Marco Mauricio

Manual de sobrevivência

Que bom, férias em família! Mas…

Depois de 11 meses a ansiar pelas férias de Verão com toda a família, o paraíso parece estar longe. Ao terceiro dia, se não houver bom senso e imaginação, mergulha-se num inesperado campo de batalha -- com cada um infeliz para seu lado e desejoso de voltar ao trabalho. Relaxe e reaprenda a (con)viver com os que mais importam.

Chegaram as férias. É altura de deixar de lado horários, rituais e obrigações. No entanto, partilhar tanto tempo livre com a família pode não ser tão pacífico (ou idílico) como se esperaria. “Este pode ser um período crítico para as famílias. Fora ou dentro de casa, passar as férias com os filhos pode transformar-se numa experiência desastrosa, caso os adultos não tenham o cuidado de preparar e antecipar as situações”, alerta Vera Ramalho, psicóloga clínica que trabalha habitualmente com casais e adolescentes.

“O dia-a-dia muitas vezes não dá lugar a grandes escolhas e, apesar do incómodo causado pelas rotinas, estas acabam por obrigar adultos e crianças a aceitá-las e a entrar ‘no ritmo’.” Mas, em tempo de descanso, as rotinas não estão lá “para ajudar” ao convívio.

Algumas pistas para desenvolver já a seguir vão ajudar o leitor a desfrutar das férias que merece: esforce-se por conhecer as crianças e considerar os seus interesses; lembre-se de que as relações são para o ano inteiro; aceite que não temos de andar colados uns aos outros o tempo todo e aproveite este período para se aproximar ainda mais de quem gosta. Ou seja, fortaleça as relações com aqueles que realmente importam na sua vida. Relaxe e não complique.

Conhecer os interesses das crianças: check!

Vera Ramalho enumera algumas das preferências das crianças em função da sua fase de desenvolvimento e acentua a necessidade de os adultos as conhecerem e de considerarem os seus interesses quando definem um plano de férias: “Existem variadíssimas opções de férias com objectivos diferentes que devem ser ponderadas em função das possibilidades financeiras e das idades dos filhos. Uma criança de cinco anos prefere as brincadeiras na praia e na piscina e é mais fácil de entreter. Entre os oito e os dez anos, já não acham muita graça em ir para o lugar do costume com as pessoas do costume. Os pais precisam de abrir o leque de oportunidades de lazer ao ar livre, para evitar que se ‘agarrem’ ao computador ou à TV. Entre os 12 e os 13 anos, os miúdos querem mais do que aquilo que os pais querem dar e é fundamental que estes não continuem a pensar que eles são as suas criancinhas. Eles cresceram!” Aí, os desportos são uma óptima opção. “A partir dos 14 anos, os adolescentes podem preferir fazer tudo ao contrário daquilo que os pais querem que eles façam. ‘Vamos a Espanha?’ ‘Que ridículo, os meus amigos vão para o Algarve!’ Acima de tudo, esta é a idade da procura da independência.” Depois dos 16 anos, “ os pais não ganham nada em insistir para que vão todos juntos para a quinta da avó como faziam em criança”. Aqui, o diálogo assume um valor ainda maior: “Talvez seja melhor negociar uma semana em família e outra onde haja mais liberdade para estar com amigos, embora sempre com conhecimento dos pais.” Mas é sabido que as crianças não são todas iguais, qualquer que seja a idade. “É preciso conhecê-las e ouvir o que querem. A maioria pode adorar fazer canoagem, passeios e campismo, por exemplo, mas há as que preferem ficar calmamente em casa a brincar e a receber mais atenção.” Diálogo, negociação e cedências de parte a parte parece ser o caminho. Por isso, diz a autora de “Lá em Casa Mandam Eles?”, “pergunte o que eles querem fazer e tente encontrar uma solução em conjunto”.