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Se é mãe, saiba que a culpa nem sempre é sua!

Sente-se culpada por dar raspanetes ao seu filho? Por lhe dar palmadas? Por chegar tarde a casa? Por não brincar com ele tanto quanto gostaria? Se sim, não é a única, e, pode relaxar, porque a culpa “nem sempre é sua”. Quem o garante é Sónia Morais Santos, no livro A culpa não é sempre da mãe, lançado esta terça-feira, na Fnac do Colombo, em Lisboa.

A jornalista e autora do blogue Cocó na Fralda, assume ao Life&Style, que há vários anos que a “ideia de culpa” lhe desperta o interesse. No entanto, foi depois de ser mãe que descobriu que a culpa que as mães sentem é diferente, “é voraz”. Por isso, decidiu lançar este livro para demonstrar que as mães não são, nem têm de ser perfeitas e, de certa forma, resgatá-las deste sentimento “por vezes tão violento”.

As mães sempre estiveram associadas à vida familiar, e ainda hoje, por mais emancipadas que estejam em termos profissionais, continua-se, de acordo com Sónia Morais Santos, a depositar nelas “uma profunda carga no que diz respeito à educação e ao crescimento até emocional dos filhos”. Para este comportamento contribuiu a atitude “severa” da psicanálise em relação às progenitoras, culpabilizando-as “de muito do que acontecia de mal aos filhos, a nível psicológico”. Actualmente, os pais estão cada vez mais envolvidos na vida dos filhos, e essa atitude generalizada liberta-os de “qualquer culpa que pudessem sentir”, considera.

Apesar da forma humorística com que aborda esta temática, Sónia Morais Santos garante que não lida “nada bem com a culpa” e que sente-se culpada “todas as semanas”, “para não dizer todos os dias”. “O humor e alguma relativização salvam-me da minha própria bitola, sempre muito alta”, revela.

Conhecida pelos artigos que publica acerca das peripécias da maternidade, a jornalista assegura que não é uma “mãe-especialista”, mas sim uma mãe de três filhos com “um milhão de defeitos”, que “falha todos os dias, mas que todos os dias procura ser melhor que no anterior”.

Então porque sentem as mães tanta culpa? Porque os filhos são, actualmente, considerados “algo precioso”, o que fomenta a tendência dos pais quererem “dar-lhes tudo” e aumenta o stress em que vivem. “Se tivéssemos 14 filhos, como antigamente, não conseguiríamos, por uma questão de sobrevivência e sanidade mental, estar tão obsessivamente centrados em todos”, justifica.

Para a jornalista, “as mulheres querem à força ser bem vistas pelas outras mulheres”, o que faz com que olhem para a maternidade como uma “competição”. Até porque a maternidade é, para muitas mulheres, “um grande factor de validação”. “Algumas parecem ainda só sentir a verdadeira realização através da maternidade. E, por isso, ser melhor que a do lado é importante”, explica.

Muitas mulheres depois de darem à luz, tornam os filhos a única prioridade da sua vida, remetendo os maridos ao esquecimento, o que faz com que muitos casamentos comecem a dar para o torto depois da maternidade. Para Sónia Morais Santos o fundamental é “continuar o romance”, por isso propõe a todos os casais que estejam a passar por esta situação:

– Jantar fora a dois (se não houver dinheiro para jantar fora, pedir a uma avó ou amiga para ficar com a criança e jantar em casa, a dois)”;

– Continuar a fazer surpresas ao outro;

– Reservar pequenos momentos para os dois: um almoço, um café, uma noitada;

– Fazer uma semana de férias por ano sem os miúdos.

Aliás, fazer férias a dois é, de acordo com a jornalista, “altamente retemperador”, o casal volta “mais apaixonado” e os filhos “sentem-no e ganham com isso”, além de que as próprias crianças “precisam de férias dos pais”.

A autora do blogue Cocó na Fralda, que conta com cerca de 20 mil visitas por dia, garante que o segredo do sucesso daquele espaço na Internet é “ser genuíno”. Para Sónia Morais Santos, as pessoas negativas que visitam o blogue, encontram nele “um rasgo de boa disposição e estupidez natural” e as positivas, provavelmente, revêem-se na sua “forma de viver a vida”. Para a autora, o facto de não se levar “muito a sério” e “gozar” com ela própria, permite-lhe “divertir as pessoas”.