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A falta de interesse dele

O meu namorado raramente me procura para termos sexo. No nosso primeiro ano de namoro acontecia todos os dias e, desde que viemos viver juntos, mudou para uma vez por semana ou nem isso. Já o confrontei várias vezes com este assunto e ele diz que vai tentar mudar, mas nunca muda. Diz que simplesmente não sente vontade e eu sinto-me bastante frustrada por ele não mostrar grande interesse sexual por mim. As relações acontecem sempre no mesmo sítio e da mesma maneira durando apenas alguns minutos, o que não me satisfaz. Esta situação já se arrasta há dois anos. O que é que eu faço?

A situação que descreve é delicada e pode facilmente ser alvo de interpretações e acusações perigosas: “Não gosta de ti", "Tem outra", etc. O afastamento masculino pode ter várias causas, mas, infelizmente, a falta de desejo dos homens não é bem vista e leva a especulações muito dolorosas.

Estamos habituadas a atribuir aos homens papéis muito activos na esfera sexual. Para nós, a sua recusa ou desinteresse parece que não existe e, a existir, só pode ser indicador de que a nossa relação já teve melhores dias. Mas tudo pode ser o que não parece...

Os homens não têm todos o mesmo desejo e não estão sempre prontos, como imaginamos. Existem homens que têm pouca iniciativa ou desejo e isso pode acontecer por várias razões: desinteresse pela actividade sexual, ansiedade de desempenho, stress, ausência de atracção física pela parceira, entre tantas outras. Consegue perceber se o seu companheiro está deprimido ou a passar por alguma situação que lhe provoque stress? Está a tomar algum tipo de medicação que possa estar a influenciar o desejo? Antidepressivos, ansiolíticos, entre outros?

Se uma conversa a dois não deu grandes frutos, que tal tentar compreender o que pode estar por detrás desse afastamento? Quando percebemos que o nosso parceiro não nos procura com a frequência desejada, facilmente nos culpabilizamos. Achamos que já não somos atraentes, que talvez os sentimentos tenham mudado, tudo porque nos é difícil aceitar a recusa. Não a compreendemos, aliás, nem acreditamos que ela exista. Mas afinal porque havemos de ser tão diferentes? Quantas vezes lhes dizemos que não? Ainda que exista o preconceito de que o nosso desejo é muito menor que o masculino, o que é certo é que as excepções existem.

A leitora refere que ele já prometeu mudar mas que nada acontece. Para além do afastamento sexual identifica alguma outra mudança na vossa relação? É importante que aborde o assunto sem queixas e cobranças. Tente perceber a partir de que momento o comportamento dele mudou e se aconteceu alguma coisa importante que possa estar a preocupa-lo. Por vezes estamos tão focadas no  problema que desvalorizamos factores importantes que podem estar a influenciar a disponibilidade para o sexo. O simples facto de passarem a viver juntos pode diminuir a frequência sexual. Apesar de serem as mulheres a negarem mais vezes a prática sexual, isso não significa que não existam excepções.

Ponto Quê: O prazer no Feminino

Vânia Beliz

Licenciada em Psicologia Clínica e Mestre em Sexologia, Vânia Beliz dedicou os últimos anos ao estudo da sexualidade cujos resultados tem vindo a partilhar em diversos meios de comunicação social, seminários, palestras e em eventos como o Salão Erótico de Lisboa e do Porto.

Tem consultório em Vilamoura e, em Maio de 2011, lançou o primeiro livro pela Objectiva Editora que, com o título “Ponto Quê: O prazer no Feminino”, desafia à descoberta de uma sexualidade mais plena e satisfatória.

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