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Susana Bettencourt, knitwear designer

A singularidade de uma “geek das malhas”

Apresenta sexta-feira a sua segunda colecção na 29ª edição do Portugal Fashion. É a estreia em Portugal ainda que os coordenados de Susana Bettencourt tenham figurado na última edição da Semana da Moda de Londres e na de Paris - assim como na Vogue inglesa. Convidada a desenhar peças exclusivas para o guarda-roupa de Lady Gaga, Susana Bettencourt é uma criadora de 26 anos natural de São Miguel, nos Açores, que levou para Londres a tradição das malhas e rendas. Vê agora nascer uma carreira que vem de fora cá para dentro.

Antes de se conhecer a arte de Susana Bettencourt, dir-se-ia, sem grande hesitação, que reinventar o knitwear é tarefa simplória, senão impensável. Dir-se-ia ser terreno muito pouco fértil para germinar uma criativa dos dias de hoje. Por certo também não soaria viável como oportunidade de negócio. Mas a menina que aprendeu a tricotar aos cinco anos e que oferecia naperons à família todos os natais está a vingar.

Há oito anos transitou da adolescência na ilha de São Miguel, nos Açores, para os ateliers da Central Saint Martins College of Arts and Design, em Londres, uma das mais conceituadas formadoras de criativos do mundo que lançou Alexander McQueen e onde estudou também Stella McCartney. Regressa agora “pelo seu próprio pé”, com tradição que é novidade, com presença nas semanas de moda de Londres e Paris, com o trabalho para Lady Gaga a servir de brilharete e uma marca que não podia ser mais sua.

As malhas e as suas mil e uma técnicas estão-lhe no sangue. Ainda assim, a Susana adolescente achava que pouco tinha a ver com a moda enquanto tendência. “Sempre quis fazer coisas que tivessem importância para sempre e que não se esgotassem em seis meses. Peças que sejam interessantes agora, mas que continuem a sê-lo daqui a cinco anos” – um sintoma de singularidade que fez com que se destacasse ao longo da licenciatura em Fashion Knitwear, na reputada escola londrina.

No entanto, a criatividade que demonstrava com os trabalhos manuais não foram o suficiente. “A técnica e a arte de mãos é fantástica, mas como é que isso pode ser valorizado nos dias de hoje e como é que lhes posso dar uma visão moderna?” – uma dúvida que lhe surgia recorrentemente, mas também o rastilho da sua afirmação enquanto designer. No mestrado em Digital Fashion, no London College of Fashion, experimentou novas máquinas, trabalhou novos materiais. Aprendeu, na cidade de Londres, que com trabalho e esforço tudo é possível. Hoje, a marca Susana Bettencourt propõe-se a criar algo de novo, mas algo que tenha como base as técnicas do passado e tudo o que já foi inventado. “Geek das malhas”, como era conhecida na escola de moda, pode eventualmente ter sido a alcunha mais assertiva da história do British Fashion Council.

“Gosto que nas minhas colecções haja uma história para contar e acaba sempre por ser a minha história que é contada”. Na sua primeira colecção, Susana puxou por um Outono/Inverno com raízes nos rituais de luto de duas tribos africanas, mas a recente morte do pai fez com que a inspiração, mais do que qualquer outra, fosse o seu próprio luto. As malhas tomaram os mesmos tons que a pele e colaram-se a ela, num trabalho sobretudo de texturas. A joalharia colossal surge como objecto fetiche, como materialização de uma experiência partilhada com outrem. Depois da passarelle da Semana de Moda de Londres, seguiu-se um showroom na de Paris.

No dia 21 de Outubro, Susana vê desfilar pela primeira vez a sua colecção Primavera/Verão 2012, segundo dia da 29ª edição do Portugal Fashion. Terminado o luto, a forma como se relaciona com os outros suscitou-lhe um interesse especial. Mais do que isso, tentou perceber como é que a forma como as pessoas se relacionam interfere com a trajectória de cada um, esta sob a metáfora de um fio condutor. “Quando imagino este fio condutor da vida, estou a imaginar os nossos fios todos cruzados e estou a tentar imaginar um mapa do mundo com todos esses fios”.

A base conceptual não deixou margem para outro título para a nova colecção: Fio Condutor da Vida vem privilegiar a cor e a geometria com peças de corte mais relaxado relativamente à colecção anterior. Os mapas da rede eléctrica são o mote dado por quem confessa sempre ter tido um fascínio por postes de electricidade. “Esta colecção é o símbolo das experiências partilhadas pelas pessoas e de como isso as transforma”. Através da decomposição de várias imagens de paisagens chega-se ao padrão geométrico. Sobre esse padrão é feito um trabalho manual com cordas que é digitalizado e, por sua vez, passado para um novo jacquard. Em contraponto com a colecção anterior, a variação cromática é bastante explorada e assim, o castanho, o laranja, o cobre e o azul eléctrico preenchem os espaços criados pela intercepção das linhas.

Susana encontrou nas ferramentas digitais o consumar de um casamento entre a tradição artesanal das malhas, rendas e bordados e a necessidade de responder aos apelos do mercado e assim conseguir a sustentabilidade financeira. As semanas de moda revelaram oportunidades de negócio para a criadora de moda de 26 anos que estreia o trabalho para a próxima Primavera/Verão no espaço Bloom do Portugal Fashion, reservado a jovens designers. Mas a criadora está consciente de que a vitalidade da marca depende essencialmente da aposta em novas tecnologias, “ao ponto de inventar uma máquina nova, se for necessário para poder fazer as rendas de forma mais rápida mas, ao mesmo tempo, captar a essência do trabalho feito à mão”.

No que toca à próxima colecção, compromete-se com o tema electricidade e com a tecnologia 3D para realçar os coordenados, já com Harrods, a mais conhecida e luxuosa loja de departamento de Londres, a ler-se no horizonte. Actualmente, estão a ser comercializadas peças no Porto e em Ponta Delgada, mas também em Londres, no Chipre e na Líbia.

Do atelier em Londres, que é também a sua casa, já saíram peças para Lady Gaga. Inicialmente, foi apenas um empréstimo. Depois, uma encomenda de acessórios exclusivos bem “ao seu estilo”. Uma das peças é um colete que exibe um jogo de cobres e pedras negras. Mas este é já um outro capítulo – o da alta-costura, no qual Susana pretende apostar mantendo sempre aquela que é sua imagem de marca. “Até hoje foram poucos os estilistas que conseguiram fazer vestidos de alta-costura em malha”, constata. Os desafios sucedem-se para uma estilista em ascensão.