Reuters/Eric Gaillard

O histórico do browser...

Sou casado com a minha mulher há 14 anos. Tenho 35 anos e ela 43. Vejo-a com uma postura clássica em relação ao sexo e não me entra na cabeça a imagem dela a masturbar-se ou a usar objectos sexuais. Perante isto, foi com alguma surpresa que descobri, pelo registo de navegação do browser que, durante cerca de 45 minutos, ela consultou sites gay (cerca de 10), alguns de lésbicas (2) e um de heterossexuais. Esta “descoberta” deixou-me perturbado. Não sei se deva abordá-la ou esquecer o assunto.

Nem tudo o que parece é! O assunto que expõe é interessante e costuma ser tema frequentemente apresentado pelas mulheres aquando das suas “descobertas” - normalmente ao “acaso” - pelos computadores dos companheiros. A pornografia, ao contrário do que se imagina, também é procurada pelas mulheres - apesar de elas dificilmente o assumirem.

Nem sempre o que procuramos na Internet coincide com o que gostaríamos de concretizar. Por vezes procuramos imagens que ilustram um cenário de uma determinada fantasia e, apesar de poder ser estranho, muitas vezes até alguns conteúdos aparentemente pouco atractivos podem tornar-se num motor de excitação e prazer.

Apesar de os homens serem muito mais susceptíveis de se excitarem visualmente, alguns estudos referem que a pornografia excita as mulheres mesmo quando estas o negam a pés juntos. A verdade é que a maior parte das mulheres critica a forma como o papel feminino é mostrado nestes filmes, acusando-os de mecanizarem o acto. São inúmeros os realizadores que estão atentos ao gosto das mulheres e que se dedicam actualmente a filmes cujo público-alvo são as mulheres. Estamos em mudanças!

O facto de as mulheres não assumirem que são espectadoras deste tipo de filmes deve-se ao preconceito que existe em relação à sexualidade feminina e à indústria pornográfica. Facilmente aceitamos que o homem seja seu espectador mas não se compreende ou aceita a curiosidade feminina. Esta repressão faz com que muitas mulheres ocultem o seu desejo. Muitas vezes, a pornografia é uma janela para a exploração de outras práticas que não nos atrevemos a tentar mas que invadem o nosso reportório de fantasias.

Revelar a sua descoberta pode ser constrangedor mas, num momento a dois, porque não guiar uma boa conversa à volta do tema das fantasias e desejos mais íntimos? Porque não surpreendê-la com um bom filme, que podem tentar ver a dois? O facto de a sua companheira ver de forma mais frequente determinados conteúdos não significa que, na prática, esteja pronta ou que deseje realizar tais experiências. A pornografia não é um substituto, não é uma forma de compensar falhas e dificilmente poderá prejudicar a vossa vida sexual.

Abordar de forma directa o assunto seria entrar num terreno delicado e pôr em causa a privacidade da sua companheira. Tente encarar esta “descoberta “ de forma positiva. Apesar de submissa e pouco inovadora, afinal a sua companheira atreve-se a descobrir e a fantasiar. Ainda que neste momento apenas o consiga sozinha, isso só pode ser bom!

Ponto Quê: O prazer no Feminino

Vânia Beliz

Licenciada em Psicologia Clínica e Mestre em Sexologia, Vânia Beliz dedicou os últimos anos ao estudo da sexualidade cujos resultados tem vindo a partilhar em diversos meios de comunicação social, seminários, palestras e em eventos como o Salão Erótico de Lisboa e do Porto.

Tem consultório em Vilamoura e, em Maio de 2011, lançou o primeiro livro pela Objectiva Editora que, com o título “Ponto Quê: O prazer no Feminino”, desafia à descoberta de uma sexualidade mais plena e satisfatória.

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