• O artista pop destaca-se entre a multidão de qualquer evento de moda
    O artista pop destaca-se entre a multidão de qualquer evento de moda DR
  • Uma das primeiras aparições de Pandemonia, em homenagem a Jessica Rabbit
    Uma das primeiras aparições de Pandemonia, em homenagem a Jessica Rabbit DR
  • Da cabeça aos pés, o látex colorido e por vezes insuflado impera
    Da cabeça aos pés, o látex colorido e por vezes insuflado impera DR
  • Pandemonia num dos seus mais celebrados outfits
    Pandemonia num dos seus mais celebrados outfits DR
  • O artista em São Paulo a convite da marca Melissa, com a qual partilha a base de PVC
    O artista em São Paulo a convite da marca Melissa, com a qual partilha a base de PVC DR
  • O universo da boneca pop mais conhecida de Londres
    O universo da boneca pop mais conhecida de Londres DR
  • Uma das muitas sessões fotográficas onde mostrou a sua versatilidade
    Uma das muitas sessões fotográficas onde mostrou a sua versatilidade DR
  • Pandemonia espera por um táxi à saída da Semana da Moda de Londres, em Março de 2013
    Pandemonia espera por um táxi à saída da Semana da Moda de Londres, em Março de 2013 Suzanne Plunkett/REUTERS
  • Um auto-retrato de Pandemonia para a capa da revista OK
    Um auto-retrato de Pandemonia para a capa da revista OK DR
  • Pandemonia ao lado de James Franco durante a inauguração de uma exposição do também actor norte-americano
    Pandemonia ao lado de James Franco durante a inauguração de uma exposição do também actor norte-americano DR

Pandemonia: esta super-heroína não voa, boia

É alta e esbelta, e veste-se sempre de vinil: não, não estamos a falar de Cat Woman mas de Pandemonia, a nova “gata” da cena artística londrina.

Anónimo por completo e por escolha pessoal é contudo fácil deduzir que se trata de um homem versado e com uma mensagem muito pertinente sobre e para o mundo actual. “A Pandemonia foi criada como um instrumento visual para descrever os tempos modernos, um pouco como um A Rake’s Progress do presente”, revela o artista por baixo do látex ao Life&Style. A obra A Rake’s Progress, de William Hogarth, do século XVIII, é uma série de quadros, qual storyboard, que descreve a queda de Tom Rakewell, o herdeiro de um rico mercador que perde todo o seu dinheiro na vida boémia quando chega a Londres. Pegando nessa imagem e evocando também o épico poema bíblico Paradise Lost de John Milton, que criou o conceito de pandemonium, lugar onde todos os demónios vivem, Pandemonia (plural de pandemonium) é uma artista post pop londrina, contemporânea mas igualmente revolucionária. 

A escolha da forma feminina deveu-se ao facto de a “imagem da mulher ser onde está a vanguarda da dissuasão. Tanto homens como mulheres gostam de olhar para a mesma, se bem que por razões diferentes”. E o anonimato "foca as atenções no trabalho e nas ideias", explica o artista. 

Blogger de moda e jornalista dos britânicos Daily Mail e The Independent, Pandemonia “nasceu” em 2009, numa exposição de Tracey Emin. “A Pandemonia já andava por aí há algum tempo. Mas as minhas ideias cristalizaram-se por volta de 2009 e a exposição de Emin foi o primeiro evento relevante” digno da sua presença. Sob a forma de um cartoon 3D, literalmente vestida da cabeça aos pés com as suas próprias criações feitas em vinil - incluindo o seu cão e melhor amigo Snowy - daqui em diante, seria presença assídua nos mais badalados eventos sociais de Londres. 

“Um pastiche de látex da mulher ‘ideal’. Brilhante e hiper realista, ela descreve-se como ‘uma paródia social, empacotando artificialidade e falta de conteúdo’”, podemos ler na entrevista que deu à revista iD. Entrevista, também em 2009, que foi o seu "Grito de Ipiranga" já que, desde então, Pandemonia se tornou presença assídua não só em variados eventos mas também em diversas publicações como a Vogue italiana, a britânica The Times e o portal de notícias norte-americano The Huffington Post

Considerada uma versão contemporânea de Grayson Perry (artista conhecido pelos seus vasos de cerâmica e pelo seu alter-ego feminino “Claire”) pela revista londrina Who’s Jack, o artista que se esconde por detrás de uma boneca de tamanho real apaixonou-se pelo mundo da pop “por ver muita televisão”, revela. Mas as suas influências variam do escultor Policleto da Grécia Antiga à arquitectura de Buckminster Fuller e Zaha Hadid.

E é claro que um artista de tantas influências que passa as suas folgas “no estúdio a trabalhar em novas ideias, a pensar sobre as coisas e a ler livros”, tem algumas opiniões a partilhar. A sua existência é desde logo a primeira: uma sátira à obsessão pelas celebridades de hoje em dia que Pandemonia vê como “direccionada pelo mercado". "O público adora celebridades porque elas são uma história partilhada. Todos podem entrar na conversa. E os marketeers adoram-nas porque são grandes consumidoras e réplicas umas das outras”.

Dedicada a “colocar o seu trabalho no nicho das celebridades” Pandemonia assim o conseguiu de forma brilhante. Ao ser uma crítica deste mundo foi contudo muito bem aceite no seu seio: a designer Vivienne Westwood amadrinhou-a e a marca brasileira de sapatos Melissa é uma das suas patrocinadoras. E basta vê-la agora na primeira fila da Semana da Moda de Londres ou na Semana da Moda de São Paulo, a convite da Melissa, para isso perceber.

Confidencia que a sua criação preferida é o vestido em três tons de rosa e castanho que usou na Semana da Moda de Londres no início do ano, e que a sua escolha de uso de PVC tem a ver com o facto de ser um material “perfeito e sem falhas”. E, quanto a questões ambientais, o artista afirma: “[A borracha] Cresce nas árvores e, como os meus sapatos Melissa, é reciclável”.

Estando, de momento, à espera da oportunidade certa para mostrar as pinturas e esculturas em que tem estado a trabalhar, Pandemonia continuará a marcar presença em eventos sociais da área das artes. Como possível statement para o mundo, deixa o repto “Seria bom ser recordada por mostrar às pessoas uma nova visão do mundo e por lembrá-las de que somos todos actores num palco”.