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Mitos que comemos

Alimentação, praia e bronzeado

Tendo em conta que se tomam todas as precauções para uma exposição solar segura, de que forma é que a alimentação pode ajudar a um bronzeado perfeito e saudável?

Para quem ainda não mudou de forma sustentável a sua alimentação e flutua de acordo com as exigências sociais sazonais, quando estamos às portas de Agosto, a “operação Verão” já deverá estar terminada e a preocupação passa mais pela procura de um bronzeado perfeito.

Quiçá pela influência de alguns reality shows, nos dias de hoje uma ida à praia é sinónimo de um encontro imediato com pele excessivamente bronzeada, músculos e tatuagens. Gostos à parte, preocupa-nos as implicações na saúde que este “protótipo” pode acarretar. Quando o bronze já vem de casa, vulgo solário, o problema pode ser ainda maior, até porque o risco de melanoma (a forma mais grave de cancro da pele), aumenta a cada hora de solário feita, sobretudo quando esta prática é iniciada antes dos 35 anos. Mas tendo em conta que se tomam todas as precauções para uma exposição solar segura, de que forma é que a alimentação pode ajudar a um bronzeado perfeito e saudável?

Felizmente, os mesmos alimentos que naturalmente nos deixam mais “morenos” (amarelo-alaranjado é o termo mais correcto), são justamente aqueles que também mais nos protegem dos efeitos nefastos da radiação ultravioleta em excesso. Estamos a falar de alimentos ricos em carotenoides (beta caroteno, licopeno, luteína, zeaxantina) como a cenoura, batata doce, pimento, tomate, manga, papaia e diospiro. Se esta associação entre frutas e legumes amarelos, vermelhos e laranja com os beta carotenos já é do conhecimento geral, convém relembrar que também hortícolas verdes como os espinafres, couve galega, agrião, couve portuguesa e brócolos são igualmente excelentes fontes de carotenos. Embora algumas melhorias possam já começar a ver-se com 3 porções diárias destes alimentos (cerca de 250 g), o ideal é situá-las um pouco mais acima. Também os tocoferóis presentes nas oleaginosas (amêndoa, avelã, amendoim, noz) e ómega 3 presentes no salmão, sardinha, truta e cavala, não melhorando intrinsecamente a coloração da pele, têm capacidade de atenuar o stress oxidativo que estas radiações induzem no nosso organismo. Ainda na relação entre alimentação e saúde cutânea, se o hábito das saladas de verão ricas nos alimentos com carotenoides consegue fazer um 2 em 1 bastante positivo, a ingestão de álcool tem justamente o efeito oposto estando associada a um aumento do risco de melanoma.

Como férias são férias, e um dos propósitos desta rubrica é evitar igualmente algum fundamentalismo e paternalismo que está quase sempre subjacente ao aconselhamento alimentar geral, aqui ficam algumas dicas para tentar fazer o “controlo de danos” possível nesta época de descanso:

– Tente evitar longos períodos de sedentarismo. Uma semana, dez ou quinze dias de inactividade total são já suficientes para fazer retroceder algumas adaptações positivas ao treino (para quem treina logicamente!).

– Tente manter quatro boas ingestões de proteína ao longo do dia (pequeno almoço, almoço, lanche e jantar) para evitar alguma perda indesejável de massa muscular nesta fase;

– Opte pelos gelados de “gelo” sem natas e chocolate e com pouco açúcar. Existem opções com menos de 100kcal que se configuram como asneiras menos más;

– Evite licores e cocktails com demasiado álcool e açúcar como caipirinhas, licores de café e afins. Não se esqueça que o álcool possui bastantes calorias e que cerveja e vinho branco são opções mais frescas e menos calóricas que as acima descritas.