As três variedades da cerveja Dux
As três variedades da cerveja Dux

Dux Beer

Uma cerveja artesanal feita em Coimbra

A dourada é atractiva e sedutora, a prateada encorpada e a preta aveludada. Uma marca de cerveja, três criações diferentes do mestre cervejeiro José Miguel Faria e do seu fiel provador Pedro Domingos.

José e Pedro estudaram Informática, mas é a cozinhar e a inventar novas receitas de cerveja que se sentem bem. Juntaram o gosto da cozinha ao gozo de beber cerveja e criaram uma nova marca à escala tradicional.

Artesão de mão cheia, José começou a fabricar cerveja aos 20 anos para consumo próprio. Juntava os amigos em jantares para saborearem as suas experiências ao mesmo tempo que ia alimentando o sonho “de um dia criar uma marca, ter uma fábrica e começar a fazer a coisa mais a sério”, recorda. Pedro era um desses amigos e hoje é o seu sócio.

Da decisão de avançar para o registo e lançamento da marca foi um pequeno passo. A 1 de Outubro a Dux foi lançada oficialmente para o mercado e hoje os dois sócios assumem que gostam “mais de fazer cerveja do que fazer software”.

A Dux é uma cerveja artesanal feita a partir de produtos 100 por cento naturais, não é filtrada nem pasteurizada, não tem corantes nem conservantes e o gás natural é obtido pela fermentação das leveduras. Os ingredientes que a tornam exímia não são segredo: “Água, cereais maltados, lúpulos e leveduras, mais nada. Tudo o que seja para lá disto já não é considerado pela lei da pureza da cerveja”, afiança José. O toque final, esse é do mestre: “É uma questão de meter mais um bocadinho, menos um bocadinho”.

“Cozinhar e produzir cerveja é muito parecido, eu sempre gostei de ambas”, adianta Pedro. No entanto, fazer cerveja artesanal demora bastante tempo, não é coisa que se possa fazer de manhã e beber à tarde. A produção começa na fermentação, que demora cerca de dez dias, depois entra numa fase de maturação que, mediante o tipo de cerveja, pode demorar um mês e meio a três meses: “No caso de algumas cervejas mais fortes e mais especiais pode chegar a demorar seis meses a maturar”, diz. O processo é todo registado e as garrafas são etiquetadas para não se perder o fio à meada e às tantas perder a receita nos meandros do esquecimento.

A qualidade da água é um factor importante. Coimbra tem uma tradição cervejeira que desapareceu nos últimos anos, mas que voltou a aparecer em 2009. As marcas mais antigas eram a Topázio e a Onix, cervejas de Coimbra com grande fama nacional. “É engraçado que hoje em dia, quando vou de norte a sul do país e digo que sou de Coimbra, toda a gente diz ‘ai que saudades da cerveja de Coimbra, a Topázio’ ”, refere José Miguel Faria.

Uma cerveja informatizada

O projecto é recente, mas a degustação já há muito que era feita pelo Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, do qual José faz parte. Entre cantos, houve sempre tempo para as cerca de 60 cobaias experimentarem as cervejas. A afinação das receitas resultou de um processo moroso que durou vários anos: “Comecei a fazer umas experiências, algumas correram bem, outras correram mal”, conta José. Adepto das potencialidades que o produto encerra, este cozinheiro faz cerveja ao estilo dos apreciadores desta bebida dourada, porque “cada boca é uma sentença”.

A confiança no produto é total, mas quem vai ditar a sua presença no mercado é o consumidor final. Todas as cervejas foram submetidas a vários provadores de paladar muito apurado, inclusive Filipe Neto, sommelier campeão nacional: “É unânime entre eles que a nossa cerveja é, sem dúvida, a melhor das artesanais”, remata José.

Os que pensam que a cerveja é toda igual enganam-se. “As cervejas artesanais são muito diferentes das industriais que têm uma série de outros processos que vão pôr a cerveja mais translúcida”, explica José. As artesanais são turvas porque não são filtradas, não passam por processos de clarificação, o que faz com que a cerveja seja diferente. “Há pessoas que dizem que gostam até mais das cervejas artesanais porque lhes faz lembrar a bolha do espumante, que é mais fininha, mais suave”, conclui.

No início, todo o processo de produção, engarrafamento e rotulamento passava pelas mãos dos dois amigos. Hoje, confessam ter “uma terceira ou uma quarta pessoa, consoante seja necessário” para ajudar. Estes informáticos enamorados pela arte de criar cerveja têm tudo informatizado, não havendo espaço para falhas. Como o mais importante são as temperaturas, e um desvio de alguns graus pode estragar toda uma produção, têm termómetros ligados a computadores que registam a temperatura segundo a segundo: “Se houver algum problema isto avisa-nos para os telemóveis”, através de alertas automáticos, explica José.

Nada foi deixado ao acaso. Desde estudos de colocação de rótulo à escolha da garrafa, José e Pedro casaram tudo aquilo que consideram o “mais discreto, mais simples, sem grandes floreados”. 

Sete euros por garrafa

Para garantirem o sucesso lançaram três variedades. E não é à toa que Dux foi o nome escolhido para associar à marca. Para quem de história sabe e Coimbra conhece, Dux era o líder dos romanos e é também o expoente máximo da praxe académica. Embora a cidade de Coimbra seja boémia pela noite, pelo seu preço, esta não é uma cerveja para estudantes: “Não é propriamente fácil um estudante comprar uma garrafa que está no mercado na casa dos sete euros”, afirma José.

O espaço onde produzem tornou-se exíguo para tamanha procura. A próxima fase é por isso caminhar a passo apressado para novas instalações. Com tempo e espaço, fica a promessa de novas experiências sensoriais: “Temos na manga cervejas especiais que podemos fazer, umas edições limitadas”, adianta Pedro. Outra opção é fazer a Weiss ligeiramente diferente e pôr em barril. Para já, vão manter este modelo e estas receitas, e depois ter uma outra linha: “Não lhe vou chamar mais industrial, mas feita em maiores quantidades”. A conquista do mercado internacional virá com o tempo.

A Dux Beer não tem um espaço próprio de venda ao público, mas está disponível em vários bares e restaurantes de Coimbra e em outras regiões do país. Custa cerca de €7 por garrafa. Mais informações na página oficial de Facebook da marca.