Nuno Norte nos estúdios Jazztrazz
Nuno Norte nos estúdios Jazztrazz José Fernandes

Série "Vencedores do Ídolos" I de IV

Nuno Norte: “Não preciso de aparecer na TV para fazer música”

Dentro de um mês, o título será passado pela quinta vez. Contudo, ainda hoje se podem encontrar painéis que publicitam concertos de Nuno Norte com o característico logo azul impresso. Nove anos e três álbuns depois, o vencedor da primeira edição do Ídolos vai emigrar para o Brasil.

A televisão não está no topo de preferências de Nuno Norte, nem para ver nem para ser visto. “A minha vida não é televisão, eu sou músico. Não preciso de aparecer na TV para fazer música”. Depois de ter participado no Ídolos, em 2003, foi gradualmente deixando de ver o programa. Acredita que estes formatos televisivos “são como os filmes do Rambo. O primeiro é o melhor, depois acabam por se tornar mais do mesmo”.

Para Nuno Norte, a participação no programa foi uma “porta aberta para novos projectos”. Contudo, o vencedor da primeira edição portuguesa faz questão de destacar que “tudo não passa de um programa de televisão”. Para ele, é clara a ténue linha entre fama e sucesso: “o Ídolos é um caminho rápido para chegar à fama, não ao sucesso.”

Dentro de um mês o título de "Ídolo" de Portugal será atribuído pela quinta vez. Ainda que tenham passado nove anos sobre a primeira edição, ainda hoje se podem encontrar painéis que publicitam concertos de Nuno Norte com o característico logo azul impresso. Ainda assim, a etiqueta de “vencedor do Ídolos” não o incomoda. Com o desenvolvimento de projectos próprios, Nuno Norte sente que, aos poucos, o seu nome se vai emancipando dessas três palavras. Mas não esquece as oportunidades que lhe proporcionaram: “se e eu não tivesse ganho o Ídolos provavelmente nunca seria convidado para a Filarmónica Gil”. A banda liderada por João Gil deu a Nuno Norte o seu maior sucesso na forma do single Deixa-te ficar na minha casa. Depois do lançamento do álbum com o mesmo nome do grupo, em 2005, Nuno Norte saiu da Filarmónica Gil e, desde então, é o principal investidor na sua carreira. "Agora estou por conta própria. Trabalho e invisto nos meus próprios discos".

O Ídolos é uma adaptação do britânico Pop Idol, cujo objectivo, à semelhança de todos os programas que dele advieram, era encontrar novos talentos musicais. Ora, Nuno Norte só descobriu o ADN pop do programa quando já dava cartas no Ídolos em Portugal. Numa noite, enquanto navegava entre canais na televisão do quarto de hotel, deparou-se com um programa cujo cenário lhe era familiar. No logo oval azul atrás dos concorrentes liam-se as palavras Pop Idol, Nuno Norte relembra que “ao ver a palavra pop ali escrita pensei logo que um roqueiro como eu não iria muito longe no programa”. Não podia estar mais enganado, poucos meses depois tornar-se-ia o primeiro “ídolo” português. Nas edições seguintes, o estilo dos vencedores que lhe sucederam atesta a teoria de Nuno Norte: “afinal, os portugueses gostam de rock.”

Nuno Norte nunca escondeu o seu lado roqueiro. No Ídolos teve que recorrer a algumas estratégias para se fazer ouvir à sua maneira. “Nos ensaios cantava sempre de uma maneira e depois, nas galas, surpreendia todos em directo. Foi resultando.” Acérrimo fã de Nirvana, relembra como, em 2003, o impediram de cantar uma música do grupo liderado por Kurt Cobain por a considerarem muito pesada. “Hoje isso não aconteceria. A prova de como o programa evoluiu é que o Filipe Pinto já conseguiu cantar Nirvana”, defende.

Emigrar para o Brasil

Em Portugal, os prémios para o vencedor do Ídolos foram evoluindo com o passar das edições. Se, em 2003, o grande prémio era a gravação de um disco, o vencedor da actual edição do programa terá direito a um curso de música em Londres. Contudo, Nuno Norte considera que também devia haver um prémio monetário: "Estive no Ídolos durante cinco meses e durante esse tempo não trabalhei”. Sublinha ainda que “alguns concorrentes deixaram os empregos para continuar a seguir o sonho”.

Para o cantor, vitórias neste tipo de programas podem ser um pau de dois bicos: "por um lado, é bom ser conhecido e há pessoas que querem associar-se a ti, por outro, nem sempre conseguem ver o teu mérito próprio". Perante esta dualidade, Nuno Norte acredita que "o trabalho tem que valer por si". Depois do programa, a música manteve-se uma constante na sua vida. "Em relação aos outros vencedores, fui quem trabalhou mais", afirma.

A receita que Nuno Norte pôs em prática, também a passa aos outros: trabalhar, trabalhar mais e trabalhar sempre melhor. “Não é suposto vencer o Ídolos e ficar à sombra da bananeira à espera do sucesso. Há que mostrar logo trabalho”. O disco que gravou como prémio do concurso demorou quase um ano e meio a sair. “Foi tarde de mais, acabou por não ter muita repercussão. Além do mais, só tinha quatro originais meus e algumas covers que cantei em galas e me pediram para incluir.” Actualmente, tem três discos lançados e está a finalizar outro “num estilo mais pop e reggae, com espírito de Verão”.

Com vontade de viver com sol, praia e música 365 dias por ano, Nuno Norte prepara-se para “seguir o conselho de Passos Coelho e emigrar”. Casado com uma brasileira, o seu destino ideal só podia ser um. “Vou cá deixar o álbum e, depois do Verão, vou para o Brasil”. Na mala leva a vontade de por lá fazer ouvir a sua música, abrir um bar na praia onde possa actuar e percorrer o país em digressão. O primeiro ídolo de Portugal promete ainda levar bilhete de volta: “Quero continuar a trabalhar em Portugal.”

O que é feito dos vencedores das anteriores edições do concurso Ídolos? Que rumo tomaram? Na série "Vencedores do Ídolos", o Life&Style reconstitui os passos de cada um dos quatro cantores desde que abandonaram o programa. No próximo artigo, falamos com Sérgio Lucas, o vencedor da segunda edição do concurso.