Consultório do Sexo
Sexo anal
Estou casado há dois anos e já há algum tempo que tenho curiosidade em experimentar o sexo anal. Mas tenho receio de ferir os sentimentos da minha esposa. Alguma sugestão de como abordar esta temática com o sexo feminino?
A questão colocada pelo leitor é muito frequente. Muitas pessoas assumem ter dificuldade em abordar determinados assuntos relativos à intimidade, temendo invadir ou constranger o outro. Deveríamos todos compreender, que quando nos relacionamos sexualmente com alguém, para que ambos cheguemos ao prazer, é importante que falemos do que nos satisfaz e do que nos podia dar mais prazer.
Existem situações em que o assunto é mais fácil mas outros - como este - nem tanto. E assim, no meio de uma sugestão mais ou menos directa, lá vamos dando pistas daquilo que realmente nos apetece. Mas porque havemos de entrar neste jogo de adivinhas se podemos sem medo nem vergonha ir directo ao assunto?
Em relação à prática anal, muitos são os homens que se queixam da dificuldade em lá chegar. Visto como um destino proibido ou errado, tanto para homens como para mulheres, muitas vezes acabam por desistir sem nunca prepararem o itinerário. Em primeiro lugar porque acha que a sua companheira ficaria ofendida se falasse do assunto? A maior parte das mulheres sabe que o sexo anal é uma fantasia masculina comum, por isso não creio que a fosse apanhar desprevenida, concorda? Sabe realmente o que ela teme?
A verdade é que para muitas mulheres a prática de sexo anal não é gratificante, quer por motivos psicológicos - porque acham que não é normal haver penetração ali, porque na pornografia é uma forma que humilha as mulheres - quer pelo verdadeiro desconforto físico que pode provocar se não for praticado com cuidado.
Em relação às queixas de desconforto são quase sempre frequentes se a mulher não conseguir relaxar. A prática de sexo anal requer muita confiança no parceiro e alguma paciência. O ânus é um esfíncter forte, pelo que a sua estimulação antes da penetração requer muita dedicação. E como este parece não ser um assunto de fácil abordagem, tente perceber durante a vossa intimidade como é que ela reage a uma aproximação àquela zona.
Para bom entendedor meia palavra basta. Se durante as carícias já passou por lá e a sua parceira não o escorraçou, saiba que talvez possa sussurrar-lhe que gostava de experimentar. Se houver luz verde existem algumas sugestões que importa saber. Em primeiro lugar, é preciso recorrer a um bom lubrificante - existem alguns específicos para a prática anal. Proteja-se se usar um à base de silicone já que não poderá usar preservativo. Látex e silicone não combinam. Não escolha um dessensibilizante cuja função é adormecer o local, havendo por isso perda da percepção da dor - pode facilitar ao início, mas depois o resultado pode ser muito negativo.
Após a escolha do lubrificante, passe a estimular a zona, delicadamente, fora e dentro, primeiro com os dedos e só muito mais tarde com a introdução do pénis. Se ainda não chegou lá com os primeiros nem pense em fazê-lo com o segundo, apanhando a sua parceira distraída. Confiança é factor determinante nesta viagem.
É importante que saiba lidar com a recusa, caso essa aconteça. Há muitas mulheres que sentem prazer enquanto outras simplesmente não querem ouvir falar do assunto. Então, que fazer? Da mesma forma que existem muitos homens que gostam de ser estimulados na zona anal e outros fogem de tal proposta, afinal qual é a diferença? É importante que na nossa intimidade percebamos que todos temos os nossos limites e que não fazermos só porque os outros fazem.
Independentemente de ser um desejo ou uma fantasia, isso não significa que possa ser, só por isso, concretizável. Para existir satisfação e prazer é importante que ambos usufruam do que fazem, que ambos estejam à vontade para experimentar um novo caminho, sem medos ou pressão.