• Rui Gaudêncio
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Museu da Cerveja:

A Laurentina, a Cuca e a Sagres dividem casa

Sabemos que a cerveja se bebe fresca e que acompanha bem com tremoços e amendoins. Mas que no século XVII os produtores de vinho lhe chamavam “água choca” ou que foi proibida por dois reis e receitada por médicos já poucos saberão. O Museu da Cerveja abriu em Lisboa para contar estas e outras estórias.

As obras de renovação do Terreiro do Paço deram nova vida à praça mais emblemática da capital. Do antigo edifício das Finanças nasceu o Museu da Cerveja, um projecto que, segundo o gerente Ricardo Ferreira, se propõe a apresentar a bebida “numa vertente cultural e histórica”.

Para chegar ao museu é preciso atravessar a cervejaria que aposta na gastronomia portuguesa, sobretudo a lisboeta, com uma ementa que privilegia bifes, pratos de marisco e petiscos variados, qualquer um deles um candidato a melhor amigo da "loira". Contudo, Ricardo Ferreira sublinha que "o foco está sempre no museu. A cervejaria funciona como um complemento à visita, para quem quiser depois fazer uma refeição".

Na bilheteira recebe-se um copo tradicional, que dará jeito para a degustação que encerra a visita ao museu. Antes da prova, viaja-se pela história da cultura cervejeira em Portugal e lêem-se nas paredes citações de poetas e músicos lusófonos onde "cerveja" é a palavra-chave. "Apagam-se as dúvidas num mar de cerveja", canta Sérgio Godinho em O primeiro dia, um excerto da letra recuperado em jeito de homenagem.

Grande parte do acervo foi cedido pela Unicer, pela Associação Central de Cervejas e outras cervejeiras, num trabalho inédito de colaboração neste sector. Porém, o museu também tem espólio próprio: "algumas peças são quase centenárias, como uma caneca da Germânia, uma base metálica para copos e ainda uma receita médica para levedura", destaca Eduardo Nunes, um dos voluntários que participou na montagem do espaço.

Anúncios, barris ou uma almofada em pele de búfalo utilizada para amortecer as descargas, são objectos díspares que em comum têm apenas a sua ligação à história da cerveja. Para Eduardo Nunes, todos os objectos são importantes para que “as pessoas depois de passarem por aqui entendam que a cerveja é mais do que um produto de fábrica”. No Museu da Cerveja, cada peça encontra o seu lugar nos expositores que recuperam processos milenares de fermentação e consumo daquela que foi uma das primeiras bebidas alcoólicas a ser produzida pelo Homem.

A exposição é ainda composta por diversos exemplares de cervejas de Portugal, Brasil, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Um serviço que é complementado na cervejaria, onde podemos pedir uma Cuca e desfrutar do sabor da cerveja angolana, em breve estarão disponíveis outras marcas, como a Laurentina de Moçambique ou a Strela de Cabo Verde.

Quando a visita dá sinais de estar a terminar, um olhar para o copo vazio dado à entrada recorda-nos que há uma parte importante em falta. Abrindo uma cortina de veludo, atravessamos um corredor escuro ao som de canto gregoriano para chegar à adega monástica, onde cada passo aproxima-nos do século XVI. "A adega mostra como era a produção nesta época. Temos a mesa das receitas, o caldeirão e as tinas com cerveja", descreve Eduardo Nunes. Finalmente, um dos figurantes vestido de monge, enche o copo dos visitantes com cerveja fabricada exclusivamente para o museu, terminando a visita com a degustação da bebida da casa. "As horas foram-se dissolvendo e a espuma desceu nos copos...", palavras de Mia Couto que nos acompanham até à saída.