Bárbara Bliebernicht, a empresária por detrás do SOS Divorciados
Bárbara Bliebernicht, a empresária por detrás do SOS Divorciados José Fernandes

SOS Divorciados:

Divorciados livres de um ataque de nervos

Recebeu os papéis do divórcio. É preciso encontrar casa, escolher mobília e decorar. Os miúdos vêm passar o fim-de-semana e não tem nada planeado. O frigorífico está vazio e a casa um caos. Sente-se, respire fundo e deixe que o SOS Divorciados se preocupe com isso por si.

Filha de pais divorciados, também ela divorciada, Bárbara Bliebernicht encara estas situações de forma pragmática: em 2006 criou o serviço SOS Divorciados, com a intenção de facilitar a vida àqueles que tiraram a aliança há pouco tempo. A empresária defende que “as mudanças não são 'simpáticas', mas, se forem feitas com alguma paz e tranquilidade, poupam desgastes emocionais e familiares”.

Ver as coisas desta maneira ajudou Bárbara Bliebernicht não só a encontrar uma ideia de negócio, mas também a lidar com o fim do próprio casamento. “Na altura, servi um pouco de SOS Divorciados para o meu ex-marido. Arranjei-lhe uma casa através de uma imobiliária, negociei a renda e as obras, remodelei e ajudei na decoração. Tratei dessa logística a pensar acima de tudo nos nossos filhos”, explica.

O SOS Divorciados foi criado como parte da Simply, uma empresa de decoração de interiores. O público-alvo é constituído por homens e mulheres, entre os 35 e os 40 anos, que estejam a viver o fim de um casamento. Uma equipa formada por Bárbara Bliebernicht e três colaboradoras fica responsável por ajudar o cliente recém-divorciado a tomar as decisões mais imediatas após a separação. Porque mobilar uma casa nova, pensar nas compras, tratar das limpezas, cozinhar e arranjar actividades para os miúdos ao mesmo tempo que se trabalha e ultrapassa uma ruptura pode ser tarefa complicada.

Francisco Lopes, o ex-marido de Bárbara Bliebernicht, passou por essa experiência, mas contou com a ajuda da empresária na hora de mudar de casa. “O facto de ela ter o SOS Divorciados foi uma mais-valia para mim”, admite Francisco Lopes. A casa que a ex-mulher encontrou estava fechada há dez anos e precisou de obras que se estenderam por um mês. “Saber que alguém estava a tratar de tudo libertou-me para fazer outras coisas, aproveitei e fiz uma formação”, Francisco Lopes admite ainda que se estivesse apenas por sua conta “não tinha tido todo esse trabalho, alugava uma casa já pronta e não tinha agora um espaço tão agradável”.

Foi para resolver estas preocupações o mais rápido possível (por norma duas semanas) que o SOS Divorciados se propôs ser uma espécie de “governanta da casa”. Contudo, os homens não são os únicos a procurar o serviço. A lista de clientes também se escreve no feminino, são mulheres de negócios, que “já sabem o que querem, só precisam de alguém que dê um arranjo rápido à casa e faça aquelas coisas que se tornam quase impossíveis quando se tem as crianças atrás”, explica Bárbara Bliebernicht, mãe de dois filhos.

Nos últimos anos foi notória uma tendência para o aumento do número de divórcios, contudo, em 2011, verificou-se uma quebra de quase 7%. “Divorciam-se menos, porque frequentemente é mais vantajoso ficar na mesma casa e dividir as contas. As pessoas tentam viver juntas enquanto der porque sentem a crise mais na pele”, argumenta a responsável pelo SOS Divorciados.

Para muitos dos clientes de Bárbara Bliebernicht, na sua maioria pertencentes à classe média-alta, uma separação implica mudar para uma casa mais pequena. A empresária apercebeu-se de que existia uma necessidade de se restabelecerem sem recomeçar necessariamente do zero: “Agora há mais clientes que precisam que eu os ajude a reaproveitar o que tinham na casa em que viviam quando eram casados ou a vender o que já não precisam”. Como resposta a esta necessidade criou o Família Vende Tudo, um serviço que complementa o SOS Divorciados, partindo da certeza de que, “hoje em dia, as pessoas já não querem tudo novo, também ligam ao lado emocional dos objectos”.

Licenciada em Design Gráfico, Bárbara Bliebernicht sempre se interessou pela comunicação e aposta numa relação de proximidade com os clientes. “Acho que cada vez mais trabalho a pessoa e a sua vida. Não se trata de brincar às casinhas.” Na maioria dos casos, os clientes estão emocionalmente fragilizados com o fim do casamento, não sendo por isso raro que surjam momentos de desabafo que Bárbara Bliebernicht classifica como uma “troca de experiências com boa disposição”. A empresária não acredita em dramatismos e gosta de lembrar aos clientes que “se a coisa estiver bem feita não se criam atritos com o ex-marido ou a ex-mulher. Nenhuma das partes vai poder dizer que não pode ficar com os miúdos por não ter condições na casa nova”.

Os clientes têm um papel activo na negociação dos orçamentos. Para quem se ficar pela remodelação, os preços base começam nos 600 euros para um T1 e 900 euros para um T2, valores que correspondem aos honorários para os custos de deslocação e mudanças. Tudo o que seja mobiliário tenta-se depois comprar a preço de fábrica. O kit Business inclui ainda serviço de limpeza, programas para as crianças e as compras do supermercado. Neste pacote, o preço mensal varia consoante as necessidades do cliente.

Bárbara Bliebernicht não é indiferente a um certo pessimismo por parte dos portugueses que, segundo a própria, os impede de aderir a serviços como o SOS Divorciados. Esse sentimento aliado à actual crise financeira fez com que sonhasse com horizontes maiores. “Quero ir em busca do ouro perdido para a América do Sul”, diz sorridente. “O plano para o SOS Divorciados passa por Portugal, mas não só. A América do Sul tem mercado para receber o projecto.” Se nos últimos anos o serviço se tem desenvolvido em Portugal sobretudo na sua vertente mais simples, a da decoração, o mercado sul-americano tem características diferentes. “Por cá cada vez mais as pessoas tentam encurtar os orçamentos. Por lá faltam serviços, pessoas que garantam qualidade aos homens de negócios, respostas à medida deles e no tempo e budget certos. Tenho ideia que por lá as pessoas ficam mais desamparadas, gostava de experimentar o SOS Divorciados e ver como resultava”.