• Isabel e o príncipe Felipe no Palácio da Zarzuela, 1990
    Isabel e o príncipe Felipe no Palácio da Zarzuela, 1990 Arquivo pessoal da autora
  • Isabel com um ano ao colo da mãe, em 1966
    Isabel com um ano ao colo da mãe, em 1966 Arquivo pessoal da autora
  • Com os pais e a irmã Cecília em Madrid, 1970
    Com os pais e a irmã Cecília em Madrid, 1970 Arquivo pessoal da autora
  • Na Jugoslávia, durante a lua-de-mel da mãe e de Manuel Ulloa
    Na Jugoslávia, durante a lua-de-mel da mãe e de Manuel Ulloa Arquivo pessoal da autora
  • Índia, 1995
    Índia, 1995 Arquivo pessoal da autora
  • Isabel teve uma filha, Mencía, com Javier Fitz-James Stuart Soto
    Isabel teve uma filha, Mencía, com Javier Fitz-James Stuart Soto Arquivo pessoal da autora
  • A capa do livro
    A capa do livro Arquivo pessoal da autora

Livro de Isabel Sartorius

A ex do príncipe Felipe libertou-se do sofrimento do amor

Isabel Sartorius é uma mulher famosa em Espanha. O livro que escreveu, Por ti faria mil vezes, foi um estrondoso sucesso. A tradução portuguesa chega hoje às livrarias. Uma obra entre a biografia e a auto-ajuda que expõe uma mulher que chegou aos 47 anos liberta — de um romance que foi belo mas doloroso com o herdeiro do trono espanhol, Felipe; liberta de um amor mais profundo mas doente com a mãe.

É enganador o título do livro que a espanhola Isabel Sartorius escreveu e veio apresentar em Lisboa. Por ti faria mil vezes, está na capa, mas, lá dentro, a mulher que foi a primeira noiva do príncipe Felipe de Espanha, corrige: faria “diferente”. Porque a história que conta, que é a sua e a da sua mãe, foi de “amor e sofrimento”, foi de doença. E não tem que ser assim.

Quando decidiu escrevê-la, quis dar sentido à sua vida e à “semente de perturbação” que, diz ela, marcaria o seu futuro. A semente - percebeu já muito tarde - chama-se codependência e é uma doença que, explica Isabel Sartorius ao LifeStyle, “nos faz perder a identidade, o controlo da nossa vida”.

Primeiro, planeou escrever sobre a codependência. 'Quem lerá um livro desses?', perguntaram-lhe os editores. “Disseram-me que teria que escrever sobre a minha história. E, quando se decide escrever um livro sobre um assunto tão importante na tua vida como o é um transtorno, ou se escreve com verdade, com o coração, ou não se escreve”, diz Isabel Sartorius, que se espanta por lhe dizermos que é um livro em que uma pessoa se expõe tremendamente. Estão lá todas as fragilidades, as histórias de família, as depressões, as fugas, o fracasso do romance...

Em Espanha, este livro vendeu muitos milhares de exemplares. Ainda as sessões de autógrafos de lançamento decorriam e já se imprimia a quarta edição.

Isabel Sartorius Zarroquín é, em Espanha, uma mulher famosa seguida de perto pela imprensa do coração. Foi, há 20 anos, a noiva do herdeiro do rei Juan Carlos. Quando o romance acabou, a perseguição não acabou. Isabel tornou-se uma mina de vender revistas: porque estava triste, porque não conseguia esquecer o príncipe, porque não conseguia seguir em frente. Há páginas sobre o namoro em Por ti faria mil vezes, mas há que ler o que está antes para as perceber.

Isabel é uma aristocrata. O pai era o marquês de Mariño, Vicente Sartorius Cabeza de Vaca (morreu em 2002), que nos anos de 1960 conheceu e se apaixonou por uma bela argentina, Isabel Zarroquín. O casal instalou-se em Madrid, teve três filhos - Isabel, Cecília e Luis - e o casamento acabou. Em 1972, Manuel Ulloa Elías, um político peruano no exílio, entra na vida de Isabel e das crianças. “A minha mãe apaixonou-se de imediato por ele”, escreve Isabel. Quando a cena política em Lima muda, Manuel Ulloa regressa, torna-se primeiro-ministro e leva com ele a sua nova família.

“O meu carácter era fantasioso até à medula, muitíssimo intenso e emotivo: um cocktail explosivo”, escreve Isabel de si própria. A mudança que se seguiria faria nascer a codependencia de Isabel e a dependência da mãe — Isabel Zarroquín era cocainómana, um vício que acabaria com a sua vida e condicionaria a daquela filha.

“Não culpo Manuel, ele já nem está vivo. Ela podia ter dito não e ele deve ser culpado por outras coisas — coisas que não estão no livro e que Isabel não conta —, mas não pelo vício dela. O casamento não estava a resultar”, diz Isabel Sartorius. O livro conta que a mãe, uma mulher muito bonita, sociável, sensível e carinhosa, que já deixara um país por causa de um casamento, fê-lo pela segunda vez com um homem complexo e complicado, dependente de drogas, ciumento e namoradeiro, que confinou a mulher em casa, fazendo-a definhar.