Enric Vives-Rubio

Mães unidas jamais serão vencidas

Somos um país de mentalidade madrasta para com as mães. Como se houvesse uma única mãe, perfeita e preferida, a minha e mais nenhuma. As outras são todas enteadas pois não limpam bem os narizes dos filhos. E queixam-se, essas desavergonhadas, de que têm sono, cansaço, pés inchados.

– Pois que não tivessem sido mães. Era tirar-lhes o útero. Era tirar-lhes os filhos. Era tirar-lhes, até, os imaculados 120 dias de licença maternal, a essas mal-agradecidas senhoras, mas chamar-lhes senhoras é mel.

São palavras ditas por mães que, ao invés de irmãs, solidárias e complacentes, aproveitam aquela pequena oportunidade para degolar uma mamã tresmalhada, porque sempre vivemos tempos de rolamento de cabeças que pensem diferente de nós. Quem o diz são também papás afrontados pelo parco protagonismo nos cuidados com os filhos – que falta de chá, para com os milhares de pais de biberão em punho e bolsado na camisa. Por fim, são ainda palavras de protesto de solteiros, sem filhos e, alguns tão jovens, que pasmamos por serem tão entendidos na matéria parental. “O papel da mulher é cuidar da família e do marido” foi o argumento com que me deparei, legítimo, de uma jovem não-mãe, a quem só posso desejar que a vida lhe sorria com um maridão a quem possa massajar os pés.

Recorrentemente, à falta de argumentos melhores, mãe que faz diferente do politicamente correcto é egoísta. Porque crescemos sob influência da cartilha maternal da Cinderela, esse grande exemplo de mulher que tinha umas irmãs invejosas. Estamos formatadas para ser suas seguidoras e delatar as maninhas.

Mas então, que mãe é essa que há só uma? Onde está tal senhora sacralizada de que tanto se fala? Tem nome, estrias, tropeça em brinquedos, deixa os brócolos cozerem demais? Era o que mais faltava, claro que não. Essa Mãe, de três letrinhas, pertence ao grupo imaginário de que fazem parte o Pai Natal, a Barbie, a Fada dos Dentes, a Virgem Maria. São todos amigos.

E é a mãe que todos querem acreditar existir.

A mãe que não diz palavrões, não olha para outros homens, não falta às reuniões de pais, não se queixa de cuidar dos filhos, coitadinhos, que não pediram para nascer. A sua voz é tranquila pois nunca a imaginámos com um timbre esganiçado a dizer que “está na hora do banhinho, meu amor”. Nem a entornar o biberão de água dentro da carteira. Ou a trancar o carro com as chaves e o bebé lá dentro. “Desastrada! Tiraste o diploma maternal aonde?” “No google”.

São mães contra mães. Mães contra pais. Mães contra madrastras. E vice-versa. Uma estafa. Ladies and ladies, mães e não-mães, façam o favor de baixar o dedo em riste. Não é bonito. Façam como tão bem mandam os vossos filhos: dêem as mãos para atravessar a estrada. Lembrem-se que a união faz a força e que as mães unidas jamais serão vencidas. Eu, pagava para ver.