Desfile do concurso da Elite Model Look 2014
Desfile do concurso da Elite Model Look 2014 Hugo Moura

Modelos

Como se entra no mundo das passerelles?

Olham para os modelos conceituados, pedem conselhos, desejam um dia ser como eles e fazer desfiles internacionais.

Os jovens aspirantes a modelos são novos mas não desistem dos sonhos e vêem os concursos como a maneira mais “fácil” de entrar no meio.

Quem pode e quem não pode ser modelo? O que é um bom modelo? Questões frequentemente deixadas em aberto, no meio de polémicas de extrema magreza e anorexia que mancham o mundo da moda. “Os padrões [de beleza] procurados vão de encontro às tendências do mercado da moda. Actualmente existe uma preocupação em garantir que esses padrões correspondam a corpos e mentes saudáveis”, explica ao Life&Style Raquel Gomes da Costa, directora da Elite Model Look Portugal. Para vingar neste mundo, onde a concorrência é muita, é preciso ter “muita personalidade e atitude” para conseguir sobressair, acrescenta.

Mas, acima de tudo, é preciso ter “os pés bem assentes na terra e muita responsabilidade”, comenta Francisco Ruivo, de 17 anos, vencedor da 31.ª edição do concurso de modelos da Elite, cuja final foi no passado domingo. Falaram-lhe do concurso, disseram-lhe que era “dos melhores da actualidade” e arriscou. “Sempre tive muito interesse nesta área embora não soubesse como fazer parte dela”, explica. O passo seguinte é a China, onde se realiza a final mundial da competição. 

O concurso anual da Elite Lisbon – a agência de modelos que catapultou para a fama nomes como Sofia Aparício (a vencedora da primeira edição do concurso), Soraia Chaves, Jani Gabriel e Ruben Rua – é aberto a jovens, rapazes e raparigas entre os 14 e os 22 anos. “São muito jovens e há uma preocupação em acompanhá-los”, diz Raquel Gomes da Costa, explicando que existe um acompanhamento cuidado quer no decorrer dos castings, quer nas provas que prestam ao longo da competição.

Ruben Rua, que fez parte do júri, considera estes concursos a melhor maneira de entrar no meio e ganhar visibilidade. É uma “experiência gradual de absorção do meio”, mas salienta que “tal como qualquer outra profissão, exige sacrifícios, dedicação e muito trabalho”.

Já Tó Romano, director e fundador da Central Models, a agência que promove o concurso Fresh Faces, diz que ser modelo “foi em tempos uma profissão a tempo inteiro, hoje é mais um hobby de excelência”. “Existem demasiados modelos no mercado para o trabalho existente, o campo da passerelle também decresceu e Portugal é um mercado muito pequeno, não permite que cada modelo possa publicitar muitas marcas”, aponta.

É através destes concursos, onde os futuros modelos são avaliados, formados e acompanhados que a entrada no meio é feita de forma profissional. Depois da inscrição prévia, são feitos castings em várias cidades e depois são seleccionados os finalistas. Foi o caso da modelo Sara Sampaio. Participou no concurso da Central Models, aos 15 anos, e agora é uma das modelos portuguesas com mais visibilidade: já fez parte de várias campanhas fotográficas e desfilou em passerelles um pouco por todo mundo. "É uma boa idade", diz Tó Romano. “Não quer dizer que entrem no mercado de imediato. Dá tempo para nos preocuparmos com a sua formação”, acrescenta.

A questão da altura é outro dos entraves para muitos jovens mas tem também a ver com o tipo de trabalho de modelo a realizar. “Para passerelle, um metro e 70 nas raparigas é uma altura que, quando comparada com outras manequins, pode ser baixa. Mas a atitude, a postura e a personalidade são muitas vezes factores que fazem frente a alguns centímetros”, esclarece a directora da Elite.

O que leva um jovem a querer ser modelo?
Tó Romano diz, sem dúvidas, que há quatro factores que levam os jovens a ambicionar uma carreira de modelo: “A beleza, o glamour, o reconhecimento. E o dinheiro que podem ganhar”. Francisco Ruivo não acha que seja só isso. Fala do trabalho de modelo como uma “arte”, da agência Elite como uma “família” e diz que, depois de entender a beleza deste trabalho, se apaixonou “instantaneamente pela câmara e pela passerelle”.

Raquel Gomes da Costa acha que são as referências nacionais e internacionais, a que os jovens têm acesso, que os fazem sonhar. Há cada vez mais acesso a informação sobre o papel de um modelo, há cada vez mais concursos e agências. “Só precisam de lutar pelos seus objectivos, sem nunca se venderem a nenhum lobby”, diz Ruben Rua, lembrando que “o trabalho é a única chave do sucesso”, acrescenta.

Mas além do trabalho, quem consegue entrar no mundo dos manequins, tem de ter atenção ao corpo e gerir bem a sua imagem. “Há cuidados que têm de ser contínuos. Principalmente os de corpo, pele e alimentação”, realça Raquel Gomes da Costa. “Mesmo que seja uma profissão conciliada com outras actividades, por exemplo os estudos, nunca se pode deixar de ser modelo”, diz.