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Beleza

Vamos ao "bar" fazer as unhas?

Num nail bar o serviço de estética une-se ao ambiente e serviço de bar. Nada como começar a tratar da beleza com uma bebida no salão. Em Lisboa fomos às Barunhas e ao Dez Studio.

E beber um espumante enquanto as unhas são tratadas? Provavelmente vem logo à memória alguma cena d'O Sexo e a Cidade. Mas para apreciar um vinho e fazer unhas, ou beber um chá e cuidar do cabelo, não precisa de ir aos cenários nova-iorquinos da série: o conceito de nails bar começa a conquistar espaços de estética em Lisboa. O Life&Style foi conhecer dois. 

Visto da rua, As Barunhas, salão de beleza na Monte Olivete, parece discreto. Quando se entra, os pilares de ferro e madeira originais do espaço contrastam com o cor-de-rosa de uma parede. Na mesma em que se pode ler “keep your heels, head, and standards high”, (em português: mantenha os calcanhares, a cabeça e o nível altos). Num canto, uma mesa de mistura onde, ocasionalmente, aos fins-de-semana estará um DJ. Junto aos pilares, pequenas mesas com bancos de tecido à volta ficam à frente do balcão onde a manicura Teresa Cruz prepara as mostras de cores. Nessa parede garrafas de vinho assentam numa prateleira. Estamos n' As Barunhas, Nails-Bar Boutique.

A proprietária Stefanie Stevens recorda que antes ir a um salão de manicura poderia ser "um sacrifício" em vez do desejado "momento de mimo": “era obrigada a estar no meio de um centro comercial porque os salões fecham, na sua maioria, ao fim da tarde, depois não tinha sequer acesso a um copo com água”, resume. “Sei que o conceito de nails bar existe muito em Nova Iorque, adaptei a Portugal e àquilo de que eu sentia falta”. “O servir uma bebida num salão vem para ajudar a tornar isto uma coisa divertida”. O vinho ao copo pode ser tinto, branco ou espumante e é da Casa Agrícola Águia de Moura, do Douro. Mas não faltam chás ou cafés.  

A “menina da cidade” - que nasceu na Bélgica, já viveu em Londres, Copenhaga e no Algarve - apostou em desenvolver a ideia em Lisboa tendo em conta a “abertura da cidade a novos conceitos”.

Stefanie conta ainda ao Life&Style que o salão foi pensado para fazer parte de programas de amigas: “temos à disposição placas de alisamento, que podem ser utilizadas enquanto a amiga usufrui o serviço de maquilhagem ou arranja as unhas, enquanto ouvem uma música e bebem um copo para depois irem sair à noite” isto porque o salão de segunda a quinta-feira fecha às 22h e, à sexta e ao sábado fecha à meia-noite, e porque estar no Príncipe Real "o permite”.

Nas Barunhas, os homens também são bem-vindos, tal como o serviço de vinho a copo está também disponível para quem não faz nenhum serviço. Stefanie sugere ainda outro programa: “petiscar uma bruschetta com trufas, queijo pecorino e rúcula, acompanhada de um vinho na Bottega Montucci à tarde, jantar na Taberna dos Gordos e beber um copo nas Barunhas enquanto a namorada faz as unhas”.

Num outro lado da cidade, na rua Dona Filipa de Vilhena, lê-se à entrada do nails bar pioneiro em Portugal, o Dez Studio Hair&Nail Bar: “Chá ou champanhe? Um novo conceito de estética e bem estar”

Entrámos e encontrámos três mulheres a fazerem as unhas, “em barra, como o conceito original americano”, diz-nos a proprietária Sandra Luz. Atrás das manicuras está uma parede onde ao invés de diferentes bebidas estão vernizes das mais variadas cores, mas “há vezes que chegamos até a fazer nós as próprias cores, para termos ainda mais”.

A cliente senta-se num banco de bar e escolhe a cor “aqui o conceito de bar é o modo como se servem as unhas e não o facto de serem servidas bebidas, mas há sempre uma a acompanhar”. Como um complemento ao serviço, a cliente pode escolher entre chás quentes ou frios, Lambrusco ou champanhe. Ainda que antes das 16 ou 17 horas seja  “muito complicado oferecer um espumante em Portugal”, diz.

A música também não falta, seja ela bossa nova, soul, blues ou um género chill out. A decoração em tons de branco a contrastar com a madeira foi pensada para “ser criado um espaço mais lounge”.

Formadora internacional de uma marca americana de produtos de unhas, conta-nos que foi buscar às suas viagens a inspiração para que o espaço “fugisse ao ambiente de cabeleireiro tradicional”. E que a oferta de uma bebida “para ajudar na descontracção" surge “apenas porque faço aquilo que gostava que me fizessem a mim”.

Ao conceito americano alia-se um serviço que passa a portugalidade aos estrangeiros “temos pessoas da Suíça, Vietname, França, Alemanha que marcam connosco sempre que vêm de férias por causa da nossa marca”. Sandra queria passar-lhes “um pouco das coisas boas” que há em Portugal, como, por exep o azeite “introduzimos a azeiterapia aos nossos serviços, é outro sucesso invulgar, tal como este conceito”.

Texto editado por Luis J. Santos