Clark Gable e Vivianne Leigh em<em> E tudo o vento levou</em> (1939) Clark Gable e Vivianne Leigh em E tudo o vento levou (1939)

A diferença de idades

Tenho 40 anos e estou numa relação feliz e duradoura com uma pessoa que me completa. A diferença de idade que existe entre nós - cerca de 15 anos- não me preocupa minimamente, mas quando penso no futuro, tenho medo que as coisas mudem. No que toca ao sexo, será que temos futuro a longo prazo?

A leitora não nos revela se é mais nova ou mais velha que o seu parceiro por isso vou apenas centrar-me na questão da diferença de idade nas relações sexuais. Muitas mulheres referem algum receio neste campo, especialmente, quando os parceiros são mais velhos. Temem que com o passar dos anos eles possam ter dificuldade e problemas que possam pôr em causa a satisfação da sua vida íntima. A idade e a sexualidade são temas que estão rodeados por muitos mitos que, quando não são esclarecidos, podem colocar em risco a nossa satisfação.

Apesar de os homens terem fama de serem mais sexualmente activos do que nós, a verdade é que em matéria de desempenho sexual, o envelhecimento pode pregar-lhes algumas partidas. À medida que a idade avança podem surgir dificuldades na excitação, na manutenção da erecção e até do orgasmo, e a verdade é que as mulheres temem, que deixem de continuar activos no campo sexual.

Na realidade, estes receios têm como base o facto de frequentemente vermos a prática sexual apenas como actividade penetrativa, no entanto muitas de nós já sabemos que a sexualidade é muito mais do que isso. Apesar de com a idade poderem surgir algumas dificuldades na resposta sexual masculina, hoje existe ajuda para quase tudo. O que é realmente importante é estarmos atentos, identificar as dificuldades e partir para a procura de soluções, sempre com muita comunicação e sensibilidade. Afinal, nem sempre vivemos as mudanças de forma tranquila e dramatizar pode só piorar as dificuldades.

Quando somos nós as mais velhas, normalmente a angústia deve-se ao medo que temos de deixarmos de ser apetecíveis aos nossos parceiros. O mais importante é manter uma boa relação porque tudo o resto vem por acréscimo. Afinal, quem não tem cão caça com gato, e quando algo no nosso corpo nos mostra que temos de encontrar alternativas, o mais importante não é cancelarmos a viagem mas encontrar outros percursos que nos façam chegar ao destino aproveitando outros caminhos.

Quando a penetração deixa de ser fonte de prazer, temos de nos concentrar nas carícias e noutras formas de nos excitarmos. No entanto existem relatos de muitos casais mais velhos que se sentem agora mais disponíveis para conhecer o outro e para encontrar novas formas de prazer… O que é importa é partir à aventura!

Ponto Quê: O prazer no Feminino

Vânia Beliz

Licenciada em Psicologia Clínica e Mestre em Sexologia, Vânia Beliz dedicou os últimos anos ao estudo da sexualidade cujos resultados tem vindo a partilhar em diversos meios de comunicação social, seminários, palestras e em eventos como o Salão Erótico de Lisboa e do Porto.

Tem consultório em Vilamoura e, em Maio de 2011, lançou o primeiro livro pela Objectiva Editora que, com o título “Ponto Quê: O prazer no Feminino”, desafia à descoberta de uma sexualidade mais plena e satisfatória.

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