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    Desfile de Ricardo Dourado Bruno Castanheira
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  • Bastidores do desfile Cia. Marítima
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ModaLisboa Ever.Now

Quando a moda invade a Praça do Município, isso é a Primavera 2014

Se os romanos receitavam pão e circo para o povo, os criadores da ModaLisboa aprenderam bem a lição e fizeram do sábado o espectáculo da moda portuguesa.

Chama-se ModaLisboa por alguma razão: não só porque é na capital, onde se juntam criadores do país e arredores, mas também porque é um evento de e para a cidade. Sexta-feira à noite, os desfiles dos jovens criadores da plataforma Sangue Novo giraram à volta da entrada da câmara municipal. Ontem, com um sábado mais cinzento ainda a acordar, a passerelle estendeu-se para que todos, mesmo os autocarros com turistas e as ambulâncias que passavam, pudessem ver a página em branco de Luís Buchinho a preencher-se no corpo dos modelos. E, mais tarde, ver a vontade de Ricardo Dourado de fugir da cidade dentro dela.

O Verão de 2014 de Buchinho foi uma sequência de vestidos, jumpsuits e ombros descobertos de tons neutros e calmos, a fazer lembrar um dos capítulos do livro de tendências de nomadismo de que na sexta-feira falavam os peritos da Trend Union a propósito do que seria o espírito da próxima estação. Vontade do "início de algo novo", nas palavras do criador, partindo dos esboços como inspiração para uma colecção com os cortes do ADN do criador e do cinza ao branco papel, passando pelo azul.

As suas viajantes urbanas cruzaram-se com os ângulos da calçada portuguesa e as suas roupas foram-se preenchendo de riscos, como do dia para a noite - a caminho de outras cidades, talvez. Como as do Caos de Valentim Quaresma, que lançou para o interior da Câmara de Lisboa homens e mulheres prontos para a guerra metálica. Imagens fortes em que o criador tenta responder às perguntas sobre o que pode nascer quando se junta barroco e minimalismo, tribal e gótico.

Por falar em tribos, voltemos lá fora e veja-se o que o sempre urbano Ricardo Dourado trouxe para a cidade. Que foi, como se anunciou no corpo de um manequim, Drop The City - a comunidade artística californiana dos anos 1960 deu o título, mas Gus Van Sant deu a estética e Larry Clark os ambientes. E Dourado, e a sua música a espalhar-se pela Praça do Município, deu as "soluções para escapar da cidade, do espaço físico" em que vive, para "escapar dela". Esse é, diz, "o statement" da colecção, irreprimivelmente urbana e irremediavelmente pertença das subculturas das cidades, do surf ao skate, do fato de treino aos vestidos, para mais novos e contestatários. Foi na fábrica onde trabalha, a Pólo Piquet, que fez as malhas; os tecidos duplos vêm da RioPele; a abertura de mundo e o contacto com a indústria de moda rápida fizeram-no crescer mais do que, diz, quando estava refugiado no seu atelier. Trabalha, e muito, com a Zara, e viajar, e muito, graças à Zara, deu-lhe mundo.

A dupla Os Burgueses (que nesta 41.ª ModaLisboa foi um trio ao convidar Sara França para desenhar) esteve a comer bananas nos corredores da Câmara de Lisboa. Bananas nas calças, bananas nas camisas, bananas nos sapatos, salada de fruta nos folhos e estampados, toucados à la Carmen Miranda - referência incontornável para quem com eles falava no final do desfile -, uma abordagem diferente de quem só queria passar do Blackout! da estação passada à diversão.

O sábado de ModaLisboa passou, ao final do dia, para o interior do Páteo da Galé, onde Dino Alves falou de 2D, sintomático passo atrás para usar o "excesso de informação" do quotidiano, simplificando as duas dimensões em vez do jogo a 3D que domina a cultura popular. A noite continuou, já depois do fecho desta edição, com Alexandra Moura, Miguel Vieira e Nuno Gama.

Hoje encerra a 41.ª ModaLisboa com desfiles do estreante Luís Carvalho, da dupla internacional Marques Almeida e do consagrado Nuno Baltazar, que fecha a noite.

Os sábados espectáculo da moda portuguesa

Se os romanos receitavam pão e circo para o povo, os criadores da ModaLisboa aprenderam bem a lição. Quando caiu a noite, alguns dos criadores mais conceituados entraram em cena e trouxeram entretenimento ao Páteo da Galé.  
 
