limpos, confortáveis e novinhos em folha: outra raridade na oferta hoteleira londrina.

Juro que se ao terceiro dia me tivessem proposto mudar-me para o Claridge’s, para o Dorchester ou para o Connaught, pelo mesmo preço, não teria hesitado em recusar.

It’s that good, como dizem os ingleses.