Daniel Rocha

Lisboa Estrela

Casa dos Ovos Moles em Lisboa

Uma nova loja, a dois passos da Basílica da Estrela e com presença no mercado de Campo de Ourique, promete doces típicos e conventuais. De ovos moles a trouxa-de-ovos, do Dom Rodrigo ao Fidalgo, há todo um doce país para saborear.

A Casa dos Ovos Moles abriu a sua primeira loja no número 140 da Calçada da Estrela – depois da estreia com um quiosque no Mercado de Campo de Ourique. Lá fora passa o eléctrico 28 enquanto admirámos na montra do balcão os mais diversos produtos da doçaria tradicional portuguesa, sendo o ovo o ingrediente principal.

Na antiga drogaria, que agora deu lugar à loja, a cor abundante é o amarelo. No tecto há vigas de madeira e as prateleiras estão cheias de loiça colorida chancela Bordallo Pinheiro, que aliás também está disponível para compra.

A montra principal funciona também como cafetaria, onde pode acompanhar, por exemplo, um ovo mole de Aveiro com um café.

A loja tem ainda uma sala pequena, com armários de madeira escura e chão de pedra, onde pode sentar-se e degustar toda a doçaria.

Já a montra que dá para a rua varia os doces expostos diariamente, para adoçar o paladar dos que passam pela Calçada da Estrela.

A casa, cujo nome é um tributo a uma confeitaria de Aveiro, tem como proprietárias Filipa Cordeiro e Maria Dagnino, que até há pouco tempo trabalhavam na área da publicidade.

As duas amigas queriam afastar-se da área onde trabalhavam e abrir um negócio diferente.
Fizeram uma pesquisa de mercado, para perceber quais as tendências actuais e identificaram a oportunidade de trazer até Lisboa a doçaria conventual, criando um conceito de embaixada com as riquezas locais do país.

A doçaria conventual é muito regional, tem 500 anos de existência mas infelizmente está a desaparecer. Estas receitas tiveram origem nos conventos de Portugal, que serviam a casa real e a nobreza no século XIX. Até à extinção das ordens conventuais, todas as senhoras que viviam e eram educadas nos conventos tinham que prometer sigilo sobre as receitas.

Com o fim da clausura, muitas das senhoras abriram confeitarias e receberam o selo real. As receitas confeccionadas mantiveram-se sempre dentro da família, passando de geração em geração.

Para que o projecto tomasse vida, as sócias viajaram por Portugal “para identificar as receitas originais, que ainda hoje são feitas artesanalmente com ingredientes de qualidade”, conta Filipa. Mais tarde, criaram um protocolo com a Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro (APOMA), onde assumiram a responsabilidade de serem embaixadoras e porta-vozes do produto.

Em cada região, seleccionaram os doces mais emblemáticos, conheceram a sua história e origem e a montra começou a compor-se. Lá pode encontrar, por exemplo, os ovos moles de Aveiro, o fidalgo d’Évora, a trouxa-de-ovos das Caldas da Rainha, o pastel de Vouzela, a queijada de Tentúgal, o pão-de-ló de Ovar ou o Dom Rodrigo do Algarve.

Há ainda biscoitos e bolachas, que fazem parte da doçaria conventual, e licores e ginjinhas, que segundo as proprietárias fazem “a combinação perfeita” com a doçaria.

Os produtos são todos servidos em louça Bordallo Pinheiro por ser, segundo Filipa, “uma marca ícone portuguesa”. Há também peças expostas na loja para venda.

E não se pense que é uma casa especialmente dedicada aos turistas. Aliás, “a maioria dos clientes é portuguesa e a adesão tem sido enorme”, explica Maria Dagnino. Já Filipa Cordeiro adianta-nos o grande objectivo da casa, a ser conquistado dia-a-dia: ser uma verdadeira “embaixada de doçaria conventual”.