Adriano Miranda

Mitos que comemos

Existirão mesmo truques para evitar a ressaca?

Em tempo de festas académicas o consumo de bebidas alcoólicas é sempre um tema incontornável.

Diz-nos o bom senso que o seu consumo deve ser moderado e que a única forma de prevenir uma “ressaca” é beber menos! Mas depois do mal estar feito, existe mesmo remédio?

De facto, a prevenção da ressaca começa no dia anterior, sendo possível minimizar o seu efeito com algumas pequenas atitudes que podem fazer muita diferença. Antes de pensar no que bebe, será também importante pensar no que come, uma vez que a subida dos níveis de álcool no sangue será tanto maior quanto maior o período de jejum ou perante uma refeição mais leve que permita um esvaziamento gástrico mais rápido.

Será também interessante a escolha de bebidas com menor teor alcoólico de modo aos níveis de alcoolemia terem uma subida mais gradual e deixarem sempre o indivíduo com o controlo da situação (por exemplo privilegiar a cerveja em vez dos tradicionais shots).

As mulheres acabam por ser um grupo de maior risco quando falamos de intoxicação alcoólica uma vez que a sua tolerância ao álcool é menor, não só devido ao seu menor peso e menor percentagem de água corporal, mas também por possuir uma menor actividade da desidrogenase alcoólica, enzima fundamental na metabolização do álcool.

Uma outra atitude a ter em conta no agravamento da sintomatologia da ressaca é a concorrência de hábitos tabágicos ao consumo excessivo de álcool, bem como as congéneres (substâncias decorrentes do processo de destilação e envelhecimento) presentes em bebidas como whisky, rum e outras bebidas destiladas “coloridas”. Ainda assim, neste último caso estaremos sempre a falar de um detalhe face às grandes quantidades de álcool que estas bebidas possuem, este sim o responsável maior.

Já no final da noite (ou manhã), a ingestão de água antes de deitar é igualmente uma atitude profilática de modo a antecipar a desidratação associada ao consumo excessivo de álcool e que está na base de muita da sintomatologia adversa como a sede excessiva, enjoos e dores de cabeça. De resto, no dia seguinte, a hidratação é mesmo a palavra-chave, podendo ser feita com água, bebidas desportivas, chás ou café (dependendo do efeito individual que a cafeína possui uma vez que tanto pode funcionar como um revigorante, como induzir algum mal-estar gástrico em pessoas sensíveis). As soluções farmacológicas que visam a diminuição das dores de cabeça, vómitos e protectores gástricos poderão ser ajudas efectivas, mas nunca nenhuma delas será totalmente eficaz ajudando, quanto muito, a atenuar os sintomas.

Também o descanso deverá ser a palavra de ordem. Ao contrário do que por vezes se ouve, a sauna ou o exercício não vão libertar “toxinas”, mas sim potenciar a já grande desidratação existente sendo por isso medidas a evitar no dia seguinte a uma intoxicação alcoólica.

Take home messages:

  • Coma bem,
  • Não fume,
  • Beba com calma bebidas com baixo teor de álcool,
  • Hidrate-se bem antes de deitar.

O dia seguinte será sempre penoso, mas poderá não ser assim tão mau!