Sementes à mesa

“Há imensas propriedades contidas nas sementes, à espera de explodir”. Fernanda Botelho, especialista em ervas aromáticas e plantas medicinais e autora de vários livros sobre o assunto, fala com um imenso entusiasmo de tudo o que podemos fazer com sementes. Sobretudo comê-las.

Marcámos encontro na casa dela, em Sintra, e quando chegamos Fernanda dispõe em cima da mesa da cozinha vários recipientes com germinados (muito bons para juntar às saladas e às sopas), sementes e raízes.

Para começar junta sementes de papoilas com algumas colheres de mel e faz uma pasta que, garante, é óptima para barrar no pão ou usar como cobertura de bolos. Pega de seguida nas de sésamo que “contêm uma preciosidade de vitaminas, proteínas, gordura”, e mostra como, depois de tostadas, se trituram num almofariz japonês. “Nunca se devem comprar pré-trituradas porque perdem muito do interesse nutritivo”. Pode-se pôr nas saladas, sopas, arroz.

Um dos recipientes em cima da mesa tem um pó de um amarelo muito vivo. “É curcuma”, diz Fernanda. “Vem de uma planta muito parecida com o gengibre, mas que por dentro tem esta cor amarela.” É indicada para usar em refogados ou sopas, mas “a grande planta do Inverno” é o gengibre.

Pode-se fazer chá com o gengibre, mas pode-se também usar numa sopa de peixe. Antes de passar para as outras sementes nos pequenos recipientes, Fernanda dá uma rápida receita de sopa de peixe com gengibre, funcho e aipo. O gengibre – vai buscar outro recipiente para mostrar – pode ainda comer-se cristalizado. “É fácil de fazer em casa, com calda de açúcar”.

As sementes e raízes são um mundo imenso que utilizamos muito pouco. E numa tarde em Sintra, Fernanda Botelho deu-nos várias receitas fáceis – do creme para barrar o pão à mistura de sementes de girassol e abóbora aquecidas na frigideira, com algumas gotas de molho de soja, para levar numa viagem.