PÚBLICO

Os DILFS são os príncipes das mães

Ando a dormir com um DILF e não sabia. Assumo a ignorância, a maternidade afasta-nos algum tempo dos prazeres terrenos e encurta-nos as vistas; mas ontem acordei e, na minha cama, estava um pai gostoso. Aleluia.

DILF é a sigla para Dads I’d like to fuck. Na verdade, pais bonitos, com a barriga no lugar e aquele ar de quem está ocupadíssimo. Homens que se tornam pais e andam por aí a passear com bebés ao colo e a empurrar carrinhos com crianças amorosas. A cuidar delas, atentos, ternurentos. São papás que provocam torcicolos, portanto. Um "fazia-te isto e aquilo" no deserto materno, não fosse um estudo americano ter levantado suspeitas de que estes pais carinhosos têm os testículos mais pequenos. Deduzo que compensem com um coração maior.

Mas porquê este deslumbramento feminino com estes senhores? É que os DILFS são o prolongamento do príncipe encantado, voilá! As mulheres acreditam, mesmo, nos contos de fadas ou filmes cor-de-rosa cujas histórias terminam num final feliz com o príncipe a casar-se. E depois? Depois ninguém leu mais nenhum capítulo que mostrasse o príncipe a mudar fraldas.

Mas vamos ao que interessa: saber onde é que andam estes pais. Pois bem, nos pediatras, à porta das creches e escolas, no supermercado e na farmácia. É escusado procurá-los à noite, nos bares. Estes Apolos com filhos agarrados às calças, vivem à luz do dia, sentam-se nos parques infantis e vão a festas de crianças. Mas se a fantasia feminina for ver um conjunto de DILFS – será que se diz manada? – sigam até à Disneylândia, o país da fantasia onde os pais bonzões tiram fotografias ao lado do Mickey Mouse. Se não puderem vê-los ao vivo, liguem-se ao Instagram e visitem a página DILFS Of Disneyland – The happiest Place on Instagram. Sim, estas fotografias tiradas à socapa e colocadas a circular no Instagram são uma lamentável invasão de privacidade. Estamos solidárias, senhores DILFS, pois há milhares de anos que as mulheres conhecem bem o comportamento “invasivo”. Chato, não é?

Mas se estamos em tempos de discursos de género igualitários parece-me justo que os papás se olhem ao espelho meu, espelho meu. Porque os pais de família também se querem enxutos. Já não basta colocarem o pão na mesa, conduzirem um carro familiar e pagarem os seguros de saúde da família. O pai de hoje tem responsabilidades acrescidas: ajudar nas tarefas domésticas, cuidar dos filhos e cuidar de si. Tudo isto, depois do trabalho.

O duche másculo esfregado a sabonete durante cinco minutos, adeusinho. Homem moderno usa gel de banho com hidratante, duas vezes se for solteiro, uma vez se for pai. Aplica champô até fazer espuminha. Usa amaciador próprio para pontas secas, isso é que não. Se tem barba, apara-a com estilo. Se tem músculo, tem de se ver para crer. E no armário, duas gavetas não lhe chegam.

Certo que os padrões de beleza são subjectivos. Mas um DILF não usa chinos, sapatos vela nem patilhas curtas. Numa rápida pesquisa na Internet destacam-se as barbas trendy e as tatuagens entre os DILFS mais comentados. Só falta mesmo assistirmos a um concurso de o Melhor DILF do Ano, mas lá chegaremos. A ver se gostam.

Note-se que gostar de olhar para um DILF é biológico. Ver um homem a cuidar de um bebé ou criança é, biologicamente, irresistível. Portanto, vivam os DILFS que habitam os nossos lares e os lares alheios. Não tanto por partilharem as tarefas domésticas e cuidados com as crianças mas mais porque nos lavam as vistas. E se há mito em que uma mamã precisa de acreditar, eternamente, é no príncipe encantado.