Charles Platiau / Reuters

Dilemas morais

Eu amo a minha namorada, nunca a traí, mas sinto-me atraído por outras mulheres e desejo-as. Isso faz de mim má pessoa?

O simples facto de desejarmos, fantasiarmos e não ficarmos indiferentes às pessoas não faz de nós pecadores e adúlteros condenáveis. Não é por estarmos sexualmente satisfeitos e conjugalmente felizes que ficamos surdos e cegos, certo? Na minha opinião, a forma e o caminho que esses pensamentos e desejos tomam é que pode fazer toda a diferença.

É normal que possamos excitar-nos ao ver uma pessoa atraente e bonita. Já menos comum é desejarmos a toda a hora o(a) colega que se senta à nossa frente. Quando estamos num relacionamento, estamos socialmente reprimidos em relação às pessoas que estão à nossa volta — parece que os outros estão condenados à indiferença e não é bem assim.

Os homens, por exemplo, podem excitar-se mais facilmente — a visão é o órgão de eleição e não é difícil que as mensagens cheguem ao cérebro. Já as mulheres não são tão despertas por uma simples visão — mas também depende da visão!

Ainda que o nosso coração esteja reservado, será difícil não corar, olhar ou sentir borboletas na barriga quando alguém, com as características que apreciamos, se aproxima. E isto faz de nós más pessoas?

Muitas pessoas que leiam esta resposta podem até não concordar com a minha opinião, mas continuo a defender que não estamos prisioneiros e não tiramos nenhum bocadinho a ninguém com um simples pensamento que, muitas vezes, nem controlamos. Será que desrespeitamos os nossos parceiros (as) porque olhámos pelo canto do olho para aquele físico atlético?

Já outra situação frequente é o facto de algumas pessoas gostarem de “flirtar” e de alimentar o desejo dos outros. Alguns descrevem-no como algo excitante e que lhes coloca a auto-estima nos píncaros. Existem mesmo pessoas que dependem destes jogos porque precisam de se sentir vivos e desejáveis. Quem é que já não sentiu, pontualmente, esta necessidade? No entanto, não será desejável que façamos deste comportamento uma constante. Uma coisa é ficarmos satisfeitos por percebermos que os outros não ficam indiferentes a nós, outra é estarmos constantemente a procurar outros e neles a nossa aprovação. Esta última hipótese pode significar que não estamos satisfeitos connosco, que sentimos falta de atenção ou até que não somos realmente felizes, mesmo que imaginemos que sim… O mais importante deste post é que se perceba que não podemos ser culpados por desejar ou ser desejados, mas podemos sim ser condenados pelo que fazemos depois.

Ponto Quê: O prazer no Feminino

Vânia Beliz

Licenciada em Psicologia Clínica e Mestre em Sexologia, Vânia Beliz dedicou os últimos anos ao estudo da sexualidade cujos resultados tem vindo a partilhar em diversos meios de comunicação social, seminários, palestras e em eventos como o Salão Erótico de Lisboa e do Porto.

Tem consultório em Vilamoura e, em Maio de 2011, lançou o primeiro livro pela Objectiva Editora que, com o título “Ponto Quê: O prazer no Feminino”, desafia à descoberta de uma sexualidade mais plena e satisfatória.

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