Helena tem faz uma comida
Helena tem faz uma comida "terrivelmente excitante mas acessível" DR

Prémio The World's 50 Best Restaurants

A brasileira Helena Rizzo é “a melhor chef do mundo"

Já tinha sido eleita a Melhor Chef da América Latina. Agora, Helena Rizzo, do restaurante Maní, em São Paulo, acaba de receber o prémio Veuve Clicquot para a Melhor Chef do Mundo – a distinção, que visa dar visibilidade às mulheres no universo da alta cozinha, é do The World’s 50 Best Restaurants, uma iniciativa da revista Restaurant.

O trabalho de Rizzo, que faz dupla com o seu marido, Dani Redondo, foi considerado “um exemplo de uma cozinha inovadora mas também com alma”, que resulta “numa comida terrivelmente excitante mas acessível”, segundo o World’s 50 Best.

Na linha do que começou a ser feito no Brasil por Alex Atala, do D.O.M., Helena e Dani trabalham os ingredientes brasileiros, aplicando técnicas modernas, e introduzindo alguma influência internacional, sobretudo espanhola (Dani é espanhol, e os dois conheceram-se na cozinha do El Celler de Can Roca, em Girona, actualmente considerado o melhor restaurante do mundo na lista do World’s 50 Best).

Depois de um início de carreira como modelo e de uma passagem pelo curso de arquitectura, Helena decidiu dedicar-se inteiramente à cozinha, e após um período de aprendizagem em vários restaurantes na Europa, regressou ao Brasil, para, em 2006, abrir o Maní, na zona dos Jardins, em São Paulo, onde se concentram os melhores restaurantes da cidade.

No início de 2013, Helena e Dani passaram por Portugal, a convite do programa Portugal dos Sabores, que trouxe ao Vila Joya, no Algarve, alguns dos mais destacados chefs brasileiros. Na altura, a chef falou ao Life&Style da sua experiência em Espanha, onde chegou com 21 anos: “Aí me conectei com aquela coisa aberta, cheia de possibilidades, podendo misturar conceitos, com arte misturada, poesia misturada, terroir, técnica”, disse, explicando que em Espanha não se aprende apenas a usar a técnica, aprende-se a investigá-la e a procurar o que cada ingrediente tem para oferecer. 

Helena participou então de uma excursão ao Alentejo em busca de túberas (uma versão mais modesta de trufas), que depois quis usar num dos pratos que apresentou no Vila Joya, o Ovo Perfecto, um ovo cozinhado a baixa temperatura sobre um creme de palmito pupunha. Na altura, explicou ao Life&Style que esse tipo de trabalho de descoberta das potencialidades de novos produtos é algo que faz continuamente no Maní.

“A gente cada vez mais busca produtos locais, relações com os produtores. No Brasil, a cada dia chegam-nos produtos novos, que nunca tínhamos experimentado na vida, e às vezes a gente sente-se como uma criança cheia de produtos para brincar e sem saber bem em qual é que vai pegar primeiro”, contou. Com estes produtos, faz uma cozinha que descreve como “muito centrada na simplicidade, uma coisa despojada, tranquila, em que se trabalha a leveza e a pureza dos ingredientes”.

A escolha de Helena Rizzo como Melhor Chef do Mundo 2014 é mais um sinal do bom momento que atravessa a gastronomia brasileira. O Maní ocupa o 46º lugar na lista dos melhores restaurantes do mundo, e o 5º na dos melhores restaurantes da América Latina.

O Prémio The World's 50 Best Restaurants/Veuve Clicquot para a melhor chef feminina começou em 2011, ano em que foi atribuído à francesa Anna-Sophie Pic. No ano seguinte, a distinguida foi a espanhola Elena Arzak, e em 2013 o prémio foi para a italiana Nadia Santini.