• Algumas das criações que Diogo Miranda levou a Paris
    Algumas das criações que Diogo Miranda levou a Paris Ugo Camera
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Sobreposições e fluidez na Primavera 2016 de Diogo Miranda

Na segunda apresentação em Paris, o criador de 27 anos mostrou peças de pronto-a-vestir “estilizadas mas muito femininas”.

Minimalista mas com profundidade — é assim que Diogo Miranda descreve a sua colecção feminina para a próxima estação quente, apresentada à margem da semana de moda de Paris este sábado, no âmbito do Portugal Fashion.

"A profundidade é trabalhada com as cores, tal como o arquitecto mexicano Luis Barragan faz com as suas casas", diz aos jornalistas no final do desfile, falando sobre o trabalho arquitectónico que o inspirou e a forma como o aplicou a peças de roupa de forma a não perder a sua identidade.

As silhuetas arquitectónicas são já, aliás, imagem de marca do criador — em Outubro de 2013, a inspiração foi o arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer; em Março de 2015, as propostas para este Inverno (Paris n.º 1) evidenciavam linhas arquitectónicas, com ombros acentuados, cinturas definidas e ancas exageradas que denunciavam contornos e curvas do corpo. A nova colecção, à qual não quis dar um nome, pega no trabalho do arquitecto mexicano Barragan, conhecido pelas linhas rectas. E foi desenhada sem ter Paris como montra principal mas sim "o mundo inteiro"

As cores fúcsia e salmão, vários tons de rosa e preto e azul-marinho dão profundidade às peças, com muitas sobreposições. “São silhuetas diferentes, com muitas camadas. Parece que a manequim está com um top e uma saia mas depois tem umas calças que são também uma saia”, explica.

Também as matérias-primas utilizadas vão ao encontro da visão estruturada mas fluida: crepe de seda e brocados. “Materiais mais simples, delicados”, frisa, sobre uma colecção que quis “wearable” (vestível) para “funcionar em passerelle, em vendas e depois nos editoriais de moda”.

Tal como acontecera na primeira mostra na capital francesa em Março deste ano, Diogo Miranda atraiu várias publicações de moda especializadas, bloggers e buyers — na sala do Espaço Pierre Cardin, em Paris, que recebeu o desfile, estava a Harper's Bazaar brasileira, a revista de fotografia de moda Now Fashion, o jornal especializado Women's Wear Daily, o New York Times ou a revista Grazia francesa.

O criador português tem uma loja e atelier próprio em Felgueiras desde 2008, onde são produzidas as suas criações. Mas, com o crescimento da marca, admite “partir para o mundo” — o ponto de partida são os showrooms permanentes (durante um ano, teve um showroom permanente na Place Vendôme, em Paris, e desde Setembro tem um em Nova Iorque). Diogo Miranda aponta que as apresentações em Paris, apesar de "mais difíceis" por toda a logística e pressão envolvida, têm gerado críticas positivas que se reflectem em vendas, especialmente de clientes do Médio Oriente.

O roteiro internacional do Portugal Fashion começou em Londres com a jovem designer Daniela Barros, que se apresentou na plataforma On|Off, passou por Milão com Miguel Vieira e Carlos Gil e terminou este fim-de-semana em Paris, com Luís Buchinho e Diogo Miranda. A edição nacional começa dia 21 em Lisboa e prolonga-se até dia 24 na cidade-mãe do evento, o Porto.

O PÚBLICO viajou a convite do Portugal Fashion