Nuno Ferreira Santos

Série "Vencedores do Ídolos" II de IV

Sérgio Lucas: "Preciso de quem me ponha a trabalhar"

O vencedor da segunda edição do concurso ficou conhecido por muitos como "o carpinteiro”. No currículo de Sérgio Lucas encontram-se mais participações em musicais do que discos editados - e até um livro. Nunca se importou de arregaçar as mangas para trabalhar. Se isso significar voltar à carpintaria, que assim seja.

Desde a altura do Chuva de Estrelas que os amigos o incentivavam a inscrever-se em concursos de talentos, mas Sérgio Lucas nunca se entusiasmou muito com a ideia. “Estava habituado ao ambiente underground das bandas de garagem e do teatro amador. Sentia-me bem ali, até porque achava que esses concursos eram para quem tinha cunhas ou muito dinheiro”. Foi preciso um amigo inscrevê-lo no Ídolos, para que, em 2004, participasse num programa de televisão.

“Depois de ganhar o concurso, jurei a mim mesmo que ia mostrar às pessoas que valeu a pena acreditarem em mim”, afirma Sérgio Lucas. O resultado imediato dessa promessa foi o lançamento de um LP com dois originais seus. O álbum Até ao Fim sairia cerca de dois anos mais tarde. A produção esteve a cargo de Luís Jardim, um dos jurados do Ídolos. “Ele desempenhou um papel muito importante no início, até porque assim estava estipulado no contrato”, sublinha.

Não obstante ter um disco editado e toda a notoriedade que envolve um vencedor do Ídolos, Sérgio Lucas tinha os pés bem assentes no chão. “Juntei originais meus e covers e percorri bares, discotecas e festas locais sozinho, porque na altura não ganhava para pagar a músicos”. Do programa de televisão, Sérgio Lucas trouxe a garantia de gravar um álbum. Depois disso, estava por sua conta. “Temos tudo quando estamos no Ídolos e depois, quando saímos, voltamos à estaca zero. Começamos ao contrário”, refere.

Neste processo, o cantor tinha as metas bem definidas. “O importante é que as rádios gostem das músicas, ter um tema numa telenovela ou entrar num top” afirma o cantor. Do primeiro álbum de Sérgio Lucas, os singles Qual a cor e Amantes Fugitivos integraram a banda sonora de telenovelas da SIC. Já a relação com as rádios não se revelou tão positiva e ficou-se pelas emissoras regionais. “Nunca consegui pôr a minha música em rádios com a RFM ou a Comercial, mas fiz alguns jingles ”. Entre 2008 e 2009, Sérgio Lucas gravou spots e separadores para a Rádio Comercial, sob a direcção de Pedro Ribeiro.

O facto de ter vencido o Ídolos não livrou Sérgio Lucas de passar pelos procedimentos comuns de quem se quer afirmar no meio artístico: “Tudo o que consegui fiz sozinho, desde ir a castings a bater às portas de editoras e rádios para mostrar o meu trabalho. Preciso de quem me ponha a trabalhar”. Quando as pessoas estavam a começar a esquecer-se dele, surgiu uma nova oportunidade na televisão. “A produção da SIC convidou-me para prestar provas para a banda residente do programa da manhã”, recorda Sérgio Lucas. Ultrapassados os testes, o cantor passou então a integrar o Quarteto Zé Cabeleira. O repertório reunia vários géneros de música ligeira, o que lhe permitiu descobrir uma versatilidade que não conhecia. Se até então explorava sobretudo o universo dos musicais, da música portuguesa e do rock, no SIC 10 Horas e no Fátima afinou a voz com fados, pimba, pop e mais.