- O desfile de Nuno Gama Nuno Ferreira Santos
- O desfile de Nuno Gama Nuno Ferreira Santos
- O desfile de Nuno Gama Nuno Ferreira Santos
- O desfile de Nuno Gama Nuno Ferreira Santos
- Final do desfile de Nuno Gama Nuno Ferreira Santos
- Criações de Miguel Vieira - Woman Nuno Ferreira Santos
- Miguel Vieira - Woman Nuno Ferreira Santos
- Miguel Vieira - Woman Nuno Ferreira Santos
- Miguel Vieira - Woman Nuno Ferreira Santos
- Miguel Vieira - Woman Nuno Ferreira Santos
- A colecção de Lidija Kolovrat intitula-se "Wave" Nuno Ferreira Santos
- Lidija Kolovrat, "Wave" Nuno Ferreira Santos
- Lidija Kolovrat, "Wave" Nuno Ferreira Santos
- Lidija Kolovrat, "Wave" Nuno Ferreira Santos
- Dino Alves apresentou a sua colecção ao início da tarde de domingo Nuno Ferreira Santos
- Dino Alves Nuno Ferreira Santos
- Dino Alves Nuno Ferreira Santos
- Nos bastidores, antes do início do desfile de Pedro Pedro Nuno Ferreira Santos
- A colecção de Pedro Pedro, "Kawa/Flow" Nuno Ferreira Santos
- O designer propõe para o próximo Verão sportswear ladylike Nuno Ferreira Santos
- Pedro Pedro para o Verão 2015 Nuno Ferreira Santos
- Pedro Pedro para o Verão 2015 Nuno Ferreira Santos
- Pedro Pedro para o Verão 2015 Nuno Ferreira Santos
- Pedro Pedro para o Verão 2015 Nuno Ferreira Santos
- Valentim Quaresma e a sua colecção de acessórios Illusion Nuno Ferreira Santos
- Quaresma usou ganchos de cabelo e materiais naturais como o ónix Nuno Ferreira Santos
- Valentim Quaresma, Illusion Nuno Ferreira Santos
- Nos bastidores do desfile de Valentim Quaresma, os detalhes de aplicação da maquilhagem Nuno Ferreira Santos
- Bastidores Nuno Ferreira Santos
- Ao todo, 20 mil pessoas passaram pelo Pátio da Galé nos três dias de ModaLisboa Nuno Ferreira Santos
- Bastidores de Saymyname, de Catarina Sequeira Nuno Ferreira Santos
- Bastidores Nuno Ferreira Santos
- O final do desfile da marca Saymyname, de Catarina Sequeira Nuno Ferreira Santos
- Nuno Gama nos bastidores do seu desfile, antes de o mesmo começar Nuno Ferreira Santos
ModaLisboa
Ondas, corpos, estreias e transferências — a natureza entra na ModaLisboa
A ModaLisboa ficou marcada por estreias e transferências, como no futebol — que também entrou na festa de Nuno Gama que fez cair o pano, e a roupa.
Chuva forte, desfiles cheios de natureza — exterior lisboeta e interior da moda despediram-se na noite deste domingo da 43.ª ModaLisboa, que recebeu cerca de 20 mil pessoas no Pátio da Galé. Uma edição marcada por estreias e transferências, como no futebol — que também entrou na festa de Nuno Gama que fez cair o pano, e a roupa, desta ModaLisboa.
Coube então aos homens da Arrábida de Nuno Gama o fecho da 43.ª ModaLisboa, com cerca de 80 manequins e convidados na passerelle para recordar a serra da infância do designer e frisar novamente a preponderância do algodão. Calções, verdes caqui e azuis com apontamentos frutados e florais de vermelho e laranja e bordados a dourado fizeram a festa, que teve leituras de textos de Sebastião da Gama, também ele natural da Arrábida, e dança. Um dos mais concorridos desfiles da ModaLisboa, e também um dos mais celebrados pela audiência, incluiu o realizador Ruben Alves, o arquitecto e artista plástico Júlio Quaresma e o ex-árbitro Pedro Henriques a desfilar, para terminar — como já é habitual e esperado pelo público — com os fatos de banho.