Dino Alves propôs uma fuga para outra dimensão. Como recusa aos tempos em que vivemos, deu um passo atrás até ao 2D. O resultado foram padrões xadrez, linhas assimétricas e peças cortadas por barras de cor e fechos para um resultado gráfico a duas dimensões. “O ‘over dress’ torna-se mais chique e moderno se transformado em ‘over less’”, defendeu o criador, numa versão particular do lema “Less is More”.
 
Na edição anterior da ModaLisboa, Dino Alves apresentou a sua primeira incursão pelo excitante mundo do calçado português através de uma parceria com a Dysfunctional Shoes. Para a Primavera/Verão 2014, o designer desenvolveu novamente vários modelos com a jovem marca de calçado e inaugurou uma linha de acessórios produzidos pela Olhamar. Conceptual e assumidamente ‘artsy’, Dino Alves parece determinado em pôr o seu nome no mercado, acompanhando outros criadores de moda portugueses que se desdobram em parcerias com marcas e em linhas complementares de óculos, sapatos e malas – muitas vistas em primeira-mão aqui na ModaLisboa. A colaboração de Alexandra Moura com a Goldmud, outra marca portuguesa de calçado, ou a de Nuno Gama com a Eureka, mais um nome da família dos sapatos ‘made in Portugal’, não deixam dúvidas sobre o dinamismo desta indústria que já é a sexta maior exportadora nacional.

Mas se as colaborações de criadores de moda com marcas de calçado já são algo comum, Nuno Gama entrou noutra indústria tradicional portuguesa para dar espectáculo sábado à noite. O criador apresentou uma versão bem portuguesa dos Pin Y Pon, pondo os seus modelos a desfilar com formas de cerâmica que, tal como acontecia com os famosos bonecos, lhes servia de cabelo rígido. Estava dado o mote para uma colecção que presta homenagem à cerâmica e ao azulejo através de cabeleiras, papilons e flores de lapela desenvolvidas pela Oficina de Porcelanas do criador. Os seus motivos mais tradicionais traçados em tons de azul e branco deram a alma portuguesa que caracteriza o trabalho de Nuno Gama - e delicadeza às silhuetas viris que o designer tanto aprecia. As novidades surgiram na forma de uma linha de capacetes para a Nay Helmets e com a apresentação da linha de óculos de sol. Em todos, o pincel suave da cerâmica portuguesa deixou a sua marca.

O segundo dia da ModaLisboa seria encerrado pelos modelos Nuno Gama a desfilarem em roupa interior, uma tradição do criador de moda que nunca cansa o público que se desloca em manada durante o fim-de-semana até ao Páteo da Galé. Uma ode ao corpo masculino feita na mesma noite em que a Cia Marítima mostrou variações do 86-60-86 dentro de biquínis com penas de pavão, estampados animais e cores fortes, propondo, como seria de esperar, um Verão com muito sex appeal.

Antes, as propostas de Miguel Vieira mostraram o quão completo está o universo do criador. Pela primeira, vez, Vieira mostrou a sua colecção de criança na capital, fazendo desfilar pequenos modelos que arrancaram exclamações enternecidas do público. Para todos os tamanhos e sexos, o criador manteve-se coerente nas propostas elegantes a resvalar para um ambiente de cocktail depois de um dia ocupado no escritório. O espírito dos fatos manifestou-se aliás nas peças femininas com vestidos de lapela e botões como se fossem casacos assertoados. Os tons pastel trouxeram a delicadeza, os padrões aumentaram em tamanho e as pedras coloridas incrustadas trataram de garantir o “bling bling” que caracteriza o o trabalho deste criador. Destaque ainda para Nayma que voltou a pisar a passerelle em mais um desfile-celebração dos 25 anos de carreira de Miguel Vieira.

E no meio de tudo isto, Alexandra Moura a trazer uma brisa de Verão, fresca e serena, com variações de amarelo e estampagens douradas lembrando dias passados de costas na relva e limoeiros a filtrar os raios de sol.  O branco utilizado como tela e em looks totais, como o estendal de lençóis lavados nesse dia de férias imaginário. E os chapéus de palha cortados a meio, protegendo os olhos, mas deixando a descoberto cabelo e nuca, para relembrar que só uma parte de nós está na realidade. Uma evasão ao entretenimento de sábado à noite para dias luminosos de limonada fresca.  

 

Até dia 13 de Outubro a 41ª edição da ModaLisboa toma a capital. Acompanhe a cobertura diária no Life&Style.