Uma das peças criadas por Maria Sjödin
Uma das peças criadas por Maria Sjödin Casual Priest

Moda clerical

Em Barcelos fazem-se roupas para mulheres padres

As roupas de uma consagrada podem ser femininas e modernas. Designer sueca Maria Sjödin apostou e ganhou clientes em vários países.

Em grande parte dos países onde há mulheres no sacerdócio há roupas desenhadas pela estilista sueca Maria Sjödin. Com perto de 4000 clientes, a estilista cria as indumentárias que as mulheres consagradas ao exercício do sacerdócio usam no dia-a-dia.

tops e vestidos, acessórios e joalharia a condizer. “A minha visão ao criar a colecção Casual Priest foi ser capaz de fortalecer as mulheres ordenadas no seu papel, através da roupa”, revela Maria Sjödin como o principal objectivo do seu trabalho. As ideias partem da Suécia mas é em Portugal que são concretizadas com a ajuda de duas fábricas em Barcelos.

“Tenho cliente em todo o mundo. Suécia, Noruega, Finlândia, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia”, responde Maria Sjödin ao Life&Style por e-mail, acrescentando que o feedback que tem recebido, desde que arrancou com a colecção Casual Priest, em 2002, é “muito bom”. “As minhas clientes estão agradecidas pelo design moderno, boa qualidade e conforto”, acrescenta.

Esta parece ser a combinação para o sucesso das criações da estilista sueca, que fez a primeira peça a pedido de uma amiga. “Ela não estava feliz com as camisas que existiam no mercado, que pareciam ser adaptadas das dos homens”, lembra Sjödin no seu site. À amiga propôs um top, com mangas a três quartos, ajustada ao corpo e com o colar branco, obrigatório. Surgiu assim o top EVA, o primeiro destinado às mulheres no clero. Há 13 anos foi lançada a primeira colecção e desde então as encomendas não têm faltado.

No site Casual Priest a cor predominante é o preto, como seria de esperar, mas também há tops e vestidos em tons de verde, cor reservada na Igreja na Suécia aos diáconos, por exemplo. As modelos que aparecem no site e na página do Facebook da Casual Priest têm um ar descontraído e combinam os vestidos minimais com botas de look militar. “Desde que comecei, aprendi muito e apercebi-me da extensão da exigência do vestuário clerical para o sacerdote moderno. A roupa representa quem somos e, por isso, é muito importante sentirmos que estamos bem-vestidos, orgulhosos e confiantes no nosso papel”, defende a estilista sueca.

As peças são idealizadas na Suécia mas foi em Portugal que Maria Sjödin procurou as mãos para criar os tecidos que usa e as roupas que depois vende. “Produzo na Freima, Lda. O tecido vem da Barcelmalhas. Ambas são de Barcelos”, conta a sueca ao Life&Style. Sjödin chegou às duas unidades minhotas através de referências dadas por uma outra marca sueca. “Portugal foi-me recomendado pela boa produção associada a uma elevada qualidade dos produtos. Isso é muito importante para mim e para as minhas clientes”, acrescenta. Algumas peças não chegam concluídas ao estúdio de Sjödin, em Midsommarkransen, no sul de Estocolmo, para poderem ser ajustadas ao corpo das clientes. É aí que são feitos os últimos acertos.

O próximo passo que a Casual Priest vai dar inclui vestes para homem. As versões masculinas incluem t-shirts e camisolas de manga cava ou comprida, ambas com o colar clerical. No site é possível ainda adquirir botões de punho, meias e peças de joalharia, como pendentes com crucifixos e brincos.

À semelhança da Suécia, há vários países onde as mulheres podem ser ordenadas, a grande maioria pelas igrejas evangélicas, uma possibilidade que não se coloca na Igreja Católica. No caso da Suécia, e segundo números avançados pela AFP, existem 2086 mulheres que são sacerdotes, contra 2187 homens. Ainda este ano está previsto que sejam ordenadas mais 23 mulheres, mais 12 que os homens que pretendem entrar para o clero.