Mas, ainda ao início da tarde de domingo, as pétalas começaram a cair (propositadamente) dos vestidos de Dino Alves, depois de suspiros, sucções e outros ruídos darem som a Lick Me, Eat Me, Taste Me, Kiss Me — nome de colecção longe dos bilhetes apelativos ao consumo de Alice no País das Maravilhas, mas com convites directos aos sentidos e com a participação da actriz de filmes para adultos Érica Fontes. Depois, foi com Pedro Pedro, enquanto chovia lá fora, que a brisa marítima chegou para o Verão 2015.
Kawa/Flow é um sportswear ladylike contrariado de um designer que, um passo de cada vez, vê o seu mercado crescer. Explica ao PÚBLICO, depois de um desfile aplaudido em cinzas, azuis e brancos e pretos, que não queria fazer sportswear, mas que as escolhas de tecidos, por onde tudo começou, assim o ditaram. Linhos, algodão, sedas e felpas americanas. De repente estava nos anos 1930, num ambiente marítimo, e teve de "contradizer ao máximo o que os tecidos dizem — por isso, a base é muito clássica, com viés, drapeados, blazers e conjuntos nas malhas, vestidos e casacos", exemplifica.
Tarde dentro, chuva fora, Valentim Quaresma apresentou Illusion, "um novo olhar sobre a natureza e a sua evolução", com ónix, vidro e cobre na passerelle que receberia depois os Escaravelhos da marca de Catarina Sequeira, Saymyname.
A noite caiu à boleia da Wave de Lidija Kolovrat e deu lugar às mulheres de Miguel Vieira com uma Nova Essência — o criador soltou as silhuetas, desceu a sua mulher mais emblemática ao solo com ténis e acessórios mais desportivos e, dentro da paleta preto/branco/lavanda, anunciou "uma nova fase, uma nova atitude", fruto da influência do desporto nas passerelles e no quotidiano. Seda, cetim de seda e tecidos estruturados com alguns detalhes de alfaiataria misturaram-se com elementos femininos num desfile muito aplaudido e que contou com o ministro da Economia, António Pires de Lima, na assistência.
Como no futebol
Se Lisboa ditasse tendências como as congéneres internacionais, elas passariam pelas riscas, pelo preto e branco e pelos azuis, indigo e escuro, verdes menta e amêndoa. Foram essas algumas das linhas com que se coseram os 18 desfiles (um dos quais colectivos, com os dez jovens talentos do Sangue Novo) da ModaLisboa que, tal como o Porto e o Portugal Fashion, é sim uma montra para divulgar o trabalho dos criadores portugueses. E que assistiu esta estação à transferência de dois nomes fortes.
"Luís Buchinho e Nuno Baltazar são Legacy da ModaLisboa", reconhece Eduarda Abbondanza, directora da Associação ModaLisboa sobre o tema desta edição e sobre a saída do calendário do totalista de 42 edições e do criador portuense que, juntos, funcionavam como chamarizes de muito público. Ambos vão apresentar as suas propostas para o Verão de 2015 no Portugal Fashion a partir de dia 22, sendo que Buchinho acumulava presenças nos dois eventos de moda e que Baltazar regressa ao Porto após oito anos de ausência. O calendário comercial, com a ModaLisboa a coincidir com outros compromissos dos criadores em Portugal e no estrangeiro, foram os motivos avançados por ambos para a sua saída.
Abbondanza, que saúda a entrada de Christophe Sauvat e Carlos Gil, linguagens que "faziam falta" à passerelle lisboeta, considera que são as limitações orçamentais da ModaLisboa que fazem com que haja momentos destes, de algum "mal-estar". "Parece história de jogadores de futebol", disse sobre as transferências no calendário do pequeno sector da moda portuguesa que, ainda assim, tem "duas organizações que operam no mesmo território e com o mesmo conteúdo".
A ModaLisboa teve nesta edição um orçamento de 580 mil euros, dos quais 317.500 da autarquia e o restante de investimento privado; o Portugal Fashion tem um orçamento, por edição, de cerca de 700 mil euros, segundo a sua organização, fruto de apoios vindos dos quadros comunitários de apoio. "Uma plataforma canibaliza a outra e os seus activos. Não é bom para o país e em nada produz uma mais-valia", remata a responsável.
Segundo Eduarda Abbondanza, os mais jovens nomes na passerelle de Lisboa, os do Sangue Novo, terão um elenco distinto na próxima edição, com alguns deles potencialmente a passar para a plataforma LAB, já para micromarcas. E está também na calha um protocolo com a Start Up Lisboa, um organismo camarário de apoio e incubação de novas empresas na capital.